Tudo começou há 125 anos. Nascia em Aparecida um sonho impresso em papel, criado por missionários redentoristas, em 10 de novembro de 1900.
O Jornal Santuário tem levado, ao longo de 5.901 edições, a devoção a Nossa Senhora Aparecida para além dos muros do Santuário e das gerações, sendo o periódico católico mais antigo em circulação no Brasil.
No ano em que foi lançado, ainda ecoava na memória do país o tempo dos imperadores. Fazia apenas onze anos que o Brasil havia deixado de ter um imperador e a República tinha sido instaurada. Não havia muitos carros circulando e o transporte era, em sua maioria, a cavalo. O rádio ainda não existia e o futebol sequer havia se popularizado.
Naquele tempo, a cidade de Aparecida era marcada apenas pela presença da Basílica Histórica. Isso mostra que, desde aquele período, o jornal já era um instrumento de acolhida para aqueles que estavam longe da Casa da Mãe.
Em entrevista ao A12, o coordenador editorial do jornal, Victor Hugo Barros, recordou os primeiros passos do Jornal Santuário. A iniciativa nasceu do missionário redentorista Padre Gebardo Wiggermann, C.Ss.R., que acreditava ser essencial que o Santuário de Aparecida tivesse um meio de comunicação próprio, um jornal que servisse como instrumento de evangelização e propagasse a devoção à Mãe Aparecida por todo o país.
O primeiro responsável pela direção do periódico foi o Padre Antônio Kammerer, C.Ss.R., que deu forma e constância ao projeto ousado e pioneiro de publicar um jornal, quando apenas cerca de 10% da população do Brasil era alfabetizada.
Já a primeira edição do Jornal Santuário trazia informações sobre a rotina e as celebrações do então Episcopal Santuário de Nossa Senhora Aparecida. E tudo isso em um cenário desafiador. Em tempos em que ainda não existiam o rádio nem a televisão e a internet, sequer em sonho, o jornal foi esse instrumento profundo de ligação da Casa da Mãe Aparecida com os devotos.
Ao longo dos anos, o jornal foi sendo adaptado, ganhando novos formatos e novas linguagens. Alguns dos grandes feitos do Jornal Santuário foram durante o período do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), onde, por exemplo, havia a publicação das partes do novo rito da missa, que passou a ser rezada em português.
Quando os primeiros Redentoristas chegaram a Aparecida, em outubro de 1894, eles não sabiam falar português, pois eram originários da Baviera. Celebravam em latim, como era vigente na época, mas não conseguiam se comunicar com o povo por meio da fala. Desta forma, inspirados por Santo Afonso Maria de Ligório, os Missionários Redentoristas utilizaram a imprensa, já em 1900, como meio para levar adiante a missão de evangelizar.
“Os redentoristas viram no jornal a possibilidade de ser um instrumento de contato com os peregrinos da Senhora Aparecida e com as pessoas da região. Desta maneira, nasce a face evangelizadora do Jornal Santuário”, afirmou o coordenador editorial.
O leitor, de modo geral, tem mudado muito ao longo do tempo. Hoje, a mesma pessoa que lê o impresso também consome o rádio, a televisão e a internet.
Tudo isso, de certa forma, disputa a atenção do público. O Jornal Santuário tem se adaptado não apenas a essa nova realidade, seja por meio de mudanças editoriais e de design, seja pela transformação do próprio perfil de seus leitores.
Desde 2020, o Jornal Santuário é editado pelo Santuário Nacional, em parceria com os Missionários Redentoristas, consolidando-se como um grande guia de visitação e um instrumento de evangelização contemporâneo.
Entregue gratuitamente aos peregrinos que vêm à Casa da Mãe, o Jornal Santuário não possui, atualmente, um sistema de assinaturas. A publicação conta hoje com mais de 20 mil exemplares impressos todos os meses.
No jornal, o leitor encontra o que acontece no Santuário Nacional, também a mensagem do Santo Padre dos Missionários Redentoristas, um pouco das atividades religiosas, a oportunidade dele de saber os momentos de confissão, os momentos da piedade popular, como a Hora Mariana e a Consagração. E, também, a participação na Santa Missa, evidenciada pelos horários de celebração.
“Neste Ano Jubilar, buscamos fazer com que as pessoas também possam receber a grande graça das indulgências. Desde o início do ano, o Jornal Santuário traz um box especial, orientando os fiéis sobre como obter a Indulgência do Ano Santo”, afirma o coordenador editorial do Jornal.
No Jornal Santuário, o romeiro encontra não apenas um guia, mas também um companheiro de caminhada. O jornal pode ser retirado gratuitamente em diversos pontos de acolhida do Santuário Nacional.
Embora no período da criação do jornal apenas 10% da população brasileira fosse alfabetizada, eram essas pessoas que ajudavam a moldar o pensamento da sociedade. Por isso, os Missionários Redentoristas compreenderam que, se levassem a Palavra de Deus também a esse público, utilizando-se de um meio moderno, como eram os jornais na época, poderiam alcançar ainda mais corações com o anúncio do Evangelho.
Hoje, o desafio permanece o mesmo: evangelizar. Mas os púlpitos são outros, em meios digitais, audiovisuais e conectados, sem perder a essência e a profundidade que o Jornal Santuário sempre ofereceu.
“Quando o peregrino chega ao Santuário Nacional, em busca de seu encontro com Deus pelas mãos da Senhora Aparecida, ele encontra no Jornal Santuário não apenas um guia de visitação, mas também um companheiro de fé. Por meio dele, pode crescer na esperança, na caridade e na certeza do amor de Deus e da acolhida materna de Nossa Senhora”, afirmou o coordenador do Jornal.
Este é o compromisso que vive há 125 anos: manter acesa a mesma chama dos primeiros missionários redentoristas, fundadores do Jornal Santuário, para que a mensagem do Evangelho continue chegando ao coração das pessoas.
“Que Deus nos conceda a graça de continuar essa missão por muitos e muitos anos, proclamando a realeza de Cristo e as glórias de Sua Santa Mãe”, concluiu Victor Hugo Barros.
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Fonte: Família dos Devotos/ Missionários Redentoristas
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