Música

Como surgiram os principais cânticos marianos?

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Escrito por Vitória Victal

03 SET 2026 - 15H48 (Atualizada em 04 SET 2026 - 15H10)

No dia 8 de setembro, a Igreja Católica celebra a Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria. 

Na Exortação Apostólica Marialis Cultus, publicada em 1974, o Papa Paulo VI apresenta a Natividade de Maria entre as celebrações que recordam acontecimentos da história da salvação nos quais a Virgem esteve associada ao seu filho, Jesus.

A liturgia dessa festa, portanto, olha para Maria não como um acontecimento único, mas como parte de uma história que terá seu centro em Cristo. E essa história também pode ser contada pela música.

Pensando nisso, vamos relembrar juntos como surgiram algumas das orações marianas para que elas se tornassem uma música?

Renáta Sedmáková/ Adobe Stock Renáta Sedmáková/ Adobe Stock

Os cânticos de Maria

arrow_forward Magnificat

O Magnificat é o primeiro canto mariano registrado no Evangelho de Lucas, capítulo 1, durante a visita de Maria a sua prima Isabel. Na passagem de Lucas, Maria é apresentada louvando a Deus depois de Isabel reconhecer a grandeza do que havia acontecido com ela.

"Disse então Maria: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque Ele olhou para sua humilde serva; pois daqui em diante todas as gerações proclamarão que sou feliz!" (Lc 1,46-48).

Dessa maneira, o Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica, chama o Magnificat de “a oração por excelência de Maria” e afirma que esse cântico, ao longo do tempo, “tornou-se oração da Igreja inteira”.

"Assim nos aparece ela, de fato, na visita à mãe do Precursor, quando o seu espírito se efunde em expressões de glorificação a Deus, de humildade, de fé e de esperança: tal é o "Magnificat' (cf. Lc 1,46-55), a oração por excelência de Maria, o cântico dos tempos messiânicos no qual confluem a exultação do antigo e do novo Israel, pois, conforme parece querer sugerir Santo Ireneu, no cântico de Maria convergiu o júbilo de Abraão, que pressentia o Messias (cf: Jo 8,56) (36) e ressoou, profeticamente antecipada, a voz da Igreja: "exultante, Maria clamava, em lugar da Igreja, profetizando: a minha alma glorifica o Senhor..." (nº18)

arrow_forward Sub tuum praesidium 

Esta é a primeira invocação mariana conhecida no surgimento dos cânticos marianos.

JM Soedher/Adobe Stock  JM Soedher/Adobe Stock

Durante uma de suas audiências, em 1997, São João Paulo II  explicou que a origem da palavra "Sub tuum praesidium" significa: “Sob a tua proteção nos refugiamos, Santa Mãe de Deus...”.

Dessa maneira, ao longo dos séculos, o culto mariano foi desenvolvendo diversas expressões de piedade que, em alguns casos, passaram a integrar a própria liturgia.

Este cântico é fundamental, pois ele mostra a passagem do Evangelho para a oração da comunidade cristã. Se no Magnificat, Maria fala, no Sub tuum praesidium, os cristãos passam a falar com Maria e pedem a sua proteção.

arrow_forward Ave Maria

Esta é a oração à Virgem mais comum e conhecida entre os cristãos. São João Paulo II explicou, em audiência, que a oração reúne as palavras dirigidas pelo anjo a Maria e a saudação de Isabel.

A oração foi ganhando espaço na devoção cristã ao longo da Idade Média, até ocupar um lugar central entre as preces dirigidas a Maria.

O saudoso Papa Francisco falou em uma de suas Audiências Gerais, no ano de 2021, que as expressões “cheia de graça” e “bendita entre as mulheres” vêm dos Evangelhos e que, posteriormente, a oração incorporou o título de “Mãe de Deus”, além da súplica “rogai por nós”.

"E assim começamos a orá-la com algumas expressões dirigidas a ela, presentes nos Evangelhos: "cheio de graça", "abençoada entre as mulheres". Na oração da Ave Maria, o título "Theotokos", "Mãe de Deus", sancionado pelo Concílio de Éfeso, logo também chegaria", explicou.

VK Studio/Adobe Stock VK Studio/Adobe Stock

Por qual motivo transformar essas orações em músicas?

Para a tradição, cantar nunca foi apenas uma forma de tornar a oração mais bonita. O canto também faz parte da liturgia da Igreja, pois ajuda a palavra a ser guardada, expressando a oração e ajudando os fiéis a darem maior solenidade aos ritos.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, o canto está unido ao texto proclamado por meio das liturgias e a tradição musical da Igreja está ligada à própria celebração litúrgica.

"O canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto «mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica» (27), segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração." (CIC, II, p. 1157).

Sendo assim, aquilo que é cantado pode alcançar diversas pessoas, ser aprendido por toda a assembleia e retomado na liturgia, fazendo com que textos antigos continuem presentes na oração dos fiéis.

Desde o louvor do Magnificat até as súplicas da Ave-Maria, as invocações das antífonas e a contemplação de Maria aos pés da cruz foram recebendo melodias diferentes conforme as épocas e os lugares.

A música não substituiu as palavras, mas deu a elas uma nova forma de permanecer no dia a dia do cristão! E você, já cantou ou conhece algum cântico mariano? Deixe aqui nos comentários! 

add_circle  Magnificat de Maria como um canto de esperança

Fonte: Marialis Cultus, Bíblia de Aparecida, Santa Sé Audiências, CIC

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