Para percorrer o caminho sinodal, sabemos que é preciso, além de caminhar juntos, manter uma comunicação clara, pois a comunicação é uma ferramenta complementar à sinodalidade e fundamental dentro de uma vivência pastoral e em comunidade.
Nesse contexto, é preciso realizar uma comunicação humanizada, ou seja, uma comunicação não violenta que promove a escuta ativa.
O jornalista Cezar Barros, da Arquidiocese de Natal, em entrevista ao A12, nos auxilia a compreender a comunicação no caminho sinodal e de que forma ela nos ajuda nos processos de escuta ativa e tomadas de decisões.
“A sinodalidade e a comunicação não violenta convergem juntas no propósito de permitir uma escuta atenta, ativa e respeitadora aos sentimentos das pessoas envolvidas em um processo comunicacional. Quando a Igreja opta por um caminho em união, por meio da sinodalidade, buscando estimular a participação das pessoas em suas reflexões, incentiva que isso seja feito a partir da prática da comunicação não violenta, que tem por objetivo possibilitar relações entre as pessoas com mais compreensão e colaboração, recorrendo a algumas habilidades de linguagem, que são embasadas na empatia e na compaixão. No processo sinodal, essas habilidades são primordiais, porque facilitam a expressão dos sentimentos das pessoas no ambiente eclesial e comunitário, reconhecendo suas necessidades e tomando decisões a partir de um discernimento compartilhado coletivamente”.
Dentro do contexto do caminho sinodal, a comunicação não violenta é uma ferramenta essencial para fortalecer a comunhão e a missão, especialmente em ambientes pastorais.
“Talvez seja até apropriado dizer que a comunicação não violenta ajuda a viabilizar a sinodalidade, uma vez que sua prática, embasada na empatia e na compaixão, orienta as pessoas a respeitarem as posições divergentes e apresentarem suas mensagens de forma clara, sem ferir as pessoas. Do ponto de vista prático, ao refletir sobre uma questão com diversas correntes de pensamento na Igreja, a comunicação não violenta permite que essas correntes se expressem de forma respeitosa e, por meio da escuta ativa, consiga-se chegar a um entendimento amplo, considerando e acolhendo, não necessariamente acatando, todos os pontos de vista apresentados sobre aquele assunto”, afirma Cezar.
A comunicação não violenta contribui para que os agentes pastorais se comuniquem de maneira mais consciente e respeitosa. Cezar Barros ressalta que essa prática é necessária, mas que para isso é preciso preparar as lideranças e a comunidade.
“O primeiro caminho para isso é buscar formação ampla, para as lideranças e comunidade em geral, sobre como aplicar a prática da comunicação não violenta nos espaços eclesiais, abrindo mão de nossas certezas sobre aqueles assuntos. Depois, expressar claramente como funciona o processo de tomada de decisão de forma participativa e criar espaços em que as pessoas se sintam seguras para falar, sem receio de julgamentos. Nesses ambientes, buscar traduzir os conflitos e opiniões divergentes, mantendo aquelas discordâncias exclusivamente no campo da opinião, evitando que se transformem em ofensas ou ataques pessoais e recorrendo a técnicas que permitam aos participantes expressarem suas necessidades reais. Por fim, estimular a participação real, demonstrando a disposição para acolher as perspectivas de cada sujeito ali presente”.
A sinodalidade destaca o valor da comunidade e da participação de todos nas decisões da Igreja. Quando unida à comunicação não violenta, fortalece um jeito de participar com mais consciência e escuta. O jornalista dá exemplos de práticas simples que podem ser incorporadas às reuniões pastorais.
“Definição de regras claras para a participação, como a estipulação de tempo de fala sem interrupção, incentivando que as participações não sejam sobre os irmãos de comunidade, mas sobre os processos em si, evitando posições defensivas e estimulando a apresentação de sentimentos e necessidades. Por fim, os pedidos devem ser apresentados claramente. Se uma pastoral pretende se reunir para planejar a realização de um determinado evento, por exemplo, deve abrir espaço para entender o que seus agentes esperam desse evento, quais são as necessidades e expor, com clareza, o que precisa ser realizado. De modo geral, o planejamento de uma reunião de pastoral pode incluir os quatro componentes da comunicação não violenta: observação, sentimentos, necessidades e pedidos”.
Ele ainda destaca que a comunicação não violenta pode contribuir para uma pastoral mais acolhedora e missionária, já que “por sua natureza, baseada na empatia e compaixão, quer ser inclusiva, acolhendo a participação das pessoas”. Dessa forma, favorece a criação de vínculos, permitindo que as divergências sejam tratadas com maturidade e sem comprometer a unidade”.
“Quando o membro de uma comunidade percebe que está em um espaço seguro para se expressar, sem receio de julgamento, essa pessoa costuma ter mais vontade de participar dos processos e ações, o que, por consequência, promove uma Igreja mais ativa, participativa e engajada na missão”, conclui Cezar.
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