Santo Padre

Leão XIV destaca fé, paz e dignidade em Paris

Durante sua passagem por Paris, Leão XIV encontrou autoridades, religiosos e jovens em uma agenda marcada por mensagens para a sociedade atual.

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Escrito por Redação A12

28 SET 2026 - 12H01 (Atualizada em 28 SET 2026 - 14H41)

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A primeira visita do Papa Leão XIV à França teve como agenda encontros com autoridades, representantes da sociedade civil, pesquisadores, membros da Igreja e milhares de jovens. Em Paris e Saint-Denis, o Pontífice abordou temas como dignidade humana, inteligência artificial, educação, liberdade, paz e missão cristã.

Esta é a quinta viagem apostólica do Santo Padre, realizada de 25 a 28 de setembro. No primeiro dia, Leão XIV passou pelo Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa; pela UNESCO; pela Catedral de Notre-Dame de Paris; e pelo Stade de France, em Saint-Denis.

Ao longo dos discursos, o Papa relacionou os desafios atuais à necessidade de colocar a pessoa humana no centro das decisões. A inteligência artificial e o avanço tecnológico apareceram entre os principais pontos de sua reflexão.

Papa Leão XIV fala sobre inteligência artificial

No encontro com as autoridades francesas, no Palácio do Eliseu, Leão XIV destacou a tradição cultural e cristã da França. O Pontífice também relacionou o desenvolvimento tecnológico aos desafios éticos do presente.

Ao mencionar sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, o Papa afirmou que escolheu abordar a inteligência artificial para recolocar a pessoa humana no centro da reflexão.

“É urgente formar os espíritos para um discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom.”

Para o Santo Padre, o avanço tecnológico precisa estar associado à liberdade e à dignidade humana. Ele também alertou para os riscos de uma sociedade na qual máquinas ocupem espaço cada vez maior nas decisões humanas.

O Papa retomou a expressão de Georges Bernanos, um escritor e jornalista francês católico, sobre um possível “Paraíso das Máquinas”. Segundo ele, a questão central é formar pessoas livres e responsáveis diante das novas tecnologias.

A preocupação apareceu novamente na visita à UNESCO. Diante de representantes de países, organizações internacionais, universidades e da sociedade civil, Leão XIV questionou:

“O que significa ser humanos?”

A pergunta orientou parte de sua reflexão sobre educação, ciência e cultura. Para o Pontífice, esses campos precisam preservar a dignidade da pessoa.

Leão XIV também chamou atenção para um paradoxo da era digital. Sistemas computacionais recebem o nome de “inteligência”, enquanto pessoas podem ser avaliadas pela eficiência e pela produtividade.

“Enquanto a ‘inteligência’ é atribuída aos sistemas computacionais, temos dificuldade em reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana.”

Na avaliação apresentada pelo Papa, a inteligência artificial pode estabelecer relações entre grandes volumes de dados, mas não responde às questões sobre o sentido da existência humana.

“O sentido é o oxigênio da mente”, disse.

Leão XIV ainda destacou a necessidade de proteger crianças e jovens no ambiente digital. Para ele, a tecnologia deve contribuir para a formação, os relacionamentos e a capacidade de discernimento.

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Na UNESCO, educação e cultura aparecem como caminhos para a paz

A passagem pela UNESCO teve um significado especial dentro da viagem. Leão XIV foi o segundo Papa a visitar a organização. Antes dele, São João Paulo II esteve na sede da instituição em Paris, em 1980. A Santa Sé mantém uma Missão Permanente de Observação junto à UNESCO desde 1952. Em 2027, a presença completará 75 anos.

Em seu discurso, Leão XIV recuperou a relação entre educação, ciência, cultura e paz. Também citou o princípio presente na Constituição da UNESCO desde 1945:

“Uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz.”

O Pontífice afirmou que tratados internacionais são necessários, mas não suficientes para garantir a paz. Segundo ele, a construção de uma sociedade pacífica depende também da justiça e de uma disposição para reconhecer o outro como irmão.

Outro ponto destacado foi a relação entre diversidade e unidade. Leão XIV utilizou duas imagens bíblicas: a Torre de Babel e Pentecostes.

Babel foi apresentada como símbolo de uma unidade imposta pelo domínio. Pentecostes, por outro lado, representa uma comunhão que preserva as diferenças.

“A comunhão não impede, de modo algum, a diversidade. Pelo contrário, permite que ela floresça na harmonia das vozes e dos rostos.”

A reflexão também alcançou a comunicação. O Papa observou que as tecnologias permitem conectar pessoas de diferentes continentes de forma instantânea. Isso, porém, não significa necessariamente mais verdade ou sabedoria.

O discurso incluiu ainda um apelo para que crianças e jovens sejam protegidos diante dos riscos do ambiente digital.

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Notre-Dame: reconstrução como símbolo de esperança

Depois da visita à UNESCO, Leão XIV seguiu para a Catedral de Notre-Dame de Paris. O Papa presidiu a celebração das Vésperas com bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas franceses.

A presença teve um significado particular. A catedral foi atingida por um incêndio em 15 de abril de 2019, que destruiu parte significativa de sua estrutura medieval e a antiga flecha. Após cinco anos de restauração, Notre-Dame foi reaberta ao culto e aos visitantes em dezembro de 2024.

Em sua homilia, Leão XIV recordou o impacto do incêndio: “Já naquela altura, consternados, levantamos os olhos, reconhecendo a impotência humana perante o imprevisível.”

Para o Papa, a reconstrução ultrapassou a dimensão arquitetônica. Ele apresentou o processo como uma experiência coletiva capaz de reunir instituições públicas, eclesiais e privadas.

“A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo.”

A Catedral também foi apresentada pelo Pontífice como um espaço de acolhimento. Para ele, a Igreja não deve funcionar como um refúgio fechado, mas como uma comunidade aberta às pessoas e às realidades do mundo.

Leão XIV pediu aos representantes da Igreja na França uma atuação missionária próxima das pessoas. O convite incluiu as regiões urbanas, rurais e periféricas do país.

A liturgia também ganhou destaque. O Papa afirmou que Notre-Dame não pode ser compreendida apenas como patrimônio histórico ou obra arquitetônica.

“A Catedral não é um embrulho de pedra para admirar: ela vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado.”

A homilia terminou com uma referência à imagem da Virgem com o Menino, que, segundo o Papa, não foi danificada pelo incêndio.

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Encontro com 80 mil jovens no Stade de France

O primeiro dia da viagem terminou em Saint-Denis, na região metropolitana de Paris, com uma vigília de oração no Stade de France. Cerca de 80 mil jovens participaram do encontro. O público reunia estudantes, trabalhadores, jovens de áreas rurais e urbanas e pessoas de diferentes regiões da França.

O encontro teve momentos de diálogo. Leão XIV respondeu a perguntas de Chloé, estudante de farmacologia envolvida com jovens de bairros populares da Île-de-France, e de François, estudante de agronomia e chefe escoteiro.

Chloé perguntou como conciliar o anúncio do Evangelho com o respeito por pessoas que não compartilham da fé cristã.

A resposta do Papa enfatizou a fraternidade.

“É impossível testemunhar Cristo sem amar aqueles a quem queremos anunciá-lo.”

Leão XIV também afirmou que a missão cristã não precisa estar em oposição ao diálogo com outras religiões.

“A mensagem cristã não constitui um obstáculo à convivência fraterna; pelo contrário, promove-a.”

A resposta de François levou o Papa a falar sobre ansiedade, incerteza e futuro. Ele mencionou preocupações presentes entre os jovens, como a instabilidade dos projetos pessoais, a fragilidade dos relacionamentos, o cansaço digital, as mudanças climáticas e a situação econômica e internacional.

“É preciso prestar atenção a estes sentimentos.”

Para o Pontífice, essas experiências de fragilidade também podem abrir espaço para o serviço e para a solidariedade.

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“Fugir, procurar e combater”: a mensagem de Leão XIV

Na meditação dirigida aos jovens, Leão XIV utilizou três verbos inspirados nas cartas de São Paulo: fugir, procurar e combater.

O primeiro convite foi afastar-se do orgulho, da vaidade, da violência e da avidez. Depois, procurar a justiça, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão.

O terceiro verbo, combater, recebeu uma explicação específica. O Papa afirmou que essa luta não deve ser entendida como confronto contra outras pessoas.

“O nosso combate não é uma luta contra os outros e não recorre às armas da violência, do desprezo ou da opressão.”

Em seguida, apresentou aquilo que definiu como a única arma do cristão:

“A nossa única arma é o amor que se doa.”

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A mensagem foi acompanhada pela referência a santos franceses, como Santa Teresa de Lisieux, São João Maria Vianney, São Vicente de Paulo e Santa Joana d'Arc. O Papa também citou o Beato Marcel Callo, jovem francês que morreu em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Vatican News/Santa Sé

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