Quando meditamos as várias passagens bíblicas que tratam do chamado vocacional, a do profeta Jeremias nos apresenta uma das imagens mais profundas do chamado de Deus: “Eis que ponho em tua boca as minhas palavras” (Jr 1,9). Principalmente porque diante da fraqueza, da incapacidade e imaturidade que permeava a mente e o coração do jovem Jeremias, Deus o capacita para uma missão divina, garantindo a ele autoridade e coragem necessárias para transmitir a sua mensagem.
Diante de uma grande missão, é natural que se sinta medo e incapacidade de ter sucesso. Quando essa missão é dada pelo próprio Deus, para falar e agir em seu nome, esses sentimentos são ainda maiores. Jeremias responde ao senhor que ele é apenas um menino e, portanto, sem condições de executar tal missão, mas Deus o encoraja a compreender que o chamado não depende de sua capacidade humana, o Senhor capacita aqueles que o chamam a agir em seu lugar revelando o seu mistério de amor.
Quanto mais compreendemos que o sucesso da missão não depende de nossas capacidades e habilidades, mas sim da graça de Deus que nos fortalece mesmo em nossas fraquezas e limitações, conseguiremos vencer o medo e, consequentemente, a tentação de dizer não, de não se lançar e isolar-se no seu próprio mundo sem experimentar a força transformadora do chamado. Como Deus é sempre amor e bondade, ele respeita nossa liberdade. Não força para que digamos sim simplesmente por dizer, mas que nossa resposta diante de seu chamado seja do coração. Ao permitir que Deus colocasse em sua boca suas palavras, Jeremias se fortalece como grande profeta de Deus para ir falar ao povo.
Interessante perceber que é sempre Deus que toma a inciativa do chamado. Ele não considera os méritos ou limitações pessoais. Ele não olha as aparências, mas penetra o coração pelo olhar, por isso, toda vocação nasce da gratuidade do amor de Deus. Não é Jeremias que se oferece, se apresenta, mas Deus mesmo que o chama porque ao prescrutar seu coração e ver suas condições para ser enviado, o escolhe mesmo não precisando, ele quer sempre contar conosco em sua obra.
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Deus não fixa sua atenção nas limitações humanas de quem ele chama, por isso, promete tocar a boca do jovem profeta e colocar nela suas palavras, tal gesto simboliza purificação, consagração e a transferência da autoridade divina para alguém. Ao ser enviado, ele deverá falar as palavras de Deus, semear nos corações sua verdade e seu amor. O profeta não falará por si mesmo, não anunciará suas ideias e pensamentos, de sua boca sairão as palavras eternas do Pai que trará salvação e paz.
Por fim, podemos ter a certeza que nunca estaremos sozinhos diante do chamado de Deus para a missão que ele nos confia. É ele que sempre nos chama, nos capacita e nos envia a ir e falar em seu nome anunciando a salvação. Seu amor e sua misericórdia nos revestem e suas palavras, colocadas em nossa boca, nos dão garantia de que o próprio Senhor fala através de nós mesmo diante de nossas fraquezas e limitações.
Solenidade do Santíssimo Redentor é celebrada pelos redentoristas
Na solenidade do Santíssimo Redentor, Dom Alfonso Amarante, C.Ss.R., destacou a Copiosa Redenção e a misericórdia de Deus como centro da missão redentorista.
“Levanta-te e vai dizer o que eu te ordenar”
Levantar-se significa colocar-se diante de Deus e da vida com coração novo e disponível para servir; é assumir a fé de forma autêntica e comprometida.
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Algo chama atenção no mandato do Senhor a Jeremias. Sua missão não se encerra no arrancar e destruir, mas precisa também dar a sua vida para edificar e plantar.
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