Por Luciana Gianesini Em Redação A12 Atualizada em 12 DEZ 2019 - 16H17

Advento: tempo especial da espera da chegada de Deus

No Redação ao Vivo, Padre Camilo explica a espiritualidade do tempo do Advento

Com a proximidade do fim de ano, o Redação A12 ao Vivo nesta sexta-feira recebe mais uma vez o Padre Camilo Júnior, diretor do A12, para explicar os significados e a espiritualidade do tempo litúrgico do Advento.

Confira as explicações e reflexões!

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Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

O que é o Advento?

O tempo do Advento, como a própria palavra diz, é o tempo especial da espera da chegada de Deus que, em seu filho Jesus, vem viver no meio de nós. E Deus vem apresentar aí o seu projeto de salvação. A caminhada litúrgica da Igreja é marcada por vários tempos, e cada tempo celebra uma dimensão da vida do Cristo e de sua ação missionária no meio de nós.

O Advento então se torna um tempo especial, porque ele é, justamente, o início do ano litúrgico. Nós iniciamos a nossa caminhada celebrativa da vida de Jesus rezando o mistério da sua encarnação e do seu nascimento. O Advento, então, compreende o tempo formado pelas quatro semanas que antecedem a festa do Natal. Também é um tempo de preparação para acolher Cristo e, ao mesmo tempo, permitir que o amor que Ele traz do céu realmente possa se encarnar em nosso coração aqui na Terra.

Por que o Advento é representado pela cor roxa?

Uma coisa muito bonita na nossa Igreja é a simbologia das coisas. O roxo representa o tempo do Advento. Mas por que a escolha dessa cor para representar esse período? Há dois tempos litúrgicos na Igreja em que nós usamos o roxo: o tempo quaresmal e o tempo do Advento.

Isso acontece porque o Advento é também é um tempo penitencial. Não a penitência mais rigorosa, como aquela que somos motivados a viver no tempo da Quaresma, mas é uma penitência de preparação do coração, para acolher o dom de Deus na pessoa de Jesus, porque, com certeza, a manjedoura mais bonita em que Jesus quer nascer é a manjedoura do coração de cada um de nós.

Qual o significado das velas na Coroa do Advento?

Muitas pessoas fazem até confusão quando se usam as velas uma de cada cor, achando e cada uma representa um tempo litúrgico, já que as cores são as mesmas: verde, branco, vermelho e roxo. Mas, na verdade, cada vela representa um domingo do tempo litúrgico, não necessariamente sendo coloridas. Em alguns locais, por exemplo, usam-se todas as velas da mesma cor (roxa), sendo uma delas um pouco mais clara, geralmente rosa, para representar o Domingo da Alegria, que é o terceiro domingo do AdventoA cada domingo do Advento, uma vela é acesa. Então, quando terminarmos a caminhada das 4 semanas, iluminando o altar estarão as quatro velas acesas, com esse simbolismo da Coroa do Advento.

A maioria dos nossos símbolos litúrgicos foi estruturada no hemisfério norte, em geral da Europa. O próprio dia 25 de dezembro, escolhido pela Igreja para celebrar o nascimento de Jesus, é simbólico. Antes da Igreja instituir essa data como o Natal, já havia no hemisfério norte uma festa pagã, que celebrava o deus-sol. Isso acontecia devido ao inverno rigoroso, onde uma das únicas plantas que sobrevive é, justamente, o pinheiro, com o qual hoje fazemos a Coroa do Advento e a Árvore de Natal. Daí vem a simbologia de que, apesar do intenso inverno, a chegada do deus-sol estava se aproximando. Por isso, os povos antigos acendiam velas sob os pinheiros e ali celebravam seu culto. Da mesma forma, a Igreja usa dessa simbologia para se montar a Coroa do Advento. A cada vela que nós vamos acendendo, mais nós nos aproximamos agora do Cristo. Ele é a luz, Ele é o Sol da Justiça, que vem a este mundo.

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Como viver bem o tempo do Advento?

O Natal é, essencialmente, a festa do amor de Deus em família. Por isso, foi a Família de Nazaré, Maria e José, a primeira a viver o profundo mistério nascimento do filho de Deus, que nasceu para nos salvar.

O importante é viver a festa da nossa salvação, a vivência desta festa na dimensão da comunidade e da Igreja. É fundamental participar das semanas do Advento, deixar-se moldar pela palavra escutada, como também nós vamos ouvir ao longo dos domingos do Advento, a grande mensagem do profeta João Batista:

"Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas". (Marcos, 1,3)

Mas o Natal também tem que ser entendido como festa da família. É um tempo de deixarmos o amor de Deus nascer dentro de nossa casa, para redescobrirmos a importância do amor dentro do lar. Vivemos um tempo onde colocamos tantas coisas dentro da casa e o amor acaba ficando, muitas vezes, do lado de fora. Se não há amor, não há diálogo, não há paciência, não há perdão, não há acolhimento... Então, o tempo do Advento deve ajudar você e sua família a se preparar bem para o Natal.

Por que o Ano Litúrgico é dividido em A, B e C?

Estamos terminando o Ano Litúrgico C. A Igreja entendeu que nós celebramos o Mistério do Cristo através da escuta da Palavra. É a palavra de Deus que vai nos revelando as verdades que edificam o Reino e, ao mesmo tempo, o projeto de vida e salvação que Deus tem para todos nós, seus filhos.

Para possibilitar que todos os seus membros pudessem realmente beber da espiritualidade da Palavra, se alimentar da Palavra e entender que a Palavra nos coloca na história da salvação, a Igreja organizou as celebrações dominicais em três etapas

1. Ano A, onde nós rezamos o evangelho de Mateus;

2. Ano B, onde rezamos o evangelho de Marcos e

3. Ano C, onde rezamos o evangelho de Lucas.

O Ano Litúrgico começa com o tempo do Advento e se encerra na festa de Cristo Rei, geralmente no final de novembro, sempre um pouco antes do ano civil. A divisão entre A, B e C foi apenas uma escolha para que pudéssemos, ao longo desses três anos, ter contato com a maioria dos textos bíblicos que nos colocam mistério da Salvação, da Encarnação (o nascimento de Jesus) e a sua vida pública.

Como descobrir se o ano atual é A, B ou C?

Para estruturar a liturgia dominical nesses três anos, a Igreja entendeu que o nono ano do nascimento do Senhor é o ano A. Assim, todos os números múltiplos de 3 vão sempre dar o ano C. Por exemplo, nós estamos no ano de 2019. Somando os números do ano vigente, se ele der múltiplo de 3, então será o ano C. Veja: 2 + 0 + 1 + 9 = 12. O número 12 é múltiplo de 3, então é ano C. No ano que vem, 2020, volta novamente o ano A.

Cada ano tem um evangelista específico, que nos coloca em um mistério: nascimento, vida pública, paixão, morte e ressurreição de Jesus. Quando nós participamos seguidamente desses três anos nas celebrações dominicais, ouvimos sobre tudo isso. Daí o princípio religioso de participar da Missa ao menos todos os domingos.

Confira no vídeo abaixo a íntegra das explicações do Padre Camilo:


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