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Bioética na época da 'pós-verdade' na política brasileira (III)

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Na reflexão anterior vimos que o termo “pós-verdade”, como adjetivo, foi consagrado no 2016. Em suma “a verdade dos fatos” é vencida pela emoção e crenças e opiniões pessoais, que não tem compromisso com a verdade.

bioetica

No âmbito sócio-político consagra-se o termo no ano em que a sociedade preferiu boatos aos fatos. Neste momento político brasileiro, diariamente todos os meios de comunicação nos empanturram com notícias a respeito das chamadas “delações premiadas da Odebrecht, chamada operação lava Jata. Esta mistura intencionalmente doações legais que empresas fizeram a candidatos nas eleições com propinas que pagaram a parlamentares, criminalizando a política como um todo... e o eleitorado vai às ruas para apoiar o juiz Sergio Moro e seus cruzados da moralidade pública, sem fazer qualquer ressalva.

É um eleitorado capaz de jurar sobre a Bíblia que o” filho do Lula”, é dono da Friboi e de quase todo no País Estamos num país em que a mídia cultiva o pensamento único, e os brasileiros não têm uma segunda opinião para ouvir e cotejar e acreditar. Uma prática basilar do jornalismo é sempre ouvir o “outro lado”. Não é portanto pelo excesso de versos, que a opinião publica nacional desacredita dos fatos e se nutre de factoides imaginários, cevados na ignorância e no preconceito. (Cf. Carta Capital, Gabriel Priolli – 13/01/2017).

Enfim cria-se uma indústria da pós verdade, das notícias falsas (“fake News”) nas mídias sociais que premiam a mentira e a noticia falsa. O desafio de discernir o que é verdade do que não é verdade aumentou exponencialmente. “A verdade factual” (Hannah Arendt) não pode ser desvalorizada, com checagem de informações, se quisermos uma imprensa ética.

Pesquisa realizadas nos EUA informam que 59% dos leitores só Leem as manchetes das notícias (verdadeiras ou falas) e 25% dos leitores não sabem distinguir as noticiais falsas das verdadeiras, e quando o fazem, ainda acham válida a propagação das informações mentirosas. A “verdade vos libertará, já disse nosso mestre Jesus. Nunca devemos relativiza-la, toma-la pela metade ou desdenhá-la”. Temos um compromisso ético sério com a verdade dos fatos, da vida e dos acontecimentos.

Premiar a mentira, a meia-verdade ou a notícia falsa, nos cerceia a possiblidade de construir um futuro de uma sociedade democrática, “visto que democracia seria apenas um show de entretenimento”! Acrescentamos que não é a toa que o Marketing bem planejado, tornou-se central nas campanhas políticas, sem compromisso com a verdade, mas turbinado por uma postura falsa e sem escrúpulos, que alimenta o vale tudo para derrubar o inimigo ideológico.

Diz ainda Janine Ribeiro que esta tendência de fazer passar a mentira como sendo verdade “traz um elemento triste. Não é apenas falar uma mentira. Ao dizer ´pós´, é como se a verdade tivesse acabado e não importa mais. Essa é a diferença entre pós-verdade e todas as formas de manipulam das informações que tiver antes. É a ideia de que teríamos deixado um tempo em que nos preocupamos com isso e passamos então a um tempo em que seria avançado relativizar ou mesmo desdenhar a verdade”.

Que pensar de uma sociedade que a partir de seus líderes maiores, desdenham a verdade dos fatos e cultivam a indústria da mentira para destruir o outro muito bem orquestrada com um custoso Marketing? Não podemos ser cumplices da manipulação de mentes, e mentiras deslavadas que nos seduzem por se “apresentam esteticamente como verdades” e que acabam alimentando novos fundamentalismos e fanatismos tanto de direita, quanto de esquerda, tanto no mundo secular quanto no mundo religioso. Curioso que neste cenário a “pós-verdade” é apresentada como sendo uma evolução, um avanço de civilizacional e sinal de salvação!

É preciso insistir e repetir incansavelmente dito do Mestre: “Somente a verdade nos libertará” ... Não existe ética e muito menos bioética em nenhum âmbito da vida humana, sem um compromisso com a verdade!

Nova assinatura Pe. Léo Pessini - Colunista

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