Por Secretariado Vocacional Redentorista Em Notícias

52ª Semana Vocacional: São José, escuta ao chamado de Deus

A cada dia da Semana Vocacional, vamos aprendendo com São José a responder ao chamado de Deus e a sonhar seus sonhos em nossa vida. Entre as figuras do Novo Testamento, José se destaca não só pela especial missão que lhe fora confiada pela Providência Divina, mas também por suas virtudes, que servem de inspiração para todo homem e mulher de fé.

Em São José, encontramos a figura do Esposo, do Justo, do Pai e do Discípulo. Na tradição da Igreja, a figura do Pai adotivo de Jesus sempre foi associada aos diversos estados de vida que compõem o Corpo Místico de Cristo. Por ser guardião da Igreja, simbolizada em Jesus e Maria, José é também “guardião das vocações”, conforme define o Papa Francisco. Sem dúvida, entre as diversas vocações e ministérios da Igreja que nele se inspiram, o ministério ordenado ocupa um lugar privilegiado, pois à semelhança do Santo Patriarca, os presbíteros receberam a missão de serem “guardiões” dos tesouros divinos da Igreja e “pastores” do Povo de Deus. Olhando para São José, os vocacionados ao ministério ordenado e os presbíteros podem encontrar um espelho no qual podem ver refletida a própria resposta e missão que são chamados a desempenhar na vida da Igreja.

O Evangelho de Mateus narra a origem de Jesus sob a perspectiva de José (cf. Mt 1,18-25). Tanto Maria quando José foram chamados por Deus a colaborarem ativamente e sem reservas no projeto divino. Ambos foram escolhidos para serem os pais terrenos de Jesus, nosso Salvador. O texto narra que o chamado de José aconteceu no silêncio e na humildade de uma vida atenta aos sinais de Deus. Não há revelações ou gestos espetaculares no relato de sua vocação. José era um homem do povo, humilde e trabalhador, e como qualquer ser humano, nutria sonhos e expectativas para sua vida, entre os quais formar uma família com sua noiva, Maria. Já estava comprometido quando soube de Maria, que estava grávida de um filho que não era seu. Diante disso, José enfrenta uma crise e vive um empasse difícil de ser resolvido: repudiar em segredo a noiva que amava ou assumir a paternidade, evitando a exposição pública de Maria. José terá que passar por um longo processo de discernimento para reconhecer a presença de Deus e o seu projeto na gravidez de sua noiva.

No relato do anúncio a José, aparece o primeiro e único adjetivo atribuído a ele nos evangelhos, e que serve como um importante testemunho sobre sua personalidade e sua vocação: “justo” (cf. Mt 1,19). O adjetivo “justo” não se refere a uma atitude legalista da parte de José, pois se assim o fosse, ele deveria denunciar sua noiva, como previsto pela lei judaica (cf. Dt 22,23-24). No Evangelho de Mateus, “justo” indica a atitude do discípulo que orienta a sua vida de acordo com a vontade divina e encontra no querer de Deus para si, o sentido de sua vida. Portanto, ser justo para José, significa colaborar fielmente com o projeto de Deus, ainda que ele não compreenda plenamente. Tal qual em José, o Senhor espera que os pastores de seu Povo sejam “homens justos”, ou seja, que vivam sintonizados com a vontade divina. Trata-se de buscá-la sempre em todas as situações da vida, desde as mais corriqueiras até os grandes e decisivos acontecimentos. O presbítero deve exercitar essa justiça evangélica na oração, nas palavras, na ação pastoral, no estudo, na acolhida das pessoas. Em todas as circunstâncias, perguntar a si mesmo se está agindo de acordo com querer de Deus, o que em algumas ocasiões pode significar colocar-se contra a norma estabelecida e o rigor da lei em prol de uma justiça superior. Cresce na justiça quem orienta o seu querer e agir para Deus, tornando-se instrumento da Providência.

Antes de tomar a decisão correta, José passa por um processo de discernimento, no qual contará com o auxílio da revelação divina. Enquanto dormia, um Anjo lhe aparece em sonho para ajudá-lo a perceber que aquele acontecimento era parte do projeto de Deus. Na Escritura, o Anjo é o instrumento da comunicação de Deus com o ser humano. Sua presença indica que o próprio Deus vem ao encontro de seus escolhidos para ajudá-los em seu discernimento. Cabe ao ser humano a docilidade e a abertura para captar os sinais da comunicação divina. Também o sonho, símbolo do silêncio e da escuta atenta, é ocasião privilegiada para a revelação divina. Desde o relato do chamado de José, o sonho será para ele o meio por excelência para a escuta dos apelos de Deus (cf. Mt 1,20; 2,13.19-22), pois somente quando calamos o vozerio que habita o nosso interior e cessamos nossas preocupações, podemos captar com mais clareza a voz de Deus que ressoa dentro de nós e descobrirmos como responder adequadamente ao apelo divino.

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Para discernir a vontade de Deus é necessário ainda acalmar a agitação do coração
, por isso José escuta uma palavra de ânimo e confiança do mensageiro divino: “José, Filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (Mt 1,20). No medo e na insegurança, não há espaço para uma decisão verdadeiramente livre. O Anjo lhe ajuda a reconhecer a marca da Providência divina nesses acontecimentos, sem diminuir as exigências implicadas nesta missão e nem eliminar toda obscuridade da proposta. José não sabe tudo, e não precisa saber as motivações mais profundas de Deus. Cabe-lhe somente, como a qualquer um que é chamado, ponderar e consentir com a vontade divina, descobrindo aí a direção correta para orientar a própria vida. Ninguém como Deus conhece o que é melhor para nós e em que podemos apostar a nossa existência. Crescemos no dom da vocação quando aprendemos o discernimento e a confiança de José, pois a resposta que damos a Deus não está pronta e acabada, mas é um dinamismo permanente que nos impele e pede novos posicionamentos. Também o presbítero deve ser “homem do discernimento” e do “silêncio interior”, pois a voz de Deus nem sempre é tão evidente, e pode ser confundida com nossa imaginação e expectativas mundanas. O discernimento purifica nossas motivações vocacionais e amadurece a nossa liberdade para vivermos com intensidade e entrega no seguimento de Jesus.

Ao despertar do sono, José realiza tudo conforme o Anjo do Senhor lhe revelara. Passa, então, do sonho à realização. Apesar de não compreender tudo, José não coloca nenhuma oposição para a ordem divina, mas obedece prontamente. Doravante, assume Maria como esposa e torna-se o pai legal do Menino. José impõe o nome a Jesus, conforme lhe fora sugerido e garante, assim, a descendência davídica de Jesus. Com esse gesto, José assume a missão paterna de cuidar do Menino, presença salvadora de Deus na vida de seu Povo. Impressiona-nos a obediência e fidelidade de José no cumprimento da missão. Para ele, o projeto divino era um valor absoluto, em torno do qual sua vida deveria conformar-se. Apesar de não encontrarmos nenhuma palavra de José nos Evangelhos, conhecemos sua docilidade para a escuta da Palavra divina e a disponibilidade para praticá-la fielmente. Essa atitude, porém, não é uma negação de sua liberdade ou uma recusa alienada de seus legítimos sonhos, mas através de sua profunda experiencia de fé, José pôde entregar-se inteiramente em Deus, confiando-lhe sua liberdade, fazendo do projeto divino o seu, e encontrando aí a realização de sua vida, como esposo e pai.

Apesar de ser um dom precioso de Deus pra nós, toda vocação é uma proposta exigente, pois é algo que nos compromete por inteiro e modela todas as nossas opções. Ninguém é chamado para si mesmo, mas para colocar-se a serviço dos outros, encontrando aí o sentido mais profundo da vida: “Com efeito, nossa vida na terra atinge sua plenitude quando se transforma em oferta” (Christus vivit, n. 254). José abraça a vocação de esposo, pai e discípulo, investindo sua vida e todos os seus dons: “A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustração, apenas confiança” (Papa Francisco).

José traduz esse “ser para o outro” que toda vocação implica exercendo a paternidade e a guarda de Jesus. Da mesma forma, o presbítero deve se inspirar na atitude de José para que sua vocação amadureça e seja expressão do dom de si mesmo, que faz crescer a vida e espalha alegria por onde passa. Tal qual em José, cada presbítero é chamado a exercer a paternidade espiritual junto ao povo que lhe foi confiado. Ele será sinal da paternidade divina quanto mais cuidar e zelar pela vida do outro: “Proteger, para José, como para todo sacerdote que inspira nele sua própria paternidade, significa amar ternamente aqueles que nos são confiados, pensando antes de tudo em seu bem e em sua felicidade, com discrição e com perseverante generosidade” (Papa Francisco)

Do itinerário espiritual-vocacional de São José podemos sempre colher novas inspirações para a nossa resposta diante da aventura da vocação a qual todos somos chamados. José nos ensina a abraçar com fé e confiança o sonho de Deus para nós, a sonhá-lo em nossa vida, tornando-o nosso. Vivendo e encarnando seu sonho, encontramos o sentido e a direção para vivermos uma existência plenamente vivida, na qual desabrocham e crescem nossas potencialidades.

Quem assimilar e personalizar as mesmas virtudes presentes em José, estará apto a colaborar com o projeto de Deus e se tornará verdadeiro discípulo de Jesus. Sendo assim, os candidatos ao ministério ordenado e os presbíteros têm na escuta obediente e generosa de José uma referência permanente para crescerem na resposta e no exercício do ministério: “De José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua Mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma dessas realidades é sempre o Menino e a sua Mãe” (Papa Francisco).

Pe. Rodrigo Costa Silva, C.Ss.R.
Cariacica (ES)]

Para refletir:
1) José nos ensina a sonhar de olhos abertos, isto é, não se perder em divagações desconectadas da realidade, mas procurar entender os sinais do mistério de Deus no cotidiano da vida. Nesse sentido, percebo-me sensível ao mistério de Deus? Crio condições para que Deus se revele em minha história e nos acontecimentos?
2) Para que uma vocação seja autêntica e amadureça é preciso estar em constante discernimento. José teve que discernir diante de cada novo desafio em seu itinerário vocacional. Que lugar o discernimento ocupa em minha vida? Compreendo minha vocação como um percurso nunca acabado, mas sempre em movimento?
3) José é guardião dos tesouros da Igreja, representados em Maria e José. Igualmente, toda vocação é chamada a guardar e zelar pelo bem do outro. Vivo minha vocação consciente de que sou chamado a ser sinal da “paternidade divina” que é oferecida a todos? Como temos cuidado daqueles(as) que nos foram confiados?

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