Existe uma cidade antiga localizada no sul da Itália, atual Sicília, que não é das mais conhecidas nem das mais visitadas pelos turistas que chegam a Roma ou a outras paragens da Itália, mas que, conhecida como a “Cidade da Água e dos deuses”, tem uma história bem particular que merece ser conhecida.
Muito antes de Roma dominar o mundo, construindo uma das maiores potências políticas e militares de todos os tempos, a Agrigento dos antigos Akragas já brilhava como um farol de civilização, arte e engenharia.
Habitada desde os tempos pré-históricos, com assentamentos de diferentes povos, a cidade foi fundada pelos gregos vindos de Creta e de Rodes no século VI a.C., por volta de 581. A cidade se tornou então uma obra-prima pela combinação harmônica entre natureza e tecnologia, sendo considerada uma das metrópoles mais poderosas do mundo mediterrâneo antigo, localizada na região que os historiadores chamam de “Magna Grécia”.
Construída sobre um penhasco, cercada por dois rios (o Hypsas e o Ácragas), sua posição era bem estratégica, facilitando a defesa nas épocas de guerras.
Em 406 a.C., a cidade foi invadida e destruída por Cartago, a grande potência comercial do Mar Mediterrâneo que dominou toda a região. Foi depois superado por Roma, que dominou a região em 339 a.C., mudando seu nome para Agrigentum, origem do nome da moderna cidade. Enquanto Roma ainda era uma república bem jovem, Agrigento já possuía um sofisticado sistema de canalização de água subterrânea, capaz de fornecer água clara e constante para toda a população, razão do seu primeiro nome. Até 1929, Agrigento era oficialmente denominada pelo nome siciliano de Girgenti.
A moderna cidade, capital da região que leva o seu nome, com população de aproximadamente 55 mil habitantes, é a terra-mãe de Luigi Pirandello, um dos mais conhecidos escritores italianos e vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 1934.
Sob as ruas da cidade estende-se uma rede de túneis, canais e cisternas escavadas na rocha, conhecidos como Hipogeus de Agrigento. Essas extraordinárias obras, nascidas do gênio grego e aperfeiçoadas ao longo dos séculos, coletavam água de nascentes localizadas nas colinas acima da cidade e a distribuíam por todos os bairros.
Esse avançado sistema é considerado um protótipo das modernas redes de água que levam o precioso líquido a toda a população de uma moderna cidade.
Para os gregos, a água não era apenas um recurso necessário à vida humana, mas um elemento sagrado, ligado à pureza, fertilidade e à ordem cósmica.
Graças ao sistema de captação e distribuição de água, Agrigento podia se orgulhar de suas fontes, banhos e jardins exuberantes, tornando-se modelo de prosperidade e beleza. Não é coincidência que o poeta Píndaro a tenha chamado de "a mais bela das cidades dos mortais".
Entre as colinas banhadas pelo sol erguia-se o majestoso Vale dos Templos, um dos lugares mais icônicos da antiguidade, hoje transformado num sítio arqueológico de ruínas dóricas classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO. O Templo de Concordia, um dos mais bem conservados da antiguidade após mais de 2,4 mil anos, representava a própria essência de Agrigento, com o equilíbrio perfeito entre técnica, espiritualidade e harmonia.
O sistema de água de Agrigento não é apenas um milagre da engenharia, mas uma lição de inteligência e visão que ainda hoje ensina muita coisa.
O visitante que caminhar hoje entre suas ruínas, mesmo sem poder ouvir o murmúrio da água que ainda corre debaixo da terra devido ao burburinho e ruídos da moderna cidade, poderá sentir o eco de um passado distante que nunca deixou de inspirar.
Algumas seções dos Hipogeus antigos ainda estão em uso no sistema hídrico moderno da cidade, transformando-se num fio de água que une o passado e o presente, trazendo consigo a sabedoria dos gregos de mais de dois mil anos atrás e a durabilidade dos tempos com suas marcas históricas.
LEIA MAIS:
Como surgiram os principais cânticos marianos?
Aprenda e conheça mais sobre a origem do Magnificat, Sub tuum praesidium e Ave-Maria e entenda por que essas orações ganharam melodias. Leia na íntegra!
CNBB apresenta fundo para patrimônio cultural da Igreja
O objetivo principal do fundo é ajudar as dioceses na conservação e gestão do patrimônio cultural da Igreja Católica no Brasil. Confira mais sobre a iniciativa!
Qual a importância da acolhida na catequese?
Acolher é reconhecer a dignidade do outro como filho(a) de Deus. Você já pensou sobre a importância desse gesto nos encontros de catequese? Saiba mais!
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.