Você já reparou como é fácil cair na armadilha da reclamação logo nos primeiros minutos do dia? Seja pela segunda-feira que começa, pela chuva que cai ou pelo sol forte, o hábito de murmurar pode se infiltrar em nossas rotinas de forma silenciosa, nublando nossa visão e distanciando nosso coração da graça de Deus.
No programa Bênção da Manhã, fomos convidados a iniciar a semana mergulhando nos ensinamentos de São Paulo Apóstolo — o maior propagador do Cristianismo depois de Jesus Cristo. Ao longo de suas cartas, o Apóstolo dos Gentios nos deixou preciosas orientações práticas para vivermos melhor a nossa fé e sermos uma verdadeira expressão de bênção para o próximo.
O ponto de partida para essa reflexão encontra-se na Carta aos Filipenses:
"Fazei tudo sem reclamação nem contestação." — Filipenses 2, 14
Como bem nos recorda a sabedoria evangélica, a boca fala do que o coração está cheio. Muitas vezes, a nossa insistência em olhar para o lado negativo das situações — enxergando o copo sempre "meio vazio" em vez de "meio cheio" — revela que o verdadeiro problema está em nossos próprios olhos. Falta-nos exercitar o olhar do amor e o olhar da fé.
É comum convivermos com o hábito da murmuração. Se trabalhamos muito, queixamo-nos do cansaço; se falta o emprego, lamentamos a escassez. Se comem demais, reclamam do peso; se estão com fome, lamentam a espera. Essa insatisfação crônica pode se tornar contagiosa. Sem perceber, assimilamos esse comportamento e passamos a espalhar a lamentação ao nosso redor, deixando de contemplar as belezas da vida — como o florescer de um ipê, focando apenas na sujeira das pétalas que caem ao chão.
De acordo com as reflexões trazidas pelo Padre Camilo, o ato de murmurar esconde um perigo: ele retira a nossa própria responsabilidade. Quando passamos o tempo todo reclamando de Deus, do mundo e das pessoas, estamos, no fundo, jogando a culpa de nossas insatisfações sobre o outro, eximindo-nos do compromisso de agir para que as coisas sejam diferentes e melhores.
A murmuração também nos cega para as maravilhas cotidianas. Quem vive para reclamar torna-se incapaz de perceber os pequenos e delicados gestos de amor que Deus realiza em nossa caminhada. Esquecemos as inúmeras bênçãos que já recebemos e deixamos de notar que o Senhor caminha lado a lado conosco, sendo o nosso apoio e sustento constante.
Para romper o ciclo da murmuração, propomos um exercício prático: toda vez que o impulso de reclamar surgir, "morda a língua". Faça um breve silêncio, espere um instante e mude a estrutura da sua frase. Substitua a queixa por um agradecimento. Você perceberá como essa mudança de atitude abrirá as portas para que coisas maravilhosas aconteçam em sua vida.
A grande proposta da Palavra de Deus é substituir o reclamar pelo clamar. Clamar significa invocar com fervor a presença do Pai, pedindo sua força e seu amor para realizar bem todas as coisas no momento presente. É acolher o projeto divino com ousadia e assumir a nossa parcela de responsabilidade com coragem.
Mesmo quando as circunstâncias não saem como planejamos, ou quando os nossos recursos humanos parecem se esgotar, a fé nos convida a descansar nos braços do Criador, sabendo que se nós não conseguimos, Deus consegue agir por nós:
Unidos a Nossa Senhora Aparecida, que soube perfeitamente silenciar, acolher e confiar nos planos grandiosos de Deus, entregamos os nossos dias.
Que esta semana seja um tempo de gratidão, de oração e de menos lamentações!
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