Por Elisangela Cavalheiro Em Opinião Atualizada em 17 OUT 2018 - 08H59

Meu primeiro Círio de Nazaré

Gustavo Cabral.
Gustavo Cabral.
Devotos diante da Imagem original após descida no Círio 2018.

Quando a gente chega em Belém, todo mundo pergunta: “É seu primeiro Círio?” Se a resposta for sim, todos vão dizer que o Círio de Nazaré não se explica, se vive! - o que é a mais pura verdade.

O Círio de Nazaré é a maior manifestação católica do Brasil e está entre as mais simbólicas do mundo. O título se deve aos mais de dois milhões de pessoas que se encontram para a grande celebração, que ocorre sempre no segundo domingo de outubro.

Mas os números só evidenciam uma realidade: a devoção do povo paraense. Eles são os que mais acorrem à Virgem de Nazaré em sua festa. A devoção do povo paraense é tamanha que a gente não consegue explicar. É possível apenas descrever o que se vê.

Visitando a cidade durante os seis dias que antecedem a grande festa no domingo, dá pra ter uma noção de como a capital se transforma para o Círio. Praticamente, a cidade para. Todos os olhares se voltam para a festa, que acontece na Basílica Santuário e na Catedral de Belém, na Cidade Velha. Mas esses são apenas pontos referenciais das duas grandes procissões dessa festa, já que a peregrinação passa por diversas regiões e, nesses espaços, se agrupam os milhões de devotos.

A Trasladação, que acontece no sábado, reúne mais de um milhão de pessoas na procissão que leva a Imagem Peregrina de Nazaré da Basílica para a Catedral. Esse é o percurso que recorda o encontro da Imagem pelo caboclo Plácido (e essa é outra parte da história), e quando ele a leva para a sua casa ou o Palácio do Governo, nas tentativas frustradas que teve de tirar a imagem do Igarapé Murucutu. Nessa procissão, é grande a presença da juventude “promesseira”. É emocionante ouvir os pedidos que eles carregam. Eles vêm descalços para agradecer a cura da mãe, o livramento de um irmão de um acidente, ou mesmo pedir uma vida melhor por meio dos estudos.

Os “promesseiros” são os que vão junto à corda ou seguem a procissão. Eles começam a se juntar horas antes da saída para conquistar um espaço junto à corda de 400 metros.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Já no domingo, a procissão principal, o Círio propriamente dito, reúne novamente os devotos e outros promesseiros, e outra corda com o mesmo tamanho é disputada. Essa é a procissão que reúne os mais de dois milhões de devotos. A caminhada de retorno da Catedral para a Basílica revive o desejo da Imagem de permanecer às margens do igarapé, nas proximidades da atual Basílica Santuário.

Em ambas as procissões a gente vê o grande número de pessoas que carregam suas ofertas na cabeça, em agradecimento ou em forma de pedido à Virgem de Nazaré. São principalmente peças feitas de cera, lembrando uma cura ou um pedido, mas tem também as casas coloridas e enfeitadas. É tocante perceber que o povo pede uma casa digna, uma cura ou aquele filho tão esperado.

:: Arcebispo de Belém explica tema do Círio de Nazaré 2018

São procissões que envolvem, muitas vezes, sacrifícios extremos. Em um percurso de quase quatro quilômetros, muitos vão de joelhos. Os que chegam à Basílica não tem mais nenhum peso sobre seu corpo, sentem-se no dever cumprido. Olham para o céu, batem no peito, rezam em silêncio e choram. É impossível ficar indiferente diante de tamanha demonstração de fé. Alguns dizem que Nossa Senhora não precisa desse sacrifício, mas eles fazem mesmo assim, porque querem agradecer imensamente o pedido atendido.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

Ali, depois de cinco horas de caminhada, a multidão se espreme mais uma vez para passar em frente à Igreja. Muitos entram e entregam seus ex-votos aos pés da Imagem original, encontrada em 1700. Outros já os entregaram nos carros de ex-votos que acompanham a procissão. Para aqueles que não entram, passar diante da Igreja equivale dizer à Santinha que cumpriram a promessa.

A Basílica Santuário mobiliza mais de 20 mil voluntários, em diversas frentes, para acolher os milhões de devotos. Essa força-tarefa une ainda estado, município, forças armadas e policiais, serviços de saúde e uma infinidade de outros serviços à população.

Do meu primeiro Círio, além dessas demonstrações de fé do povo, guardo ainda uma que marca mais que qualquer outra: o olhar dos filhos para a Virgem de Nazaré e dela para seus filhos. Seja diante da Imagem Peregrina, com feições caboclas, ou da Imagem original tricentenária, o olhar é de entrega. Desse encontro, os devotos saem revigorados em sua fé na Mãe, que intercede por todos os seus pedidos junto de seu Filho Jesus. 

O A12 esteve presente com uma equipe de reportagem na festa do Círio de Nazaré, entre os dias 09 e 14 de outubro. Além da cobertura dos principais eventos, a equipe formada pela analista de mídias sociais Carol Alves, pelo fotógrafo e cinegrafista Gustavo Cabral e a jornalista Elisangela Cavalheiro gravou um documentário para contar a história dessa devoção, mostrar a cultura do povo belenense, a religiosidade marcante dos devotos e como é organizada uma festa para dois milhões de pessoas. 

Parceria

O projeto tem o apoio da Catedral Viagens, agência especializada em turismo religioso, também parceira em outras ocasiões, com vários projetos de inspiração religiosa e turística no A12, TV Aparecida e Editora Santuário.

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