Música

Tríduo Pascal: Cantar e celebrar o mistério da Páscoa do Senhor

Entenda o significado do Tríduo Pascal, do Lava-pés à Ressurreição, e a importância dos cantos e símbolos no ápice do ano litúrgico da Igreja.

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Escrito por Ir. Alan Patrick Zuccherato, C.Ss.R. - Editado por Luciana Gianesini

17 ABR 2014 - 08H00 (Atualizada em 01 ABR 2026 - 07H00)

IA/ Shutterstock

No contexto celebrativo da Semana Santa, temos o Tríduo Pascal. A Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR, p. 110) ensina:

"Como o Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, principalmente pelo seu Mistério Pascal, quando, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, renovou a vida, o sagrado Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor resplandece como o ápice de todo o ano litúrgico. Portanto, a solenidade da Páscoa goza no ano litúrgico a mesma culminância do domingo em relação à semana".

Neste contexto, é indispensável a participação do povo: gestos corporais, símbolos e imagens, sobretudo o canto, devido à solenidade desses dias, porque os textos bíblicos e litúrgicos, densos e profundos, adquirem maior força quando são cantados.

  • Na Quinta-Feira Santa, celebramos dois momentos significativos. As dioceses, na parte da manhã ou em outro momento e dia oportunos durante a Semana Santa, realizam a Missa da Unidade (Santos Óleos), quando recordamos o sacerdócio ministerial e agradecemos a vida e a missão de nossos presbíteros.

    E, com um
    tom de alegria, ao cair da tarde, celebramos a Ceia do Senhor — o Amor maior (Mandamento Novo e Paixão de Jesus), o Lava-Pés (Serviço) e a Eucaristia. Ela sempre nos dá lições de partilha, pois nela o Cristo se dá a nós como alimento. Nesta celebração canta-se o Glória, pode-se dar destaque à procissão dos dons (pão e vinho) e preparar um espaço celebrativo bem bonito!

    No encerramento da missa, acontece o
    translado do Santíssimo para um local preparado à Vigília Eucarística, cantando o "Tão Sublime Sacramento". Lembramos ainda o desnudamento do altar e a saída do povo em silêncio.
  • A celebração da Sexta-Feira Santa é centralizada na Cruz. Santo Afonso Maria de Ligório (fundador dos Missionários Redentoristas), ao contemplar o mistério da cruz, não exalta o sofrimento, mas mostra o amor apaixonante de Deus.

    São três os sentimentos que brotam de nosso coração: 
    gratidão, compromisso e seguimento. É dia de proclamarmos a Paixão do Senhor, que ouvimos na Liturgia da Palavra, e fazermos preces por toda a humanidade.

    É dia de
    silêncio, de pesar, de jejum, da sobriedade que se manifesta na celebração, iniciada sem o canto.
  • No Sábado Santo, como nos diz a Ir. Penha Carpanedo é o dia de "viver a ausência do amado", sendo assim, dia de recolhimento, meditação e permanência da Igreja junto ao sepulcro, à espera da Ressurreição do Senhor.

    O período da noite é o tempo da solene
    Vigília Pascal, que, nas palavras de Santo Agostinho, "é a mãe de todas as vigílias". Está estruturada como:

    Memória (acontecimentos passados) que retomamos na rica Liturgia da Palavra, percorrendo a História da Salvação;

    Presença (o Senhor está presente) no Círio Pascal aceso no fogo novo, a Luz de Cristo apresentada e a proclamação jubilosa da feliz noite no Exultat; 

    -  
    Expectativa (o mundo novo que deve surgir) pela renovação das promessas batismais, e na solene Eucaristia, que faz acontecer a memória da Páscoa de Jesus embalada de Aleluias, de cantos festivos, do "Glória", de alegres aclamações e vivas!
  • Domingo da Ressurreição é a Páscoa do Senhor. Páscoa é "Deus que passa", como descrito em Ex. 12 e Dt. 16. Deus é o nosso parceiro! Em seu Filho Jesus, temos o Redentor que nos liberta e promove a vida!

    Neste domingo,
    elevamos hinos ao Cristo Ressuscitado, como, por exemplo, na Sequência logo após a segunda leitura, durante a Liturgia da Palavra. Nosso canto no Tempo da Páscoa expressa a vida que se renova no Amor:

"Meu coração me diz: o Amor me amou...; passou a escuridão, o sol nasceu, a vida triunfou: Jesus ressuscitou!"

Tempo Pascal compreende os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição — sete semanas de festa, incluindo a Ascensão do Senhor — e Pentecostes, quando celebramos a vinda do Espírito Santo, o grande Dom do Ressuscitado!

A semana que antecede Pentecostes é dedicada à Oração pela Unidade dos Cristãos. Os domingos deste tempo retratam a experiência que os apóstolos fizeram com o Ressuscitado. A primeira leitura dos domingos deste tempo sempre será extraída dos Atos dos Apóstolos, no qual se concentra a história da Igreja nascente.

Os nossos cantos devem revelar muita alegria, exultação, como se fossem um só dia festivo, "um grande domingo", segundo Santo Atanásio. Este é um tempo de júbilo, manifestado pela cor branca, flores, luzes, no Círio aceso, nos instrumentos e nos cantos, que realçam o Glória — Hino de Louvor, e o vibrante Aleluia, entoados ao Senhor Ressuscitado, vivo e glorioso.

Apresento a vocês como sugestão para este Tempo Litúrgico os CDs - "Cantos da Semana Santa" "Tríduo Pascal I e II", além de outros oferecidos pelo Hinário Litúrgico da CNBB.

Que Maria, a Estrela da Evangelização Pascal, nos dê a perseverança e faça de nós, os agentes das pastorais litúrgicas e da música, pessoas entusiasmadas, para que nossas celebrações e nosso canto levem todos a um verdadeiro encontro com o Ressuscitado, que, em sua dinâmica de Amor, construirá a civilização mais justa, mais humana e feliz!

Abraços Pascais e Musicais!

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