No dia 8 de setembro, a Igreja Católica celebra a Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria.
Na Exortação Apostólica Marialis Cultus, publicada em 1974, o Papa Paulo VI apresenta a Natividade de Maria entre as celebrações que recordam acontecimentos da história da salvação nos quais a Virgem esteve associada ao seu filho, Jesus.
A liturgia dessa festa, portanto, olha para Maria não como um acontecimento único, mas como parte de uma história que terá seu centro em Cristo. E essa história também pode ser contada pela música.
Pensando nisso, vamos relembrar juntos como surgiram algumas das orações marianas para que elas se tornassem uma música?
Os cânticos de Maria
arrow_forward Magnificat
O Magnificat é o primeiro canto mariano registrado no Evangelho de Lucas, capítulo 1, durante a visita de Maria a sua prima Isabel. Na passagem de Lucas, Maria é apresentada louvando a Deus depois de Isabel reconhecer a grandeza do que havia acontecido com ela.
"Disse então Maria: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque Ele olhou para sua humilde serva; pois daqui em diante todas as gerações proclamarão que sou feliz!" (Lc 1,46-48).
Dessa maneira, o Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica, chama o Magnificat de “a oração por excelência de Maria” e afirma que esse cântico, ao longo do tempo, “tornou-se oração da Igreja inteira”.
"Assim nos aparece ela, de fato, na visita à mãe do Precursor, quando o seu espírito se efunde em expressões de glorificação a Deus, de humildade, de fé e de esperança: tal é o "Magnificat' (cf. Lc 1,46-55), a oração por excelência de Maria, o cântico dos tempos messiânicos no qual confluem a exultação do antigo e do novo Israel, pois, conforme parece querer sugerir Santo Ireneu, no cântico de Maria convergiu o júbilo de Abraão, que pressentia o Messias (cf: Jo 8,56) (36) e ressoou, profeticamente antecipada, a voz da Igreja: "exultante, Maria clamava, em lugar da Igreja, profetizando: a minha alma glorifica o Senhor..." (nº18)
arrow_forward Sub tuum praesidium
Esta é a primeira invocação mariana conhecida no surgimento dos cânticos marianos.
Durante uma de suas audiências, em 1997, São João Paulo II explicou que a origem da palavra "Sub tuum praesidium" significa: “Sob a tua proteção nos refugiamos, Santa Mãe de Deus...”.
Dessa maneira, ao longo dos séculos, o culto mariano foi desenvolvendo diversas expressões de piedade que, em alguns casos, passaram a integrar a própria liturgia.
Este cântico é fundamental, pois ele mostra a passagem do Evangelho para a oração da comunidade cristã. Se no Magnificat, Maria fala, no Sub tuum praesidium, os cristãos passam a falar com Maria e pedem a sua proteção.
arrow_forward Ave Maria
Esta é a oração à Virgem mais comum e conhecida entre os cristãos. São João Paulo II explicou, em audiência, que a oração reúne as palavras dirigidas pelo anjo a Maria e a saudação de Isabel.
A oração foi ganhando espaço na devoção cristã ao longo da Idade Média, até ocupar um lugar central entre as preces dirigidas a Maria.
O saudoso Papa Francisco falou em uma de suas Audiências Gerais, no ano de 2021, que as expressões “cheia de graça” e “bendita entre as mulheres” vêm dos Evangelhos e que, posteriormente, a oração incorporou o título de “Mãe de Deus”, além da súplica “rogai por nós”.
"E assim começamos a orá-la com algumas expressões dirigidas a ela, presentes nos Evangelhos: "cheio de graça", "abençoada entre as mulheres". Na oração da Ave Maria, o título "Theotokos", "Mãe de Deus", sancionado pelo Concílio de Éfeso, logo também chegaria", explicou.
Por qual motivo transformar essas orações em músicas?
Para a tradição, cantar nunca foi apenas uma forma de tornar a oração mais bonita. O canto também faz parte da liturgia da Igreja, pois ajuda a palavra a ser guardada, expressando a oração e ajudando os fiéis a darem maior solenidade aos ritos.
De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, o canto está unido ao texto proclamado por meio das liturgias e a tradição musical da Igreja está ligada à própria celebração litúrgica.
"O canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto «mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica» (27), segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração." (CIC, II, p. 1157).
Sendo assim, aquilo que é cantado pode alcançar diversas pessoas, ser aprendido por toda a assembleia e retomado na liturgia, fazendo com que textos antigos continuem presentes na oração dos fiéis.
Desde o louvor do Magnificat até as súplicas da Ave-Maria, as invocações das antífonas e a contemplação de Maria aos pés da cruz foram recebendo melodias diferentes conforme as épocas e os lugares.
A música não substituiu as palavras, mas deu a elas uma nova forma de permanecer no dia a dia do cristão! E você, já cantou ou conhece algum cântico mariano? Deixe aqui nos comentários!
add_circle Magnificat de Maria como um canto de esperança
Fonte: Marialis Cultus, Bíblia de Aparecida, Santa Sé Audiências, CIC
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