Por Lúcia Muniz Em Artigos

Aliança de amor com Maria – Coração de Schoenstat

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ALIANÇA DE AMOR COM MARIA

CORAÇÃO DE SCHOENSTATT

O que estamos celebrando em 2014?

Qual o mistério, o segredo, o sucesso da Aliança de Amor com Maria?

O mistério da Aliança de Amor com Maria, em Schoenstatt, está no dom gratuito de Deus que escolhe o pequeno e insignificante para suas obras grandiosas. O escolhido, PE José Kentenich que, em 18 de outubro de 1914, em sua palestra para um grupo de jovens congregados revela o seu desejo, a sua ideia predileta. Ele diz para os jovens:

“Ao contemplar as magnificências divinas no monte Tabor, Pedro exclamou encantado: Aqui é bom estar! Façamos três tendas. (Mc 9,5). Estas palavras sempre me voltam à memória e frequentes vezes me perguntei: Não seria possível que a capelinha da nossa Congregação se tornasse o nosso Tabor, no qual se manifestassem as magnificências de Maria? Sem dúvida maior ação apostólica não podemos realizar herança mais preciosa não podemos legar aos nossos sucessores do que mover nossa Senhora e Rainha a estabelecer aqui, de modo especial, o seu trono, distribuir seus tesouros e realizar milagres de graça. (…) Todos que aqui chegarem para rezar, terão de experimentar as magnificências de Maria e confessar: Aqui é bom estar!” [2]

Assim nasce a história centenária de Schoenstatt. O seu mistério está na Aliança de Amor com Maria que transcende a uma entrega radical ou a uma simples consagração. Pela Aliança de Amor passamos a ser aliados de Maria e a tomar parte na missão que Ela tem para o tempo hodierno, a partir do Santuário. A centralidade da espiritualidade de Schoenstatt é a Aliança de Amor. Ela pode ser considerada como o princípio “formal e de formação”, segundo nosso Fundador, PE Kentenich. A Aliança como princípio que dá forma. Que forma? Forma Mariana e princípio formador, ou seja, princípio de educação. Tudo que fazemos deve ter o “colorido” Mariano.

O mistério é, sem dúvida, que ao ato de fé e ao pedido do Fundador, Maria se vincula ao local, transformando-o em Santuário. A este pedido estavam unidos os congregados, parceiros dispostos a oferecer-lhes sério esforço por uma vida de oração, de autoeducação e apostolado afim de que, pela ação conjunta do mundo sobrenatural e das forças humanas, surgisse um lugar para os próprios congregados e para outros interessados, no qual se manifestassem as “glórias de Maria”.

Qual é o segredo?

O segredo da Aliança de Amor está em reconhecer Maria como a nossa Mãe e Educadora. No plano divino, Deus define e eleva a posição de Maria no seu reino, demonstrando toda a sua sabedoria divina. Ele define que, assim, como o seu Filho veio ao mundo pelo caminho de uma mulher, assim, também, nós devemos passar pelo mesmo caminho. Não há outro caminho. Pio X diz que, Maria é o caminho mais fácil, mais curto e mais seguro, à transformação de nossa vida em Cristo que nos conduz a Deus Pai.

Maria é nossa mãe espiritual. Ela nos educa para que nos tornemos perfeitas imagens de Cristo, em todas as situações da vida. PE Kentenich coloca que “Maria é a auxiliar permanente em toda a obra da redenção e, sobretudo, como protetora e educadora”.[3] A Mãe de Deus, como oficial genitora e portadora de Cristo, empenha-se em cumprir sua missão de educadora da humanidade atual. Maria, em Schoenstatt, educa seus filhos transformando-os em instrumentos em suas mãos, para a renovação do mundo.

Qual é o sucesso da Aliança de Amor com Maria?

O PE Kentenich sempre acreditou na Aliança de Amor selada com a Mãe de Deus. Por esta razão ousou afirmar: “À sombra do Santuário hão de se decidir, em grande parte, os destinos da Igreja do futuro”. O que ele quis dizer com essa afirmação? Ele o disse pela confiança na missão que Maria tem para os tempos novíssimos e em nossa participação nesta missão. Qual a missão de Maria para hoje? A mesma: gerar Cristo.

“A Santíssima Virgem escolheu o Santuário como a oficina do novo homem, como a oficina da nova comunidade, tal como Deus o deseja para a Igreja novíssima no tempo novíssimo. Ela própria também deseja utilizar as diversas pessoas e ramos de Schoenstatt como instrumentos perfeitos em suas mãos para a renovação da Igreja”. (Kentenich, 06/10/1966).

O êxito da Aliança de Amor com Maria está no cultivo dos três pontos de vinculação: O Santuário, a Mãe Rainha e ao Fundador-PE José Kentenich. Os três pontos de contato conduzem os membros da Família de Schoenstatt à santidade e os capacita para um apostolado fecundo e estável.

O Santuário é vinculação ao local, ao espaço físico onde eu sei que Maria está presente para me acolher como filha (o) e escutar os meus louvores e súplicas. No Santuário eu me educo, sou abrigada (o) no seio da Mãe amorosa que, com sua docilidade, me conduz a Ele, seu Filho, dizendo: ”Faça tudo o que Ele vos disser”. O Santuário é o nosso lar, nosso porto seguro. Quando nele estamos, tudo se aquieta, há uma profunda paz que nos fortalece para retornar ao mundo mais firmes para a nossa missão.

A Mãe Rainha, Maria é o sinal de esperança entre os meios sobrenaturais. Ela é a tábua de salvação por excelência, como o Grande Sinal, a Vencedora de todas as batalhas, a Estrela da Nova Evangelização, a Aurora dos Novos Tempos, a Anunciadora do Reino Universal de Cristo.

O Padre Kentenich é fundamentalmente o profeta de Maria. É ele mesmo que nos diz: “desde cedo que descobri que a minha missão era anunciar as glórias de Maria”. Kentenich, um intérprete do tempo. “Se quisermos ajudar a transformar o mundo, precisamos estar com o ouvido no coração de Deus e a mão no pulso do tempo”. Desde cedo, com um olhar clarividente reconheceu que, em nossos dias, estamos diante de uma profunda transformação histórica, de uma mudança de épocas. Descreveu com detalhes e traços marcantes, os tempos futuros. Apontou os males e perigos, suas causas e consequências, mas, também as soluções.

O ser humano foi criado como um centro de relações, aberto para todas as direções, Deus, pessoas, coisas, lugares, ideias… Estes constituem para o ser humano polos de relações, que se atrai, se enriquecem e se sustentam mutuamente. Formam o organismo natural e sobrenatural de vinculações sendo o amor, a força propulsora, que torna o homem capaz de abrir-se à pessoa do outro, à sua originalidade, acolhendo-o, num contínuo dar e receber. São os vínculos que dão ao homem segurança e energia vital.

O organismo das vinculações tem um tríplice aspecto: vinculação às pessoas, às ideias e a lugares.

Vinculação às pessoas: Receber amor e dar amor às pessoas concretas é o meio privilegiado para o desenvolvimento do ser humano e ponte para nossa vinculação a Deus, às coisas divinas.

Vinculação às ideias: Esta vinculação vem da necessidade, que temos de interpretar o mundo, de conhecer e descobrir as coisas. Não se trata de acumular conhecimentos, de ter grande capacidade intelectual. O importante é o arraigamento num conhecimento claro e suficientemente profundo, que nos sustenta e nos guia, por ser uma verdade, aceita por nós interiormente. Estes vínculos nos proporcionam segurança, abrigo, visão ampla do mundo e possibilidade de contato enriquecedor com a realidade.

Vinculação a lugares: São importantes, pois o ser humano sempre vive em algum lugar e isto lhe confere sentimento de lar e de abrigo. Os lugares só passam a ter um significado em nossa vida, quando começam a fazer parte de nossa existência e de nossa história. O ambiente físico fala ao ser humano e lhe desperta valores, experiências, vivências e necessidades. Quando um determinado ambiente físico é o âmbito de encontros com pessoas e de contato com coisas estimadas, esse lugar passa a ser possuído interiormente pelo homem.

A Aliança de Amor com Maria, cultivada pelo Movimento Apostólico de Schoenstatt, nos insere em um mundo de vinculações de maneira muito orgânica. É ela a alma, a vida, o cerne, o pequeno mistério, o segredo e o sucesso que fundamenta o acontecimento em Schoenstatt, em 18 de outubro de 1914 e, garante tudo que se propõe a conquistar como Movimento Apostólico ao longo da história para a Igreja, “rumo aos novos tempos que virão”.

 

 

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