O que diferencia um cantor de um ministro de música na Igreja? A pergunta orienta reflexões recorrentes em comunidades, pastorais e grupos de música e este foi o eixo da entrevista com o grupo "Ir ao Povo", formado por Beto, Betinho, Tiago e Ana Clara, que há 25 anos atuam na música católica.
Criado por Pe. Zezinho, scj, o grupo construiu sua trajetória a partir de uma compreensão específica da música na Igreja: não como palco ou apresentação, mas como ministério. Na entrevista exclusiva ao A12, os integrantes partilham como essa visão molda a forma de cantar, de escolher repertório e de se posicionar diante da comunidade.
Responsabilidade com a fé que se canta
Ao falar sobre ministério de música, o grupo insiste em um ponto central: cantar envolve responsabilidade espiritual. Segundo Ana Clara, lidar com a fé é lidar com algo profundamente sensível na vida das pessoas.
“Espiritualidade não é brincadeira de fim de semana. É algo que a gente carrega no dia a dia”, afirma.
Essa consciência levou o grupo a assumir, desde o início, uma postura de estudos católicos, que permanece até hoje.
“Não é subir no palco para cantar por cantar, o protagonista nunca somos nós. É sempre Deus”, resume Tiago.
Essa compreensão se reflete também na relação com a liturgia. O grupo ressalta que a música serve à celebração, e não o contrário. Isso implica respeitar tempos litúrgicos, textos bíblicos e a função específica de cada canto dentro da missa. Para eles, quando a música ignora esses critérios, corre o risco de se tornar apenas mais uma canção, sem força pastoral.
Conselhos a quem está começando
Com uma história de 25 anos de estrada, o Ir ao Povo já se apresentou em diversos estados do Brasil. E falaram um pouco dessa experiência a quem deseja iniciar no ministério de música. O primeiro ponto importante para eles é não entrar nesse caminho tendo o objetivo único de ganhar dinheiro ou visibilidade.
“A obra de Deus não é para isso”, afirma Ana Clara, ao lembrar que o serviço é exigente, cansativo, mas, ao mesmo tempo, profundamente revigorante.
A formação musical aparece como outro ponto essencial. Estudar e ensaiar com seriedade também são compromissos inegociáveis, segundo o grupo. Beto reforça que o povo merece qualidade e cuidado.
“Quanto mais profissional você for, melhor. Porque você está a serviço”, afirma o músico.
O grupo também chama atenção para a humildade. Reconhecer limites, saber quando não se está preparado e buscar orientação são atitudes vistas como parte do ministério.
“Se não sabe cantar, sirva de outra forma, encontre onde está o seu dom”, recorda Betinho, citando conselhos recebidos ao longo da caminhada.
Momentos de graça: quando a música toca a vida das pessoas
Ao longo da entrevista, o grupo compartilha experiências que ajudam a compreender o alcance do ministério de música. Uma delas ocorreu durante a passagem de som de um show, quando uma mulher, que estava afastada da Igreja há mais de 20 anos, ouviu a canção “Graça Sorrateira”, de Pe. Zezinho. A música, cantada sem público e fora da apresentação, motivou o retorno dela à vida comunitária.
“Ver que o nosso trabalho, de uma forma tão simples, enquanto estávamos ensaiando, foi capaz de trazer mais uma pessoa para Cristo, é algo revigorante. Aquela mulher veio conversar conosco no final de ensaio e disse que iria voltar à igreja ao nos ver cantando, nosso trabalho é algo realmente especial.”
Outra cena marcante aconteceu em uma festa de padroeiro, sob sol intenso, ao ver pessoas pagando promessas com os pés no chão quente, carregando pedras e coroas de espinhos.
Há ainda histórias que revelam a força da música, como a de uma jovem com deficiência visual que acompanha a banda e arrecadou recursos para construir uma capela ao lado de casa, permitindo que a comunidade celebrasse a Missa e pudesse receber a Eucaristia ao menos uma vez por mês.
Cantar como compromisso com a vida
Entre os episódios mais fortes lembrados pelo grupo está a participação de um show, ao lado de Pe. Zezinho. O grupo não deu muitos detalhes, devido ao teor do assunto, porém, contaram que o Padre Zezinho havia recebido ameaças de morte se realizasse o show, devido ao Padre estar atuando e pregando durante o show pela preservação dos povos ribeirinhos, indígenas e quilombolas, e mesmo assim, o show foi mantido.
Para o Ir ao Povo, tocar junto ao Padre naquele momento explicitou o sentido mais profundo do ministério: estar disposto a cantar por uma causa, mesmo quando isso implica o risco, nada pode abalar a nossa fé, conforme falou Tiago.
O grupo afirma que o ministério de música só faz sentido quando nasce da consciência de pertencer a uma Igreja viva, que anuncia, mas também denuncia injustiças. A música, nesse contexto, não deve ser fuga da realidade, mas instrumento de presença e compromisso.
A espiritualidade do grupo e a relação com Aparecida
A ligação do Ir ao Povo com o Santuário Nacional de Aparecida nasceu de uma identificação de espiritualidade com Nossa Senhora. Segundo Ana Clara, estar em Aparecida é um sentimento único.
“É a casa da Mãe. A gente se sente em casa”, afirma, ao destacar também a afinidade com o carisma dos padres redentoristas.
“Eles vivem esse trabalho de se colocar junto das pessoas. É exatamente isso que o nosso nome expressa. Por isso, temos um carinho e uma identificação muito grandes com essa missão”, completa.
Ao concluir a entrevista, o Ir ao Povo retoma uma síntese ensinada por Pe. Zezinho e que atravessa toda a entrevista: ministro de música é servidor. Um servidor que estuda, reza, respeita a liturgia, cuida da técnica e, sobretudo, empresta a própria voz e o seu trabalho à fé do povo.
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