O Santo Padre, Papa Leão XIV, visitará Lampedusa, no sul da Itália, neste sábado, 4 de julho.
Pequena no mapa, a ilha ocupa um lugar imenso na consciência da Europa. Há anos, recebe homens, mulheres e crianças que atravessam o Mediterrâneo em embarcações frágeis, fugindo da fome, da guerra, da perseguição ou da falta de futuro.
A visita será breve, mas o roteiro fala por si. Antes da Santa Missa, o Papa fará uma parada privada no cemitério, diante dos túmulos de migrantes que morreram no mar. Entre eles está o pequeno Yusuf, criança sepultada na ilha. O gesto silencioso recorda que a Igreja começa rezando por quem não teve despedida.
Depois, Leão XIV seguirá para a Porta da Europa, monumento dedicado às vítimas das travessias, e passará pelo Cais Favarolo, onde desembarcam muitos dos migrantes resgatados no Mediterrâneo. Ali, encontrará uma delegação de migrantes.
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Para Dom Alessandro Damiano, arcebispo metropolitano de Agrigento, a visita tem a forma de um “percurso espiritual”: começa na comunhão com os mortos e sobreviventes, passa pelos lugares de memória e chegada, e termina com a celebração da Eucaristia no estádio local, junto da comunidade de Lampedusa.
A presença do Papa também retoma uma página marcante do pontificado de Francisco. Foi em Lampedusa, em 2013, que ele realizou sua primeira viagem apostólica e denunciou a “globalização da indiferença” diante da morte de migrantes no mar.
Papa Francisco em sua visita a Lampedusa, em 2013, logo que assumiu o ministério petrino
Agora, Leão XIV volta a colocar Lampedusa diante dos olhos da Europa. Segundo Dom Damiano, será uma mensagem “não gritada, mas vivida”. O Papa vai à ilha para tocar uma ferida concreta, onde política, economia e fé se encontram.
O arcebispo também chamou atenção para a chamada “remigração”, afirmando que essa lógica “vai contra o Evangelho”. Para ele, quando os governos olham os migrantes apenas pela ótica da segurança, deixam em segundo plano aquilo que a fé cristã não permite esquecer: a dignidade humana.
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Em Lampedusa, essa dignidade aparece em gestos simples e necessários. Dom Damiano recordou o trabalho da Igreja, da comunidade local e de voluntários que procuram “humanizar” os desembarques: oferecer água, um chá quente e, sobretudo, olhar nos olhos de quem acabou de chegar.
Esse olhar recorda as palavras de Jesus: “Eu era estrangeiro e vocês me acolheram” (cf. Mateus 25,35). Para a fé cristã, o migrante não é uma estatística ou uma ameaça distante. É uma pessoa com medo, saudade, perdas e esperança de recomeçar.
A expectativa pela visita também é sentida por quem vive há décadas o drama da ilha.
O médico Pietro Bartolo, que atuou em Lampedusa entre 1992 e 2019 e hoje coordena a Rede Lampedusa, espera a chegada do Papa com confiança.
Para ele, a visita é um reconhecimento à ilha e um apelo para que não haja mais mortes no mar.
A Rede Lampedusa reúne associações, movimentos e cooperativas que atuam com migração e cuidado de pessoas vulneráveis, oferecendo proteção, assistência, formação e caminhos mais seguros para quem chega à Europa.
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Lampedusa conhece a dureza das chegadas, o peso dos naufrágios e o cansaço de acolher com estruturas limitadas. Por isso, a visita de Leão XIV tem força pastoral: o Papa vai a uma periferia geográfica que se tornou centro moral do nosso tempo.
Para os católicos, a viagem é também um chamado à consciência. O tema da migração pode parecer distante de algumas realidades brasileiras, mas a pergunta do Evangelho permanece a mesma: como tratamos quem chega cansado, deslocado, sem proteção e sem voz?
Leão XIV recorda que a vida humana não pode naufragar na indiferença.
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Fonte: Vatican News
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