Por Redação A12 Em Santo Padre

Papa encerra visita à Armênia com gesto de paz na fronteira turca

O Papa encerrou no domingo (26), a sua primeira viagem à Armênia, com um gesto de paz junto à fronteira turca. No terraço do Mosteiro de Khor Virap, Francisco e Karekin II soltaram duas pombas em direção ao Monte Ararat. 

O Monte Ararat, de 5.137 metros de altura, um dos lugares sagrados da Igreja Armênia, hoje território da Turquia, é identificado pela Bíblia como o local onde parou a Arca de Noé, após o dilúvio relatado pelo livro do Gênesis. 

Visita do Papa à Armênia

A visita de Francisco foi marcada pelo ecumenismo e pelo esforço de Roma e Armênia em caminharem juntas à plena união. Desejo expresso pelo Papa mais de uma vez durante a permanência nas terras do primeiro país do mundo a acolher o Evangelho. 

Na Catedral Apostólica, em Etchmiadzin, na sexta-feira (24), o Papa vivenciou alguns momentos de oração. Ali falou sobre a fé do povo armênio e enfatizou o apelo para a unidade religiosa. "Agradeço ao Senhor também pelo caminho que a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Armênia realizaram, através de um diálogo sincero e fraterno, para chegar à plena partilha da Mesa Eucarística. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar a unidade pela qual rezou nosso Senhor, pedindo que todos os seus discípulos sejam um só e o mundo creia", disse Francisco. 

 

Francisco encontrou dez descendentes de perseguidos armênios salvos pelo Papa Pio IX. 

Um dos pontos mais comoventes ocorreu na manhã do sábado (25) quando o Papa visitou o Memorial  Tzitzernakaberd, em Erevan, dedicado aos mais de 1,5 milhão de armênios mortos pelo Império Otomano entre 1915 e 1923. No centro do memorial, diante da chama perpétua depositou flores e rezou em silêncio. Na esplanada do Museu do Memorial, encontrou-se com cerca de dez descendentes de perseguidos armênios, que na época foram salvos e acolhidos na residência de verão dos Papas, em Castel Gandolfo, pelo Papa Pio XI.

No Memorial o Papa Francisco assinou o Livro de Honra e deixou a seguinte mensagem: "Aqui rezo, com dor no coração, para que nunca mais existam tragédias como essa, para que a humanidade não se esqueça e saiba vencer o mal com o bem. Deus conceda ao amado povo armênio e ao mundo inteiro a paz e a consolação. Que Deus guarde a memória do povo armênio. A memória não deve ser diluída nem esquecida, a memória é fonte de paz e de futuro".

Ainda pela manhã, Francisco presidiu a única missa de sua visita ao país. Aos católicos desta nação, que conta atualmente com 280 mil católicos, cerca de 9,6% da população, o Papa refletiu três alicerces estáveis onde se pode edificar e reedificar a a vida cristã: a memória pelo que o Senhor realizou e realiza, a que nasce e renasce do encontro vivificante com Jesus e o amor misericordioso, expresso na caridade que rejuvenesce e torna atraente o rosto da Igreja. 

Francisco participou ainda de um encontro ecumênico de oração pela paz na Praça da República de Erevan. Ali lembrou o testemunho dos mártires daquela terra e como a fé cristã foi a "mola propulsora" para o renascimento de todo o povo armênio. 

Na conclusão da viagem à Armênia foi assinada na Santa Etchmiadzin uma Declaração Comum entre Sua Santidade o Papa Francisco e Sua Santidade Karekin II. [leia aqui a Declaração]

No domingo (26), Papa Francisco foi recebido pelos 14 bispos católicos armênios e participou da celebração da Divina Liturgia, presidida pelo Patriarca Karekin II. Em sua intervenção, Francisco pediu novamente pela unidade "Que a Igreja armênia caminhe em paz, e a comunhão entre nós seja plena. Surja em todos um forte anseio de unidade", frisou. 

O Papa repetiu em várias intervenções o desejo de “unidade plena” entre católicos e armênios, sublinhando que essa unidade é uma exigência de respeito por todos os que “sacrificaram a vida pela fé”. 

A cerimônia de despedida decorreu no aeroporto internacional de Erevan, capital da Armênia, nação que conta atualmente com 280 mil católicos (9,6% da população).

Confira as intervenções do Papa na íntegra no site do vaticano

 

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