No dia 1 de setembro de 1939, numa operação relâmpago a Alemanha invadiu a Polónia dando início à II Guerra Mundial. A Europa e o mundo se dividiram em dois blocos, de um lado os aliados encabeçados pela Inglaterra e França e do outro os países do chamado “Eixo”, encabeçados pela Alemanha nazista, pela Itália fascista e depois pelo Imperial Japão.
O conflito foi se expandindo, novos países se envolveram e até o final da guerra em 1945, cerca de 110 países estavam, direta ou indiretamente envolvidos no conflito.
A Segunda Guerra foi o mais mortal conflito de todos os tempos provocando mais de 55 milhões de mortos e imensa destruição. Durante seis anos registaram-se batalhas em todos os continentes.
O surpreendente é que alguns países conseguiram se manter às margens do conflito, assumindo uma posição neutral. Entre eles estava Portugal que assumiu uma “neutralidade flutuante” que se adaptou às necessidades em cada momento do conflito.
Razões da neutralidade
Portugal não foi atacado, sobretudo, por causa da “Política de Neutralidade”. O país que era governado pelo Ditador António de Oliveira Salazar e que se manteve no poder até os anos de 1970, era neutro, mas favorável aos aliados.
Alguns fatores explicam sua posição de neutralidade, mesmo no período mais tenso da guerra em que a “Europa pegava fogo”. Devido a antiga aliança que tinha com a Inglaterra desde os tempos coloniais havia uma maior garantia de apoio diplomático e de uma postura de "amigo" para os aliados, mesmo sendo neutro.
Ajudava também sua proximidade da Espanha governada pela ditadura do General Francisco Franco. Espanha e Portugal gozavam de uma estratégia posição geográfica e isso fez com que os dois países se tornassem um ponto de negociação e espionagem, evoluindo para uma "neutralidade colaborante" com os aliados, especialmente com o uso dos Açores e Cabo Verde que foram abertos aos aliados em 18 de agosto de 1943, após longas negociações, quando já se antevia a derrota alemã.
Moeda de Francisco Franco
Um acordo secreto concedia facilidades militares aos ingleses e americanos que se comprometeram a ajudar na recuperação do Timor Leste que tinha sido ocupado pelos australianos (1941) e depois pelos japoneses (1942). Com o fim da guerra a possessão foi restituída à soberania portuguesa e o Timor só se tornaria independente nos primeiros anos da década de 1990. Os Aliados precisavam dos Açores como apoio para a Batalha do Atlântico.
A neutralidade permitiu que Portugal negociasse com ambos os lados, vendendo minérios e se tornando um centro de espionagem, o que era valioso para os dois blocos de potências. Sua capacidade militar e poderio bélico de Portugal eram insignificantes e boa parte de suas forças militares estavam dispersas nas colônias, e pouco perigo poderia representar. Mas pela sua posição, a Península Ibérica era um local delicado onde invasões poderiam complicar a guerra para todos, sendo que isso também favoreceu a diplomacia.
A posição atlântica tornava Portugal bastante vulnerável a invasões caso tomasse partido, um risco que Salazar preferiu evitar, buscando um equilíbrio.
Deste modo, Portugal manteve uma postura ambígua, enquanto negociava e cedia concessões pontuais para um dos lados, conforme o curso da guerra mudava a seu favor.
Foi um grande negócio permanecer fora da guerra, numa situação de "aliado não ativo" porque a então fraca, dependente e pouco industrializada economia portuguesa pouco sofreu, continuando a adquirir os produtos necessários, excetuando o carvão dos ingleses, cujo fornecimento foi suspenso.
Vantagens da neutralidade
A gestão da neutralidade feita por Portugal lhe trouxe benefícios ao final do conflito, como o benefício da paz sem ter que pagar o preço da guerra, pois ao final a Europa estava em frangalhos com sua infraestrutura destruída.
O bloco ibérico foi o contrapeso utilizado nas relações com a Inglaterra conduzidas de tal forma que a aliança saiu reforçada e a independência portuguesa foi reconhecida tanto pela Inglaterra como pela Espanha.
Portugal foi uma zona de paz num mundo em conflito servindo de refúgio a foragidos de várias proveniências, inclusive a judeus que fugiam do holocausto.
O fim do conflito representou na Europa Ocidental, do ponto de vista político, o triunfo das democracias e a condenação dos totalitarismos. Em Portugal, embora muitos reconhecessem a ação do ditador Salazar, começou-se a pensar na oportunidade de mudança. A reabilitação das democracias levou um expressivo setor da opinião a desejar o regresso a uma forma de governo baseada na representação parlamentar. Apesar dos esforços da oposição contra o governo ditatorial, Salazar conseguiu manter o seu poder por mais de 03 décadas.
Grupo de migrantes em direção a Europa Ocidental
A neutralidade colaborador da Igreja
Outros países, como a Suíça, a exemplo de Portugal, conseguiram manter a neutralidade na guerra, uns, a exemplo de Portugal tinham colônias no exterior, outros tinham maior poder econômico. A Espanha que havia acabado de passar pela Guerra Civil (1936-1939) na qual outros países também se envolveram também conseguiu manter sua posição de neutralidade, mesmo tendo recebido apoio da Alemanha em sua guerra interna.
Alguns países neutros a exemplo da Suécia não tomaram partido oficialmente, na esperança de evitar ataques, no entanto, ajudaram os aliados fornecendo “brigadas voluntárias" que chegaram a participar de combates.
Devido a uma cláusula do Tratado de Latrão assinado em 1929 com a Itália, o Papa também se manteve numa posição de “neutralidade colaborante”, até porque não dispunha de forças que pudessem fazer frente a uma possível invasão de seu território.
Além de oferecer abrigo para milhares de pessoas atingidas pelos bombardeios em Castelgandolfo ou na Casa santa Marta, de Roma, o Papa utilizou seus canais diplomáticos e as boas relações que tinha com a Suíça e Portugal para conseguir junto ao presidente dos Estados Unidos que depois agiu junto aos demais países aliados, que Roma fosse declarada como “Cidade aberta”, não sofrendo bombardeios e ataques o que, além de livrar a vida de milhares de pessoas, também trouxe a preservação do imenso patrimônio religioso, artístico e cultural espalhado por toda a cidade.
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