Maio, mês das mães, reacende debates sobre cuidado, vínculos e responsabilidade social. Nesse contexto, o livro “Empatia: da teoria à prática”, publicado pela Editora Ideias & Letras, propõe um olhar científico e acessível sobre uma habilidade decisiva para a convivência humana: a empatia.
Assinada por Leonardo Rodrigues Sampaio, doutor em Psicologia Cognitiva pela UFPE e professor da UFCG, a obra reúne pesquisas da Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia Social e Neurociências. O objetivo é transformar conhecimento acadêmico em prática cotidiana.
Segundo o autor, “a empatia tem um indispensável papel social, dado seu potencial para reduzir a agressividade predadora, a intolerância, indiferença, discriminação e outras formas de violência”.
No ambiente familiar, esse potencial se torna ainda mais evidente. A maternidade exige leitura constante das emoções, pois a mãe interpreta choros, gestos e silêncios antes mesmo de a criança dominar a linguagem.
Estudos acumulados nas últimas décadas indicam que o desenvolvimento da empatia está associado ao aumento do comportamento cooperativo, à formação de vínculos afetivos positivos e à redução da agressividade e de condutas antissociais. Pesquisas também apontam maior disposição para ajudar pessoas em situação de risco e maior compromisso com princípios éticos universais.
Sampaio alerta que “a empatia não é uma ‘varinha mágica’ que, por si só, irá resolver as mazelas da humanidade”. Para que produza efeitos duradouros, precisa caminhar junto com a educação moral.
Ele explica que os adultos devem atuar como mediadores. Cabe a eles oferecer explicações sobre regras, costumes e limites. Esse processo ajuda crianças e adolescentes a compreenderem seu papel na vida em comunidade.
No Brasil, a empatia está prevista como competência geral na Base Nacional Comum Curricular. O documento orienta que escolas promovam habilidades socioemocionais desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Ainda assim, muitas famílias e instituições priorizam apenas desempenho cognitivo.
Pesquisas citadas na obra mostram que fatores como nível socioeconômico, escolaridade materna e histórico familiar influenciam concepções sobre desenvolvimento infantil. Estudos indicam correlação entre maior escolaridade das mães e maior conhecimento sobre fases do desenvolvimento.
Outros levantamentos apontam que mães de contextos socioeconômicos mais vulneráveis tendem a subestimar capacidades cognitivas precoces, como compreensão da linguagem nos primeiros anos de vida. Essas percepções impactam práticas de cuidado e estímulos oferecidos às crianças.
Esses dados reforçam a importância de políticas públicas e formações continuadas que apoiem mães em diferentes realidades.
Empatia com mães atípicas
Em maio, também ganha destaque a realidade das mães atípicas, aquelas que cuidam de filhos com deficiência, transtornos do desenvolvimento ou condições crônicas. A rotina inclui consultas frequentes, adaptações escolares e enfrentamento de preconceitos.
Exercitar empatia nesse contexto exige escuta ativa. Perguntar antes de julgar. Oferecer ajuda concreta. Respeitar limites emocionais.
Sampaio destaca que “o corpo social que somos precisa respirar empatia para ter saúde mental e relacional, sendo urgente estimular o desenvolvimento dessa habilidade nas novas gerações”. A frase dialoga diretamente com a maternidade atípica, onde a rede de apoio faz diferença real.
O livro propõe reflexões ao fim de cada capítulo. Adaptados ao contexto materno, alguns exercícios incluem:
• Perguntar: o que essa mãe pode estar sentindo nesta situação?
• Evitar comparações entre rotinas familiares.
• Praticar escuta sem interromper.
• Reconhecer esforços invisíveis do cuidado diário.
• Ensinar crianças a considerar o ponto de vista do outro.
Como resume o autor, o livro nasce do desejo de compartilhar, “de uma forma acessível e didática”, conhecimentos que ajudem pais, educadores e profissionais da saúde a intervir positivamente no desenvolvimento infantil.
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