Localização: França
Por: Luciana Gianesini
Para falar desta devoção mariana, é preciso conhecer a espiritualidade de São Pedro Julião Eymard, sacerdote francês profundamente dedicado à Eucaristia e fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento.
Pedro Julião Eymard nasceu em La Mure, na França, em 4 de fevereiro de 1811, filho de um casal de comerciantes de profunda fé católica. Desde a infância, esteve próximo da vida de oração e da Eucaristia. Foi ordenado sacerdote em 1834 e, ao longo de sua vida, dedicou-se de modo especial à promoção da devoção eucarística.
Em 1856, fundou a Congregação do Santíssimo Sacramento, dedicada à adoração e à espiritualidade eucarística. Também deixou diversos escritos nos quais desenvolveu sua compreensão do mistério da Eucaristia e da vida cristã a partir dela.
São Pedro Julião Eymard morreu em 1º de agosto de 1868, em La Mure, aos 57 anos. Foi beatificado pelo Papa Pio XI em 1925 e canonizado pelo Papa João XXIII em 1962. Sua memória litúrgica é celebrada em 2 de agosto.
Em sua espiritualidade, São Pedro Julião Eymard contemplou também a profunda relação entre Maria e a Eucaristia. A Virgem, que recebeu em seu seio o Filho de Deus feito homem, é apresentada como modelo para aqueles que desejam viver uma vida de adoração, fé e união com Cristo presente no Santíssimo Sacramento.
Nas Constituições da Congregação do Santíssimo Sacramento, atribuídas à espiritualidade de seu fundador, encontramos essa referência à relação dos religiosos com Maria:
“Inspirar-se-ão na vida de Maria no Cenáculo, onde Jesus instituíra a Eucaristia, inteiramente recolhida na presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, devotadíssima aos cuidados do Seu Culto, toda abrasada no desejo de Sua glória e de Seu amor na terra.” (Constituições, n. 37)
“A fim de serem mais agradáveis a Nosso Senhor em Seu serviço quotidiano, unir-se-ão à SSma. Virgem, como filhas à Sua Mãe; ornadas com seus méritos e virtudes, farão com Maria suas adorações, e, sobretudo, a preparação para a Sta. Comunhão e a Ação de Graças.” (Constituições, n. 38)

O título Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento expressa justamente essa relação entre Maria e o mistério eucarístico. A devoção a Maria sob essa invocação recorda que foi dela que Jesus recebeu sua natureza humana e que, desde a Anunciação, a Virgem viveu em profunda união com seu Filho.
Essa relação entre Maria e a Eucaristia também foi destacada pelo Papa João Paulo II na Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, publicada em 2003. No documento, o Pontífice dedica um capítulo à “Mulher eucarística” e afirma que Maria pode conduzir os fiéis ao Santíssimo Sacramento, pois possui uma profunda relação com o mistério eucarístico. Para João Paulo II, Maria foi, desde a Encarnação, o primeiro “tabernáculo” da história, ao trazer em seu ventre o Filho de Deus.
O Papa também apresenta Maria como modelo da atitude de fé diante da Eucaristia. Assim como ela acolheu pela fé a palavra de Deus na Anunciação, o cristão é chamado a acolher, com fé, o mistério de Cristo presente no Sacramento. Por isso, colocar-se “na escola de Maria” significa aprender com ela a contemplar, acolher e adorar Jesus.
A devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, portanto, conduz o olhar para Cristo e para a Eucaristia. Maria é contemplada como Mãe e modelo daqueles que desejam viver com maior profundidade a participação na Missa, a Comunhão e a adoração ao Santíssimo Sacramento.
Com São Pedro Julião Eymard, os devotos podem invocar Maria: “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e Modelo dos adoradores, rogai por nós.”
Sebastião Aparecido Dias de Lima, Ocds.
Associado da Academia Marial
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