Na sociedade em que vivemos, o que deve estar em primeiro lugar: o crescimento econômico, os interesses políticos ou a dignidade das pessoas? Essa reflexão esteve no centro da catequese do Papa Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de novembro, na Praça São Pedro, no Vaticano.
Ao retomar os ensinamentos do Concílio Vaticano II, o Pontífice recordou que a economia e a política precisam estar a serviço do ser humano, do bem comum e da paz. A reflexão teve como referência a Constituição pastoral Gaudium et spes, especialmente os capítulos dedicados à vida econômico-social e à comunidade política.
Leão XIV chamou a atenção para o fato de que a dimensão social faz parte da própria natureza humana e também da fé cristã. Por isso, o desenvolvimento econômico não pode ser avaliado somente pelo crescimento técnico ou financeiro, mas precisa considerar as condições de vida das pessoas, as desigualdades sociais e o cuidado com a criação.
Segundo o Papa, transformar essa realidade exige reformas econômicas e sociais, além de uma mudança de mentalidade e de hábitos. Ele também retomou o ensinamento de São Paulo VI na encíclica Populorum progressio, de 1967, sobre o desenvolvimento integral, que coloca a pessoa humana no centro do progresso.
Nesse sentido, o Pontífice reforçou a necessidade de eliminar as discriminações que atingem especialmente os grupos mais vulneráveis e os migrantes.
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Um dos pontos centrais da catequese foi a dignidade do trabalho. Para Leão XIV, trabalhar está diretamente relacionado à realização pessoal, ao sustento das famílias e à participação de cada pessoa na sociedade.
O trabalho também permite ao ser humano colaborar com a própria obra de Deus. Ao explicar essa relação, o Papa afirmou:
“O coração da economia é o trabalho. Através dele, o homem desenvolve-se como pessoa, satisfaz as necessidades da família, expressa o seu talento, participa na vida social e constrói um mundo melhor, colaborando na obra criadora de Deus.”
A partir dessa compreensão, o Santo Padre condenou o desemprego, a exploração e as condições de trabalho que colocam em risco a saúde e a vida dos trabalhadores.
Ele também destacou que os trabalhadores devem ter o direito de participar das decisões relacionadas às suas atividades. O diálogo e as ações não violentas, por sua vez, são caminhos importantes para solucionar conflitos.
Outro princípio recordado pelo Pontífice foi o da destinação universal dos bens. Esse ensinamento da Doutrina Social da Igreja afirma que os bens da criação devem beneficiar a todos. Assim, as decisões econômicas e financeiras precisam garantir condições dignas de vida para as pessoas de hoje, sem comprometer as necessidades das próximas gerações.
Ao falar sobre a comunidade política, Leão XIV destacou que a autoridade pública tem a responsabilidade de defender os direitos humanos e promover o bem comum.
Isso significa que as decisões políticas precisam considerar as necessidades de toda a sociedade, e não somente os interesses particulares de determinados grupos.
O Papa também recordou a autonomia e a independência da Igreja e da comunidade política em seus respectivos campos de atuação. Essa distinção, porém, não impede uma cooperação saudável entre ambas, especialmente quando o objetivo é servir às pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa.
Para nós, cristãos, essa reflexão representa também um chamado à responsabilidade diante da vida em sociedade, reconhecendo que a defesa da dignidade humana e dos direitos de cada pessoa faz parte do compromisso com o Evangelho.
Ao concluir a catequese, o Papa relacionou a construção da paz ao compromisso com uma economia justa e uma política verdadeiramente voltada ao bem comum.
Para isso, recordou uma das afirmações da encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, sobre as consequências dos conflitos armados:
“A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal.”
Em contraposição à violência e às injustiças, Leão XIV destacou a importância de uma política capaz de acolher o sofrimento dos povos e oferecer caminhos de esperança.
O Pontífice também encorajou os jovens a conhecerem e seguirem o exemplo de homens e mulheres que deram testemunho de compromisso com o bem comum nos campos econômico e político.
Por fim, renovou o apelo às comunidades cristãs para fortalecerem a formação na Doutrina Social da Igreja, que reúne ensinamentos fundamentais para compreender e viver a responsabilidade dos cristãos na sociedade.
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A mensagem deixada pelo Papa nos convida, nesse sentido, a olhar para além dos próprios interesses e reconhecer que a construção de uma sociedade mais justa também passa pelas escolhas, atitudes e responsabilidades de todos.
Fonte: Vatican News
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