Sinodalidade

Diocese retoma Ordem das Viúvas Consagradas após ouvir fiéis

Diocese de Conceição do Araguaia amplia participação dos fiéis com conselhos itinerantes

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Escrito por Laís Silva

04 NOV 2026 - 10H56 (Atualizada em 04 NOV 2026 - 12H08)

Thatiane Medeiros/ PASCOM Paróquia Catedral - Conceição do Araguaia

Caminhar juntos, como propõe o Sínodo para a Sinodalidade, significa construir uma Igreja em que todos têm espaço para participar com diálogos e escuta ativa. Esse processo convida cada pessoa a contribuir com seus dons e experiências, fortalecendo a comunhão entre as comunidades e assumindo, de forma conjunta, a missão de anunciar o Evangelho e servir à sociedade.

Ao longo dessa jornada de escuta e partilha, a Rede Aparecida de Comunicação tem encontrado comunidades que traduzem os valores da sinodalidade em ações concretas. Desta vez, conversamos com Dom Dominique Marie Jean Denis You, bispo da Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia (PA).

O bispo explicou que a diocese conta com 12 paróquias e 20 padres; desses 20, metade são de fora da diocese. Mas destacou que a sinodalidade já foi implantada desde o início do processo sinodal.

“Ela se implantou logo que se falou de sinodalidade, com a decisão de que, a cada ano, um dos três conselhos diocesanos de pastorais, em vez de acontecer no centro da diocese, acontecesse de maneira espalhada. Quer dizer que a equipe de coordenação pastoral da Diocese vai em todas as regiões pastorais; elas são seis, e então, em seis fins de semana, de agosto, setembro e um pouco de outubro também, a gente alcança assim os líderes das comunidades, das pastorais e dos movimentos e dos serviços em cada uma dessas regiões pastorais”.


A sinodalidade não nos convida apenas a caminhar lado a lado, mas também ir ao encontro e ser uma Igreja em Saída. De acordo com o bispo, esta pequena ação de descentralizar as reuniões dos conselhos diocesanos de pastorais já impactou em um resultado positivo.

“O resultado é que, em vez de conseguir reunir 100 pessoas, a gente alcança 600 pessoas, porque são 100 pessoas em cada uma das regiões pastorais alcançadas. Isso acontece no meio do ano, agosto, setembro, e permite fazer uma avaliação do ano e fazer propostas para o ano seguinte”.

Outro ponto observado por Dom Dominique é que não basta descentralizar as reuniões; é preciso ouvir e estar atento às indicações e participações de todos.

“Nos resta depois tempo para recolher as propostas e a adesão das várias regiões pastorais, e, no conselho de novembro, que é uma assembleia diocesana, a gente toma as decisões relativas ao que vai ser o esforço do ano seguinte. Então isso é muitíssimo interessante, porque a escuta é muito mais diversificada do que numa simples assembleia diocesana, que não poderia reunir 600 pessoas”.

Como a escuta dos fiéis levou à retomada das viúvas consagradas

Quando a diocese se propõe a ouvir a comunidade, ela precisa acolher os apontamentos que chegam e avaliar possíveis caminhos a seguir com determinadas situações. O bispo explicou que a diocese tinha um número baixo de padres, que existia a dificuldade de manter religiosas, já que muitas congregações voltaram para o Sul do país, de onde vieram há décadas, e com isso a comunidade sentia essa ausência.

“Paróquias diziam que elas se sentem, por exemplo, órfãs, espirituais, entendo. E isso nos fez refletir muito, e a gente resolveu aplicar, deixar retornar na diocese de Conceição, o chamado para as viúvas, criando a ordem das viúvas consagradas. Isso existe desde os tempos apostólicos e até o grupo organizado de mulheres da igreja, mais antigo da história da igreja, foi um pouco esquecido durante os séculos da Idade Média, e foi o Concílio Vaticano II que relançou esse chamado às viúvas consagradas”.

Thatiane Medeiros/ PASCOM Paróquia Catedral - Conceição do Araguaia Thatiane Medeiros/ PASCOM Paróquia Catedral  - Conceição do Araguaia

A Ordem das Viúvas Consagradas é uma das formas mais antigas de vida consagrada da Igreja Católica. As mulheres que abraçam essa vocação dedicam-se à oração e ao serviço da Igreja, permanecendo ativas em suas comunidades e contribuindo com a missão evangelizadora.

Essa decisão de retornar com a ordem às viúvas consagradas permitiu resgatar mulheres que sempre viveram e contribuíram com a comunidade, e agora elas podem voltar a contribuir com a Igreja e as vocações.

“Então isso faz com que a nossa família consagrada diocesana seja muito mais ampla, porque ela inclui os seminaristas, ela inclui as virgens consagradas, as viúvas consagradas, os diáconos permanentes que estamos começando a acolher, e os padres, junto com o bispo, evidentemente. Então dá uma família muito mais ampla, e reunir a família é uma experiência muito bela de escuta, de discernimento sobre os caminhos, e completa maravilhosamente o trabalho feito pelos conselhos diocesanos itinerantes, como a gente diz”.

Sinodalidade fortalece a participação nas comunidades

Beatriz Nery / A12 Beatriz Nery / A12

O caminho sinodal nos convida a propor ações que vão gerar frutos positivos na vida de cada comunidade. Dom Dominique afirma que, em sua diocese, as ações sinodais vão gerar frutos e fraternidade, um pilar tão necessário na vida em comunidade.

“Ela dará com certeza muitos frutos em relação à fraternidade, que para nós é fundamental. Somos uma diocese pequena e devemos fazer tudo para que essa fraternidade seja a alma da nossa diocese”.

O bispo também explica que, no início desse processo de implementação, houve medo por parte da comunidade, ao pensar em como seriam implementadas as ações, mas ele tranquilizou a todos, afirmando que esse é um processo de crescimento em conjunto.

“Ela é também muito exigente, porque poucos de nós foram preparados para isso. Confesso que teve um pouco de medo no início, perguntando como a gente ia assumir essa exigência. Mas essa exigência é apenas um meio de crescer, e, graças a Deus, todos nós queremos crescer, tanto individual como coletivamente, comunitariamente. Então acho que é uma grande graça de Deus quando o Papa disse que será a forma eclesial do terceiro milênio, acredito realmente, e dou graças a Deus por viver essa época”.

A Igreja no Brasil e no mundo já deu grandes avanços no processo sinodal, mas é preciso olhar sempre em frente, pois ainda é um longo caminho para seguir, em comunidade.

“Bom, confesso que temos ainda para trabalhar para que realmente todas as comunidades assumam realmente essa obrigação de ter, por exemplo, conselhos organizados, tanto na dimensão pastoral como na dimensão econômica. Acho também que o trabalho de formação para os leigos deve ser fortalecido muito”.


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