O Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP), celebrou neste domingo (25), a missa solene em honra a Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil. A celebração foi presidida por Dom Mário Antonio da Silva, arcebispo de Aparecida, e integrou a programação da Novena e Festa de Frei Galvão 2026. A homilia destacou o amor a Deus e ao próximo, a atenção aos mais necessitados e o compromisso de reconstruir a vida a partir do Evangelho.
A celebração contou com a participação de Dom Frei Luiz Flávio Cappio, OFM, bispo emérito da Diocese de Barra (BA), Frei Diego Melo, OFM, reitor do Santuário Frei Galvão, Pe. Renan Pereira, reitor do Seminário Bom Jesus e demais frades franciscanos.
Neste ano, a festa tem como tema “Vai e Reconstrói! Com Frei Galvão, edificando vidas e moradas”. A proposta convida os devotos a refletir sobre a reconstrução dos vínculos, a dignidade humana e a esperança, à luz da espiritualidade franciscana.
Conheça o Hino da Festa de São Frei Galvão deste ano
Durante a homilia, Dom Mário partiu das leituras bíblicas do dia para refletir sobre o principal mandamento apresentado por Jesus: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
O arcebispo recordou o episódio do Evangelho (Mt 22,34-40) em que os fariseus questionam Jesus sobre qual seria o maior mandamento da Lei. Na resposta, Cristo apresenta o amor como fundamento da vida cristã e destaca a importância de colocar esse ensinamento em prática.
Ao abordar a passagem, Dom Mário ressaltou que a fé exige atitudes concretas no cotidiano. Para ele, os mandamentos precisam orientar as escolhas e as relações humanas.
“Por isso Jesus responde num primeiro momento: o primeiro mandamento é amar a Deus em primeiro lugar, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua sabedoria, com todo o entendimento, com toda a inteligência, ou seja, com todo o teu ser.”
O arcebispo também relacionou essa mensagem aos nove dias de preparação para a festa. Ao recordar alguns dos verbos trabalhados durante a novena, como “confiar, transformar, dignificar, servir, discernir e frutificar”, ele destacou que essas atitudes encontram sentido pleno quando orientadas pelo amor.
“De nada adianta confiar, frutificar e servir se fazemos isso sem amor. Assim desmorona tudo, não vai se sustentar nada.”
Segundo Dom Mário, a devoção a Frei Galvão deve levar os fiéis a traduzir a fé em ações diárias, em vez de deixar o compromisso cristão restrito à memória do passado ou às intenções futuras.
Quem é São Frei Galvão para você?
O tema da festa deste ano também esteve no centro da homilia. Ao relacionar a trajetória de Frei Galvão à imagem da construção, Dom Mário recordou o trabalho do santo na edificação de igrejas e do Mosteiro da Luz, em São Paulo.
“Que Frei Galvão, que entende de construção, que fez alicerce, levantou paredes e cobriu casas, igrejas e o Mosteiro da Luz nos ajude a nos edificarmos, mais do que nos tijolos de barro, nos tijolos do Evangelho, nos verbos que Jesus nos ensina, nos mandamentos e especialmente esses dois que Jesus nos coloca hoje.”
O tema escolhido para a festa também dialoga com os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, celebrados em 2026, e com a Campanha da Fraternidade deste ano, dedicada à questão da moradia. A proposta amplia o sentido da reconstrução para incluir o cuidado com as pessoas, a restauração de relações e a defesa da dignidade humana.
Dom Mário recordou ainda o chamado atribuído a São Francisco para reconstruir a Igreja e aplicou essa mensagem à responsabilidade de cada cristão.
“Reconstrói a minha igreja, reconstrói a vida, reconstrói a comunidade e esse apelo é para você, para mim, para cada um de nós.”
Na sequência, o arcebispo enfatizou que a devoção ao santo precisa estar ligada à construção de relações fraternas e à promoção do bem. A santidade, nessa perspectiva, passa pela disposição de reparar aquilo que foi ferido e contribuir para a vida comunitária.
“Não combina com um devoto de Frei Galvão sair destruindo e chutando tudo, mas sim reconstruir. Quem reconstrói não destrói, não elimina, é uma dinâmica da santidade que hoje nosso padroeiro nos ensina.”
Outro ponto da homilia foi a relação entre o amor ao próximo e o cuidado com as pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao comentar a Primeira Leitura (Ex 22,20-26), Dom Mário recordou a orientação bíblica de não maltratar migrantes, viúvas e órfãos.
O arcebispo explicou que essas figuras representam, na tradição bíblica, grupos que precisam de proteção e amparo. A mensagem, segundo a reflexão apresentada, continua atual e interpela os cristãos em suas relações familiares, profissionais e comunitárias.
“Se queremos ser cristãos sérios, não podemos maltratar migrantes, nem ignorar pobres, órfãos ou viúvas na nossa vida, no nosso trabalho e na nossa missão.”
A homilia também abordou a responsabilidade da Igreja diante das pessoas sem moradia digna e das famílias que enfrentam dificuldades para garantir condições básicas de vida. Dom Mário relacionou essa missão ao exemplo de São Francisco de Assis e de Frei Galvão, apresentados como referências de caridade e compromisso com os necessitados.
Ao relacionar a festa à prática do Evangelho, o arcebispo destacou a importância de transformar a devoção em gestos de solidariedade.
“Se queremos que essa festa de Frei Galvão alegre o coração dele e o coração de Deus, amemo-nos uns aos outros como Jesus nos ama e não ignoremos os mais necessitados.”
Durante a celebração, Dom Mário também recordou sua participação na beatificação de Frei Galvão, realizada em 25 de outubro de 1998. O arcebispo compartilhou a lembrança ao falar sobre o caminho de santidade proposto a todos os cristãos.
“Jamais pensava que estaria aqui neste santuário como arcebispo de Aparecida, acho que foi uma semente de Deus e de Frei Galvão na minha vida. E eu estou na fila para ser mais um santo, você também está na fila?”
Durante a homilia, Dom Mário também abordou a responsabilidade dos cristãos na vida pública. Ao mencionar as eleições realizadas hoje no mesmo Dia da Democracia, o arcebispo destacou a importância de escolher representantes comprometidos com a justiça social, a dignidade humana e o cuidado com os mais vulneráveis.
“Queremos um Brasil mais justo e fraterno, um Brasil que promova a vida e a dignidade de todos, a começar pelos mais necessitados”, afirmou.
O arcebispo também ressaltou que os responsáveis pelos poderes Executivo e Legislativo devem agir com sabedoria, respeito e compromisso com a população.
Ao relacionar essa reflexão à mensagem de Frei Galvão, Dom Mário reforçou que a construção de uma sociedade mais fraterna exige atitudes que promovam a paz, evitem a exclusão e não deixem ninguém para trás, em um horizonte de paz e bem.
A programação do dia da Festa de Frei Galvão inclui celebrações eucarísticas ao longo do dia e a tradicional Procissão Luminosa, prevista para as 18h com a missa de encerramento às 19h. A festa também conta com apresentações musicais e atividades culturais.
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