Na Quinta-feira Santa, o Papa presidiu duas celebrações do calendário litúrgico: a Missa do Crisma, na Basílica de São Pedro, e a Missa da Ceia do Senhor, na Basílica de São João de Latrão. Em ambas, destacou que a missão cristã nasce da unidade e conduz à paz.
Foi o primeiro ano em que Leão XIV celebrou a Missa do Crisma como Bispo de Roma. A liturgia antecede o Tríduo Pascal e reúne patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e presbíteros. Durante a celebração, são renovadas as promessas sacerdotais e abençoados os santos óleos usados no Batismo, na Crisma e na Unção dos Enfermos.
Na homilia, o Papa apresentou três dimensões para entendimento dos fiéis. Segundo o Santo Padre, trata-se da “mesma de Jesus, e não outra”, vivida “de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão!”.
O primeiro segredo é o desapego. O Pontífice recordou que a missão exige esvaziamento e liberdade interior. Citando o Evangelho de Lucas (Lc 4,18), afirmou:
“O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há ‘Boa-nova aos pobres’ (Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir.”
O segundo ponto é o encontro. A missão, explicou, não pode ser marcada por lógicas de domínio. O anúncio do Evangelho requer proximidade, serviço e respeito:
“É portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação.”
A terceira dimensão é a possibilidade de rejeição. O Papa recordou que a cruz integra a missão. Citou o testemunho de Óscar Arnulfo Romero, mártir em 1980, e reforçou que a esperança cristã sustenta o anúncio mesmo em contextos adversos.
Ao concluir, deixou um apelo direto aos sacerdotes:
“Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso 'sim' a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”
À noite, na Missa da Ceia do Senhor, o Papa lavou os pés de 12 sacerdotes. A celebração recorda a instituição da Eucaristia e da Ordem.
Na homilia, explicou que o gesto de Jesus revela o verdadeiro rosto de Deus. Citando Bento XVI, afirmou que é preciso “aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza”.
O Pontífice advertiu contra imagens distorcidas de Deus, associadas a poder e sucesso. Segundo ele:
“Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfêmias que a mancharam, mas purifica também a nossa imagem do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido.”
Ao comentar o gesto do lava-pés, sintetizou:
“Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma. Nele, Deus deu o exemplo não de como se domina, mas de como se liberta; de como se doa a vida e não de como se a destrói.”
A celebração marcou o início do Tríduo Pascal. Para o Papa, a Quinta-feira Santa é dia de gratidão e fraternidade. A unidade, reafirmou, é condição para que a missão da Igreja seja sinal concreto de paz no mundo.
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Fonte: Vatican News
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