Por Redação A12 Em Santo Padre

Padre Federico Lombardi fala sobre seu trabalho junto ao Papa Francisco

No primeiro aniversário do Papa Francisco, o porta-voz do Santo Padre, padre Federico Lombardi, falou com exclusividade ao Missionário Redentorista brasileiro padre Rafael Vieira, C.Ss.R., que atualmente mora em Roma na sede da Congregação do Santíssimo Redentor, onde é responsável pelo Setor de Comunicação.

Padre Federico Lombardi

O porta-voz do Vaticano, recebeu os religiosos na sala de entrevista da Rádio Vaticana e esteve com eles durante quase duas horas. Simpático e acolhedor, referiu-se à importância do trabalho da comunicação e de comunicar notícias em diversos idiomas como “sinal de respeito” às distintas pessoas, países e culturas.

A entrevista foi acompanhada ainda pelo padre Biju Thomas Madathikunnel, que atua no mesmo setor.

Confira a entrevista:

Padre Rafael Vieira - O seu trabalho, certamente, deve requerer encontros regulares com o Santo Padre. Como é trabalhar próximo ao Papa Francisco?

Padre Federico Lombardi - No meu trabalho há diversas oportunidades de seguir as atividades do Santo Padre. Eu posso informar-me e inteirar-me do que faz o Papa sem ter, com excessiva frequência, que incomodá-lo pessoalmente porque vejo e sei o que faz e porque tenho minhas fontes de informação de diversos tipos através dos seus colaboradores, as pessoas que estão próximas a ele. Naturalmente, há também ocasiões em que o vejo pessoalmente, posso pedir informações ou indicações, digamos, mais particulares. Em geral, como todos sabemos, o Papa Francisco é uma pessoa muito comunicativa, extremadamente disponível e que facilita o encontro mantendo uma comunicação muito fácil, muito ágil com seus colaboradores. Sabemos que ele usa o telefone, inclusive pessoalmente, e mais que os seus predecessores; às vezes, liga em ocasiões para comunicar brevemente algumas coisas que são de certa urgência ou até mesmo em aniversários. Agora, se a pergunta que lhe fizeram é sobre um determinado ponto simples e concreto, então ele se preocupa em dar a resposta, às vezes através dos seus colaboradores, às vezes ligando pessoalmente, assim tem um estilo, por assim dizer, livre, flexível e rápido de responder às questões que lhe apresentam.

Padre Rafael Vieira - Como é o dia a dia do Santo Padre?

Padre Federico Lombardi - Em termos muito simples, creio que o Papa se levanta cedo e dedica a primeira parte de sua jornada à oração, à oração pessoal, em silêncio. Às sete horas celebra a missa na capela da Casa Santa Marta, onde vive. À missa assistem, geralmente, umas quarenta pessoas, às quais dirige uma homilia muito simples e direta que toca o coração dos presentes, uma homilia improvisada, sem um texto escrito, mas que foi extraído de sua meditação sobre as leituras da missa do dia.

Após a missa, na saída, quer dizer quando as pessoas saem da capela, cumprimenta praticamente a todos os presentes, um por um, [mantém] um contato pessoal com as pessoas que rezam com ele pela manhã. Em seguida, no café da manhã, é um tempo de informação, de leitura dos jornais, das notas de imprensa, de forma que fica informado sobre a realidade. Depois começam as audiências da manhã que, normalmente, acontecem no Palácio Apostólico -  no lugar onde os papas e também os seus predecessores recebiam as pessoas, na denominada biblioteca privada ou na Sala Clementina se é que se trata de algum grupo.

Atualmente, o Papa Francisco tem adiantado em pelo menos meia hora o começo destas audiências. Pela manhã, desde as 10h30 até às 13 horas, celebra os encontros que mantém com determinadas pessoas e com grupos. Ele concede a esta tarefa uma meia hora a mais do que era habitual para os papas anteriores, pois normalmente começavam as audiências às 11 horas. Às vezes concede audiências a indivíduos, outras vezes a grupos e, assim, o Papa leva adiante o seu trabalho com as pessoas e grupos; a estes lhes dirige um discurso.

Nas quartas, naturalmente, a audiência geral, que é algo muito comprometido porque o Papa sai à praça por volta das 10 horas com o papamóvel, com o jeep, para cumprimentar a multidão e em seguida às 10h30 começa a mensagem. Depois, concluída a catequese e a saudação nas diferentes línguas, desce e cumprimenta em primeiro lugar aos doentes que se encontram em cadeiras de rodas e situados em um determinado setor da praça; logo sobe de novo e cumprimenta as demais pessoas que já estão situadas com antecedência e de forma organizada a fim de proceder ao denominado “beija mãos”; é  cumprimento pessoal ao Papa aos que ocupam a primeira fila. Tudo isto dura umas duas horas e meia pelo menos e, às vezes, três horas. [Isso acontece] na quarta-feira pela manhã, e é algo muito especial. Nos outros dias, como disse antes, acontecem as audiências pela manhã a pessoas ou grupos.

Padre Federico e padre Rafael Vieira

Padre Rafael Vieira -E pela tarde?

Padre Federico Lombardi - Depois do almoço pela tarde, o Papa mantém novamente numerosos encontros, em ocasiões menos oficiais, com determinadas pessoas e, por conseguinte, pessoas que ele conhecia antes, que pediram para falar com ele, pessoas que não têm o nome publicado, ao contrário do que acontece com as audiências da manhã, mas que em todo caso, são encontros importantes. Com frequência, trata-se também de encontros com os seus colaboradores mais próximos, como o Secretário de Estado, o Substituto da Secretaria de Estado e outros cargos importantes de determinados dicastérios, com os quais frequentemente encontra-se ao avançar da tarde; isto faz com que até essa hora se trate de um tempo de trabalho –por assim dizer- de entrevistas, reuniões importantes.

Às 19 horas, normalmente, o Papa vai à capela para orar pessoalmente e, geralmente, conclui com um tempo longo de oração pessoal.

Logo depois vem o jantar e  – penso, visto que não devo controlar a atividade do Papa – sabemos que ele escreve também pessoalmente, à mão, cartas não oficiais a pessoas que lhe escreveram. Às vezes, também faz ligações não oficiais, ligações pessoais, fruto de uma relação com pessoas que sofrem e que lhe expuseram algum caso particularmente doloroso onde ele quer fazer-se presente com uma carta ou ligação telefônica.

Algo característico dele, mas conhecido, é que dado que o Papa quer responder a situações de dificuldade dos pobres ou dos doentes ou de pessoas que passam por grandes problemas, nomeou um elemosineiro. É uma função que já existia, mas que o Papa utiliza de forma renovada e intensa, e lhe confia muitos dos pedidos que recebe através de cartas ou por outros meios, dizendo-lhe: “ocupa-te pessoalmente deste em meu nome, tratando de aportar uma ajuda concreta a estes casos’.

padre_lombardiPadre Rafael Vieira - Uma pessoa simples do povo se aproxima de você e pergunta como é o Papa. O que você responde?

Padre Federico Lombardi - Não tenho muito que acrescentar ao que as pessoas veem por si mesmas, especialmente por causa das audiências gerais e das imagens que se transmitem pela televisão. O Papa tem um trato muito direto com as pessoas, é muito amável e sorridente, muito acolhedor. As pessoas se sentem próximas ao Papa, não se estabelece distância nenhuma, não existe nenhuma dificuldade para entrar em contato com ele, que fala com muita naturalidade e com grande simplicidade.

E isto é o que ele faz quando cumprimenta a todas as pessoas que participaram em sua missa pela manhã, ou quando cumprimenta as pessoas durante a audiência geral ou quando cumprimenta a todos os doentes que vão visitá-lo; portanto, é uma pessoa extremamente direta, simples, acolhedora, cordial, nada difícil ou complicada, que se coloca totalmente ao seu nível.

Não tenho nada mais de extraordinário ou novo que dizer além do que todo o mundo vê nele e que de fato atrai tantos para seus encontros.

Fonte: CSSR Redemptorist.

(Tradução: Irmão Gilberto Cunha - MVC).

Quem é Padre Federico Lombardi?

Padre Federico Lombardi é um religioso jesuíta, nasceu em 1942 e foi ordenado padre em 1972. De 1984 a 1990 foi Superior provincial da Companhia de Jesus na Itália e, em 1991, foi nomeado diretor de programas da Rádio Vaticano. Em 2001 foi nomeado como diretor geral do Centro Televisivo Vaticano e, em 2005, como diretor geral da Rádio Vaticano. Atualmente dirige apenas a Rádio Vaticano.

Desde 11 de julho de 2006 ocupa o cargo de diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, sendo responsável pelas entrevistas coletivas sobre as atividades do Papa e por toda comunicação dos variados Departamentos da Santa Sé.

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