O avanço de novos casos de Ebola em países da África tem mobilizado autoridades internacionais de saúde e organizações humanitárias. Além da preocupação com a doença, especialistas alertam para os riscos da desinformação em meio à crise sanitária.
Segundo o médico especialista em doenças infecciosas, Hemerson luz, a África está passando novamente pelo surto do vírus Ebola, na República Democrática do Congo, uma região que se encontra em conflito e que não há um sistema de saúde sustentável com fluxo descontrolado de pessoas e refugiados.
“O que está acontecendo é que a doença e espalhou para grandes centros urbanos e tem quase 900 casos já suspeitos, centenas de morte e mesmo assim o vírus conseguiu ultrapassar uma fronteira, e agora, prestando casos em Uganda”, alertou.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde congolês, os casos suspeitos ultrapassaram 900, dos quais 101 deles foram confirmados em laboratório, e pelo menos 119 mortes suspeitas aconteceram.
Além das ONG’s e Ministérios da Saúde, a organização religiosa também possui um papel importante neste cenário. O Ministério Social e Pastoral da Igreja, a Conferência Episcopal de Uganda, já fez o convite para que todos os membros da Igreja se unam em oração pela Nação, pelos profissionais de saúde e por todos os afetados com esta doença.
Representação de teste de sangue para o Ebola
A ação da Cáritas
Entre os programas sociais de ajuda da Igreja, a Cáritas Brasileira está presente e faz parte do organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo um dos principais instrumentos da ação social da Igreja no país. Seu trabalho vai além da assistência imediata, promovendo caminhos de dignidade e valorização da pessoa humana.
Em outros locais do mundo que abrangem essa ação social, o delegado da Cáritas Internacional, Monsenhor Robert Vitillo, em entrevista na Rádio Vatican News explicou que, diante dos casos do Ebola, a estrutura das famílias acaba sendo afetada. Apesar da Igreja, da Cáritas e das congregações religiosas ajudarem, o Monsenhor enfatizou que é necessário enviar mais ajuda.
“Algumas regiões desses países só contam com as estruturas de saúde da Igreja, que são as únicas que funcionam”, reforçou.
Diante de muita gente que perdeu vários familiares, o sacerdote destacou que as igrejas estão cheias porque é uma população que tem fé.
Em meio ao avanço da epidemia, a Igreja também convida os fiéis a rezarem pelas vítimas, profissionais de saúde e voluntários que atuam nas regiões afetadas. A corrente de oração é um gesto de esperança e fraternidade para com os povos que enfrentam a doença.
Como o Ebola age
O Ebola foi identificado no ano de 1975 em uma aldeia próxima ao Rio Ebola. De acordo com o médico especialista em doenças infecciosas, Hemerson luz, a doença age como um vírus que causa uma febre hemorrágica, com uma letalidade alta, e, especificamente com a cepa Bundibugyo (surto atual na República Democrática do Congo), pode chegar até 50% da letalidade, considerado um avanço muito alto.
Segundo o especialista, o risco de ocorrer uma pandemia do vírus Ebola é baixo, isso porque a forma de transmissão é através de secreções das pessoas que estão doentes. Apesar do contato não ser direto, Hemerson alerta para os sintomas iniciais.
“Na fase assintomática não há transmissão. A pessoa que é portadora do vírus pode viajar, passar uma fronteira ou até mesmo ir para outro País, pois quando somente começar os sintomas é que vai transmitir o vírus, e este é o grande risco”, disse.
Dentro deste caso, outro fato que chama atenção neste surto são os profissionais de saúde que foram contaminados e chegaram a óbito. O médico reforça que isso pode indicar uma falta de estrutura nos equipamentos de proteção individual, ou até mesmo o grande número de casos.
“Isso faz com que tenha uma grande saturação na área com os pacientes portadores do vírus ou uma violência muito alta. Este conjunto de fatores faz com que haja muitos profissionais de saúde afetados, doentes e que evoluam para o óbito”, concluiu.
A doença e a Fake News
Diante do crescimento do Ebola e o grande número de casos, há muitas informações incorretas que circulam pela internet. Aqui vão algumas dúvidas que surgiram diante dessa repercussão.
Já existem casos do Ebola no Brasil?
X Não! O especialista em doenças infecciosas, Hemerson Luz, diz que para os casos no Brasil do vírus Ebola não é verdade. Essa informação faz parte das Fake News.
“Temos um sistema de vigilância sanitária em que os profissionais de saúde estão sendo alertados a respeito deste risco e não há casos relatados no Brasil”, enfatizou.
A doença é uma “arma biológica”?
X Não! O médico especialista afirma que isso não é verdade, pois, o Ebola, é um vírus encontrado na natureza desde muito tempo. Neste contexto, ser uma “arma biológica”, ou seja, que pode causar doença ou morte de forma intencional, não parte desse vírus.
Existe uma Pandemia Global com o Ebola?
X Não! Novamente, mais umas das Fake News sobre esta doença é a divulgação que exista uma pandemia global a caminho desse vírus por transmissão aérea. Hemerson explica que isso não ocorre e que o risco é extremamente baixo.
“O que pode acontecer são os casos em Países, casos importados, pelo fato de um paciente assintomático viajar e acabar abrindo quadro em outro País e ser portador do vírus”, completou.
Desta forma, é primordial que exista uma capacitação e treinamento das equipes médicas afim de conhecer os detalhes da doença e saber lidar com os casos que se espalham.
Doutor na África com uma seringa na mão
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