A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) chega ao seu quinto dia de debates em Belém (PA) com avanços importantes tanto no campo dos acordos internacionais quanto na participação da Igreja Católica, especialmente através dos cardeais do Sul Global, que reforçam sua presença e articulação junto à sociedade civil na Cúpula dos Povos.
Enquanto o dia oficial da COP concentra-se em temas como biocombustíveis, energia e políticas de transição, o noticiário foi marcado por dois desdobramentos principais: a assinatura de um pacto internacional para enfrentar a desinformação climática e o fortalecimento do diálogo da Igreja com organizações sociais, pastorais e comunidades que participam da mobilização paralela à conferência.
Uma das novidades mais relevantes é o anúncio do pacto global sobre informação climática, firmado por mais de dez países — entre eles Brasil, França, Alemanha e Canadá. O acordo surge como reação direta ao aumento de fake news e dados manipulados que têm influenciado negativamente a percepção pública sobre as mudanças climáticas e enfraquecido a confiança em ações ambientais urgentes.
O compromisso firmado pelos países prevê o fortalecimento da produção e divulgação de dados confiáveis, a ampliação do acesso a informações baseadas na ciência e ações coordenadas para barrar campanhas de fake news que impactam políticas públicas e acordos multilaterais.
Paralelamente à COP30, acontece a Cúpula dos Povos, realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA), reunindo movimentos sociais, pastorais sociais, sindicatos, ONGs, associações e grupos da sociedade civil que apresentam propostas populares para enfrentar a crise socioambiental. O espaço acolhe também uma feira de produtos agroecológicos e iniciativas de bioeconomia desenvolvidas por comunidades locais.
Neste contexto, os cardeais do Sul Global — entre eles o Cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB — realizaram uma visita aos espaços da Cúpula. A presença dos líderes reafirma o compromisso da Igreja com o diálogo direto e a colaboração com quem vive cotidianamente os impactos da crise climática e socioambiental, reforçando a dimensão pastoral, profética e solidária que a Igreja apresenta na COP30.
Segundo os cardeais, aproximar-se das iniciativas populares é essencial para “escutar o território”, conhecer as realidades locais e fortalecer a participação da sociedade civil na construção de soluções reais para a casa comum.
A atuação dos cardeais se articula com a entrega do documento “Um chamado por justiça climática e a casa comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”, redigido pelos episcopados do Sul Global e entregue à ONU (UNFCCC).
Os cardeais lembram que a crise climática é também uma crise moral e espiritual, e que a conversão ecológica proposta pela Doutrina Social da Igreja e pela Laudato Si’ exige mudanças culturais, econômicas e políticas, não apenas tecnológicas.
Além da entrega do documento e das visitas à Cúpula dos Povos, a presença da Igreja nesta COP reforça um duplo movimento: a incidência nas arenas formais de negociação e a articulação com as bases populares para construir respostas que sejam, ao mesmo tempo, científicas, justas e humanas.
Fonte: Camila Morais/ TV Aparecida e CNBB
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