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“Não somos um pedaço de terra”: pároco fala sobre tensão entre Groenlândia e EUA

Pároco de paróquia na Groenlândia afirma que comunidade não pode ser tratada como objeto de disputa.

Escrito por Rafael Gurgel

16 JAN 2026 - 15H20 (Atualizada em 16 JAN 2026 - 19H38)

Reprodução/Adobe Stock: steheap

“Não somos um pedaço de terra, somos uma comunidade de pessoas.” A afirmação é do padre Tomaž Majcen, pároco em Nuuk, capital da Groenlândia, em entrevista ao Vatican News, no dia 13 de janeiro. A frase sintetiza o sentimento da comunidade cristã, diante das declarações do presidente americano sobre uma possível anexação da Groenlândia ao território norte-americano.

Segundo pesquisa do jornal dinamarquês Berlingske e do groenlandês Sermitsiaq, 85% da população da Groenlândia é contra a anexação, contra apenas 6% da população do país que deseja fazer parte dos EUA, e 9% de indecisos.

A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, mas possui governo semiautônomo. O território administra a maioria de seus assuntos internos, enquanto defesa, política externa e questões monetárias permanecem sob responsabilidade dinamarquesa.

Em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos sobre uma possível anexação do território, surgiu, entre comunidades cristãs de distintas tradições, a preocupação não apenas geopolítica, mas sobretudo humana e cultural.

O padre Tomaž expressou a preocupação da comunidade católica na Groenlândia após as declarações e alertou sobre o risco de desumanização do debate.

“Preocupa-me que nossa casa seja tratada como um pedaço de terra, e não como uma comunidade de pessoas, com famílias, tradições e fé”, afirmou.

Segundo o sacerdote, o tom de algumas declarações têm sido inquietantes.

“Falar em controle ou propriedade de uma ilha onde vivem pessoas reais é algo perturbador. Como padre, acredito que a paz e o diálogo são mais importantes do que conflitos por terras ou recursos”.

A Groenlândia, segundo o padre, é um “lugar maravilhoso e pacífico”, cuja vocação não pode ser sufocada por disputas de poder, e espera que os líderes internacionais escolham a cooperação pacífica, e não a escalada de tensões.

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Fonte: Vatican News, BBC

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