Santo Padre

Papa Leão XIV: a economia e a política devem servir à vida

Na catequese desta quarta-feira, o Pontífice destacou a dignidade do trabalho, o combate às desigualdades e a construção da paz

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Escrito por Redação A12

04 NOV 2026 - 08H41 (Atualizada em 04 NOV 2026 - 09H17)

Reprodução/ Vatican Media

Na sociedade em que vivemos, o que deve estar em primeiro lugar: o crescimento econômico, os interesses políticos ou a dignidade das pessoas? Essa reflexão esteve no centro da catequese do Papa Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de novembro, na Praça São Pedro, no Vaticano.

Ao retomar os ensinamentos do Concílio Vaticano II, o Pontífice recordou que a economia e a política precisam estar a serviço do ser humano, do bem comum e da paz. A reflexão teve como referência a Constituição pastoral Gaudium et spes, especialmente os capítulos dedicados à vida econômico-social e à comunidade política.

Leão XIV chamou a atenção para o fato de que a dimensão social faz parte da própria natureza humana e também da fé cristã. Por isso, o desenvolvimento econômico não pode ser avaliado somente pelo crescimento técnico ou financeiro, mas precisa considerar as condições de vida das pessoas, as desigualdades sociais e o cuidado com a criação.

Segundo o Papa, transformar essa realidade exige reformas econômicas e sociais, além de uma mudança de mentalidade e de hábitos. Ele também retomou o ensinamento de São Paulo VI na encíclica Populorum progressio, de 1967, sobre o desenvolvimento integral, que coloca a pessoa humana no centro do progresso.

Nesse sentido, o Pontífice reforçou a necessidade de eliminar as discriminações que atingem especialmente os grupos mais vulneráveis e os migrantes.

➕ LEIA TAMBÉM: O que Deus espera que façamos com nossas riquezas?

Por que o trabalho deve estar no centro da economia?

Um dos pontos centrais da catequese foi a dignidade do trabalho. Para Leão XIV, trabalhar está diretamente relacionado à realização pessoal, ao sustento das famílias e à participação de cada pessoa na sociedade.

O trabalho também permite ao ser humano colaborar com a própria obra de Deus. Ao explicar essa relação, o Papa afirmou:

“O coração da economia é o trabalho. Através dele, o homem desenvolve-se como pessoa, satisfaz as necessidades da família, expressa o seu talento, participa na vida social e constrói um mundo melhor, colaborando na obra criadora de Deus.”

A partir dessa compreensão, o Santo Padre condenou o desemprego, a exploração e as condições de trabalho que colocam em risco a saúde e a vida dos trabalhadores.

Ele também destacou que os trabalhadores devem ter o direito de participar das decisões relacionadas às suas atividades. O diálogo e as ações não violentas, por sua vez, são caminhos importantes para solucionar conflitos.

Outro princípio recordado pelo Pontífice foi o da destinação universal dos bens. Esse ensinamento da Doutrina Social da Igreja afirma que os bens da criação devem beneficiar a todos. Assim, as decisões econômicas e financeiras precisam garantir condições dignas de vida para as pessoas de hoje, sem comprometer as necessidades das próximas gerações.

Reprodução/ Vatican Media Reprodução/ Vatican Media

A política deve buscar o bem comum

Ao falar sobre a comunidade política, Leão XIV destacou que a autoridade pública tem a responsabilidade de defender os direitos humanos e promover o bem comum.

Isso significa que as decisões políticas precisam considerar as necessidades de toda a sociedade, e não somente os interesses particulares de determinados grupos.

O Papa também recordou a autonomia e a independência da Igreja e da comunidade política em seus respectivos campos de atuação. Essa distinção, porém, não impede uma cooperação saudável entre ambas, especialmente quando o objetivo é servir às pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa.

Para nós, cristãos, essa reflexão representa também um chamado à responsabilidade diante da vida em sociedade, reconhecendo que a defesa da dignidade humana e dos direitos de cada pessoa faz parte do compromisso com o Evangelho.

Sem justiça, não há paz verdadeira

Ao concluir a catequese, o Papa relacionou a construção da paz ao compromisso com uma economia justa e uma política verdadeiramente voltada ao bem comum.

Para isso, recordou uma das afirmações da encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, sobre as consequências dos conflitos armados:

“A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal.”

Em contraposição à violência e às injustiças, Leão XIV destacou a importância de uma política capaz de acolher o sofrimento dos povos e oferecer caminhos de esperança.

O Pontífice também encorajou os jovens a conhecerem e seguirem o exemplo de homens e mulheres que deram testemunho de compromisso com o bem comum nos campos econômico e político.

Por fim, renovou o apelo às comunidades cristãs para fortalecerem a formação na Doutrina Social da Igreja, que reúne ensinamentos fundamentais para compreender e viver a responsabilidade dos cristãos na sociedade.

O que é a Doutrina Social da Igreja? Leia e entenda!

A mensagem deixada pelo Papa nos convida, nesse sentido, a olhar para além dos próprios interesses e reconhecer que a construção de uma sociedade mais justa também passa pelas escolhas, atitudes e responsabilidades de todos.

➕ Semanalmente, às quartas-feiras, o A12 traz pra você os principais pontos da Catequese do Papa. Acesse a12.com/santopadre e leia os conteúdos anteriores!

Fonte: Vatican News

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