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Formação

Mistérios da Fé: entenda o jejum e penitência na modernidade

Escrito por Laís Silva

11 MAR 2026 - 13H51 (Atualizada em 11 MAR 2026 - 16H00)

jcfotografo/ AdobeStock

Existe um jejum ou penitência ideal para fazer na Quaresma nos dias de hoje?

O jejum e a penitência na Quaresma continuam importantes, mesmo com a vida moderna tão rápida e cheia de estímulos.

Os jejuns e as penitências tradicionais seguem “em alta” entre os fiéis, mas existem outras maneiras de praticar o jejum e a oração em nossa vida e é sobre isso que vamos falar neste quarto texto da série Mistérios da Fé, com a ajuda da reflexão do Missionário Redentorista, Pe. Lucas Emanuel, C.Ss.R..

O Jejum na cultura do excesso

“Falar de jejum e penitência na modernidade pode até soar um pouco estranho. Porque nós vivemos numa cultura do imediato, do consumo rápido, da satisfação constante e justamente por isso, o jejum parece que não é necessário, porque está tudo induzindo ao contrário,” afirmou Padre Lucas.

É preciso entender que o jejum não é só deixar de comer algo, mas também é possível reduzir exageros do dia a dia, como tempo nas redes sociais, compras desnecessárias ou hábitos que nos distraem da espiritualidade.

Jejum não é apenas deixar de comer, é aprender a dizer não para aquilo que nos domina. Então é aprender a dominar-se. A penitência não é castigo, mas é caminho de liberdade, você aprende a viver além daquilo que é só viver de vontades”, explicou o missionário redentorista.

A penitência também precisa ser compreendida e aplicada em nossa atualidade. Como por exemplo, além de renunciar a algo, ela pode ser transferida para fazer o bem: ajudar quem precisa, agir com mais paciência, rezar mais do que o “habitual”, cuidar melhor das relações e até no cuidado com a Casa Comum.

Quando silenciamos o excesso, a gente abre espaço para que Deus possa falar, então precisamos de penitência que transforma em hábitos. Penitência cristã precisa gerar uma mudança concreta, mudança de atitudes e coisas simples. Substituir o tempo de tela por tempo de oração, por exemplo, trocar uma refeição simples por um gesto concreto de caridade, reduzir consumos supérfluos e ajudar alguém que esteja passando por alguma necessidade, praticar o jejum da palavra dura. Escolher responder com mansidão, não só devolver como recebeu ou criticar, só porque tem uma opinião diferente,” pontuou o Padre Lucas.

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Substituir para transformar: o sentido da penitência hoje

No tempo da Quaresma, essas práticas servem como um convite para parar, refletir e reorganizar a vida. Em meio à correria da modernidade, o jejum e a penitência nos ajudam a fortalecer nossa fé e nos aproximar de Deus.

“Então, em um mundo hiperconectado e acelerado como nós vivemos, jejuar é recuperar o controle do coração, o controle das nossas ações. Um jejum na era digital, talvez mais urgente, não seja assim fazer um jejum de alimento, mas das distrações. Jejum de redes sociais por algumas horas ou dias da semana, jejum de notícias excessivas que geram muita ansiedade em muita gente, jejum de críticas e reclamações.”

O Padre ainda nos ajuda a compreender o jejum e a penitência de uma forma leve, não ver como “perda”, mas sim, como “substituição” para coisas melhores.

“Então tem que ser coisas assim, coisas que mudem a vida, as atitudes. Não basta tirar algo, é preciso colocar algo melhor no lugar. Se jejuarmos das redes sociais, vamos então nos preencher com leituras que vão contribuir com o nosso ser, leituras da Palavra, pegando aí o Evangelho do dia, de repente todos os dias, fazendo seu momento de meditação ou as leituras, o que melhor te falar ao coração naquele momento.”

Dar significado real ao nosso jejum e penitência nos ajuda a vivenciar de forma ainda mais completa a Quaresma e a conversão em nossas vidas.

Se jejuarmos de consumo, vamos assim nos preencher de generosidade. Se jejuarmos de alimento, vamos oferecer esse esforço pela conversão pessoal de cada um de nós, pela Igreja, pela sociedade, enfim, o verdadeiro jejum nos educa para o amor, ele nos ensina que não devemos apenas deixar de consumir, mas nos ensina de fato a partilhar”, disse o missionário redentorista.

Padre Lucas ainda nos inspira a não viver de forma superficial a nossa fé, não vivermos de consumismo, mas realmente viver em um caminho sinodal, fortalecendo nossa espiritualidade.

“Não vivermos apenas de consumismos, mas daquilo que partilhamos, pois a vida partilhada diz muito. Na modernidade, o maior jejum talvez seja este. Aprender a viver com menos, para amar mais, para ser mais. Então que nós possamos encontrar esse caminho de partilha, de amor, de solidariedade, nesse mundo que nos pede tanta rapidez.”

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