Por Lina Boff Em Artigos Atualizada em 24 JUL 2020 - 11H21

A raiz bíblica da fé de Maria: do Antigo ao Novo Testamento




A Tradição popular do culto atribuído a Maria, Mãe de Jesus, nas diferentes devoções das várias e muitas culturas, apresentam Maria como a Mulher que vai de encontro aos fortes traços de cada mãe desta terra que ama seus filhos e filhas, tais como: Maria é aquela que abriga dentro de si os sentimentos mais profundos de afeto, de emoção que levam até às lágrimas de cada pessoa que a invoca. Maria não só é ícone de segurança nos problemas e situações difíceis da vida de cada dia, mas é muito mais porque é a Mulher que ajuda a encontrar respostas adequadas para cada pedra que impede o caminho do caminhante tantas vezes cansado e extenuado. Representa um elixir, isto é, uma água boa de ser tomada e que recupera as forças do corpo e do espirito, bebida que satisfaz os vazios da vida e preenche de força a pessoa que se amamenta do leite terno e eficaz desta Mãe.

A Teologia, feita a partir do Antigo Testamento, que é a reflexão feita da Bíblia Sagrada e da Tradição oral assumida pela Igreja, pouco ou nada falam que esta Mulher vem na linhagem da experiência de fé na vida de muitas mulheres, tais como: a das antigas Mães como Eva, Agar e Sara que, em meio ao áspero e até mesmo humilhante caminho para a cultura daquele tempo, souberam confiar e responder ao chamado de Javé para uma missão junto a seu povo. Não só, mas Maria vem da linhagem e da experiência de fé de outras mulheres fortes na esperança e no amor em busca da vontade de Javé que lhes dava sinais de como deviam agir em favor de seu povo. Entre estas podemos contar com: a experiência de fé das filhas de Jerusalém ou filhas de Sião, como narra o mais belo Canto que celebra o amor mútuo de um Amado e de uma Amada, que se juntam e se perdem, se procuram e se encontram, numa interpretação alegórica do amor humano que transcende a terra para chegar ao céu (cf. Ct 1,5+8,4). A experiência de fé de Maria de Nazaré vem da tradição israelítica em que a figura feminina protagoniza o momento de esplendor e de projeção que aponta para o sentido universal e coletivo da presença de Javé em meio a seu povo. Finalmente, a raiz da fé de Maria é preanunciada e celebrada de forma lírica nos momentos da liturgia israelítica, em que povo refresca a memória de sua caminhada histórica feita de eventos e de fatos que marcam, continuamente, a progressiva revelação do Deus da vida e da razão de viver do povo. Esta lírica religiosa nos foi conservada pelos Salmos.Leia MaisDa Mariologia Bíblica a Dogmática

Tudo isso se atualiza no encontro de muitas mulheres com Jesus, as quais estabelecem com Ele uma relação que ultrapassa a dimensão humana para se dar o direito de adentrar-se numa relação de transcendência. Assim se dá com a hemorroíssa, com a filha de Abrão, herança do povo fiel a Javé. Esta tem o direito de ser incluída junto com todos os seres humanos que aí se encontram, no templo sagrado e de viver a Lei que foi dada para todo o povo, não para estar fora do templo, mas dentro dele e da sua sacralidade. Maria de Nazaré vive e experimenta toda esta longa experiência de fé que, progressivamente, vai encontrando sua plenitude nos Novos Tempos trazidos pelo Filho de Deus, filho de suas entranhas. Esta é a experiência que cada mulher dos nossos tempos, que, como seu SIM como o de Maria, podem fazer e passar para as gerações que crescem e se multiplicam na fé, na esperança e no amor infinito do Pai. 

Irmã Lina Boff, teóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Com dezenas de artigos publicados na Revista de Aparecida, esta grande teóloga agora é articulista do A12.com.

 

 

Leia mais sobre Maria e estudos mariológicos no site da Academia Marial do Santuário Nacional.

 

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