O Museu das Amazônias, em Belém (PA), recebeu uma nova peça simbólica durante a COP30, uma rede usada no Sínodo para a Amazônia, realizado em 2019 no Vaticano. A entrega foi acompanhada por um vídeo do Papa Leão XIV direcionado às Igrejas do Sul Global.
O Pontífice iniciou sua mensagem saudando os cardeais Jaime Spengler, Fridolin Ambongo e Felipe Neri Ferrão, representantes dessas Igrejas na conferência climática da ONU. Segundo o Santo Padre, eles estão “dizendo ao mundo com palavras e gestos que a Amazônia continua sendo um sinal vivo da criação com uma urgente necessidade de cuidado”.
Leão XIV reconheceu o esforço das Igrejas do Sul Global. Ele afirmou que elas “escolheram a esperança e a ação frente à desesperação, construindo uma comunidade global que trabalha em conjunto”. Porém, ressaltou que “tem se alcançado avanços, mas não suficientes”.
O Papa fez um apelo para que a “esperança e a determinação devem se renovar, não só com palavras e aspirações, mas também com ações concretas”.
O Santo Padre alertou para os efeitos já visíveis da crise climática. Ele mencionou “enchentes, secas, tormentas e um calor implacável”, que afetam populações inteiras. Hoje, “uma em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade em consequência dessas mudanças”.
Diante desse cenário, ele reforçou: “para eles, a mudança climática não é uma ameaça distante. Ignorar essas pessoas é negar nossa humanidade compartilhada”.
Leão XIV lembrou que ainda é possível limitar o aquecimento global. “Ainda há tempo para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 °C, mas a janela está se fechando”, afirmou. Para ele, os cristãos são chamados a agir “com rapidez, fé e profecia”.
O Papa reforçou a importância das metas firmadas no Acordo de Paris. Segundo ele, “o Acordo de Paris tem impulsionado um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta”.
E fez o alerta: “não é o Acordo que está falhando, senão nossa resposta. O que está falhando é a vontade política de alguns”.
Ele destacou ainda que liderança verdadeira exige compromisso real. “Ações climáticas mais contundentes criarão sistemas econômicos mais sólidos e justos. Medidas políticas e climáticas firmes constroem uma inversão em um mundo mais justo e estável”.
Leão XIV também reafirmou o papel espiritual das nações: “junto com cientistas, lideranças e pastores de todas as nações e credos, somos guardiões da criação, não rivais por seus bens”. E pediu que “nações que permanecem unidas na firme solidariedade com o Acordo de Paris e a cooperação climática”.
Por fim, deixou uma oração e um desejo: que “este Museu Amazônico seja recordado como o espaço onde a humanidade escolheu a cooperação frente à divisão e a negação”. E completou: “Deus abençoe a todos em seus esforços por seguir cuidando a criação de Deus”.
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