Por Pe. Jonas Eduardo G. C. Silva Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 11H29

Assunção de Maria

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POR QUE UM CRISTÃO PODE AFIRMAR COM SEGURANÇA – MOVIDO PELA VIRTUDE TEOLOGAL DA FÉ – QUE A MÃE DE JESUS CRISTO FOI ASSUNTA AO CÉU EM CORPO E ALMA? Motivos

  1. Argumento bíblico explícito => Possivelmente durante a cruel perseguição do imperador Domiciano contra os cristãos (94-96 d.C.), o Apóstolo s. João redigiu o livro do Apocalipse. Domiciano havia intensificado o culto à sua pessoa, fazendo-se chamar “deus e senhor” e erigindo estátuas em sua honra. O Apocalipse é uma espécie de teologia da história, cujo tema central é a luta entre o mal e o Bem, no qual o Cordeiro de Deus é o grande vitorioso. No cenário celestial – repleto de personagens simbólico-concretos (os 4 Viventes, os 24 Anciãos, os Anjos, as 2 Testemunhas etc. – eis que o Apóstolo tem uma visão: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas; estava grávida (...) Ela deu à luz um filho varão, que regerá todas as nações com cetro de ferro. Seu filho, porém, foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono, e a Mulher fugiu para o deserto (...) Ao ver que fora expulso para a terra, o Dragão pôs-se a perseguir a Mulher que dera à luz o filho varão” (Ap 12,1-2.5-6.13s)[i]. Certamente há detalhes no texto que se aplicam à comunidade dos discípulos de Jesus – p. ex., as dificuldades dos primeiros convertidos para o Cristianismo, bem como os desafios para perseverarem na fé, esperança e amor (perseguições sob ameaça de martírio)[ii]; todavia, há elementos no texto/contexto que apontam para a Mãe de Jesus:

a)     É de se notar, antes do mais, que, em seus outros escritos, s. João faz direta referência à Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo: no primeiro milagre (Jo 2,1-12) e na sua “hora”, a cruz (Jo 19,25-27) – em que João recebeu Maria “em sua casa” (lit. “entre suas próprias coisas”). Além disso, em Atos 1,13-14 vemos a Mãe de Jesus junto aos Apóstolos (entre os quais está “João”). Isto demonstra que havia uma direta e especial relação entre o Apóstolo João e a mãe de Jesus[iii].

b)     O texto de Ap 12 apresenta claros elementos que só se aplicam satisfatoriamente a Maria, em que fatos do seu passado (Nascimento de Jesus), presente (Glorificação como ressuscitada) e futuro (vitória sobre o mal como membro da Igreja) se entrecruzam:

I – Maria é chamada de “Mulher” (apelativo solene) nos textos joaninos em Jo 2,1-12 e Jo 19,25-27 – e não se fala de “alma” de uma mulher (como se utiliza em Ap 6,9-11);

II – Maria é a única que, historicamente, gerou aquele que “regerá todas as nações” (Ap 12,5)em Lc 1,32-33 o Anjo Gabriel declara a Maria que o seu Filho “reinará... para sempre”;

III – É normal que Maria esteja vestida “com o sol”, pois Ela esteve intimamente unida (como mãe e crente) Àquele que é chamado de “Astro das alturas” (Lc 1,78), a “Luz do mundo” (Jo 8,12) – assim se realiza plenamente a Palavra que diz que Deus “exalta os humildes” (Lc 1,52), i.e., aqueles que confiam, sobretudo e sempre, na graça divina;

IV – Na teologia dos “sinais” do Novo Testamento, um dos primeiros que manifestaram o advento do Reino de Deus é justamente “o recém-nascido” junto com Maria e José (Lc 2,12.16);

V – A inimizade que existe entre o Messias e o Dragão/Serpente é, por extensão, a que existe entre os seus discípulos e o maligno – e, mais ainda, entre a Mãe do Messias e o maligno, conforme a profecia de Gn 3,15, chamado pelos estudiosos de “protoevangelho”[iv];

VI – A vitória de Cristo/Cordeiro sobre o “acusador” (Ap 12,10) nos remete às dores da Cruz redentora, ante a qual estava Maria (Jo 19,25-27), que intimamente participou dos sofrimentos do seu Filho, segundo a profecia de Lc 2,35;

VII – “Em Ap 12,5 a citação do Sl 2,9 também obriga a identificar o filho ao rei-messias”[v] – e por isso a Mulher é sua mãe, participando de sua realeza na condição de Rainha-Mãe (gebiráh – cf. 1Rs 2,19);

VIII – A fuga para o deserto de Ap 12,6 nos faz lembrar de Mt 2,13-23, quando Maria e José tiveram de fugir do tirano Herodes que queria matar Jesus (talvez tenham ficado 2 anos e meio no Egito)[vi] – assim como as primeiras perseguições aos Apóstolos (cf. At 8,1-3), que não poupavam as mulheres, em virtude das quais muito provavelmente a Mãe de Jesus também teve de se proteger[vii];

IX – Mesmo que o “rapto” do Menino-Messias tenha relação com o “Mistério pascal”[viii], como opinam alguns estudiosos, naturalmente que deste mistério participa, intensamente, a Mãe sempre fiel, “bem-aventurada aquela que creu” (Lc 1,45);

X – Não se pode exagerar no recurso aos simbolismos presentes no Apocalipse; há nele também “eventos históricos”, “pessoas bem concretas”[ix] – no caso de Ap 12, não apenas se dirige à Igreja perseguida pelo poderes do mal (visíveis/invisíveis), mas nos remete a Jesus e Maria.

c)      Teólogos de renome destacam que Ap 12 tem relação com a Mãe de Jesus. Por exemplo: “A compreensão de que a Mulher de Ap 12 se identifica também com a Virgem Maria não é, de modo algum, artificial e acomodatícia, mas encontra apoio no próprio texto do livro em foco” (BOFF, Clodovis. Mariologia social. O significado da Virgem para a Sociedade. S. Paulo: Paulus, 2012, p. 389). Inúmeros estudiosos (exegetas/teólogos) entre 1960-1990 reconheceram a dimensão mariana de Ap 12 (Pavol Farkas; Aristide Serra; Alberto Valentini; etc.).

d)     A interpretação mariológica de Ap 12 remonta ao século III d.C. (cf. Apócrifo “A história de José, o carpinteiro”; s. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios 19). Será posteriormente adotada por vários cristãos, sobretudo os grandes estudiosos da escolástica (séc. XI em adiante)[x]. Escreve S. Agostinho (ou, mais provavelmente, um dos seus discípulos, no séc. V), após citar textualmente Ap 12,4: “Esse dragão é o demônio, como o sabeis. E essa mulher é a Virgem Maria, que, virgem, deu à luz nossa Cabeça. Era virgem e, além do mais, a figura da santa Igreja[xi]. Ecumênio, na 1ª metade do século VI, não hesita em declarar que a Mulher de Ap 12 é Maria, que está grávida do Sol, Cristo. Se muitos Santos Padres evitaram em falar abertamente nestes, possivelmente, segundo os estudiosos, isto se deveu ao fato de que havia exageros em relação a Maria naquele período (p. ex., seita das koliridianas, na Trácia e Arábia, séc. IV), além do risco de alguns, indevidamente, associarem Maria a alguma deusa (Ísis ou Cibele)[xii].

  1. Argumento escriturístico indireto (Raciocínios bíblicos) => “A mulher que teme o Senhor merece louvor” (Prov 31,30b). Dentre todas as mulheres da Bíblia e da história da Igreja, destaca-se Maria. Ora, se Elias, o grande profeta (mas que cometeu pecados e falhas), foi arrebatado num redemoinho aos céus (cf. 2Rs 2,1ss), por que o Pai não poderia levar aos Céus Aquela que, mais do que Elias, foi unida ao Senhor pela fé, esperança e caridade? Moisés, que foi punido por Javé (Dt 32,51-52), aparece junto com Elias ao lado de Jesus no monte da Transfiguração (Mc 9,3-5), e se crê que também foi arrebatado (cf. Jd 9). Segundo Gn 5,23-24, o misterioso Henoc também foi levado aos céus (cf. Eclo 49,14; Hb 11,5)[xiii]. – Atenção: mais do que Abraão, Moisés, Elias ou qualquer outro do Antigo Testamento, Maria acreditou e foi fiel[xiv], além de haver recebido a maior graça[xv]que alguém poderia receber: ser Mãe do Filho de Deus que se encarnou (Jo 1). – Mais do que ninguém unida ao Filho de Deus, era conveniente que também participasse da sua glorificação – Ele que prometera: “e quando for e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,3). – Após acompanhar a Igreja nascente (não se sabe a data exata - ? 50 d.C.), Maria é levada para junto do Filho (uma das “primícias” – 1Cor 15,20s). Se o Novo Testamento não quis narrar o episódio, isto se deve: - ao objetivo dos textos sagrados, que é de testemunhar, sobretudo, que Jesus é o Cristo, Senhor e Salvador, sem narrar todos e cada um dos fatos relacionados a Ele (cf. Jo 20,30s; 21,25); - à natureza dos textos do Novo Testamento, que não são crônicas ou enciclopédias (no sentido atual de que devam registrar todos e cada um dos fatos ocorridos de Abraão à morte do último Apóstolo (João), mas o que é essencial para a nossa santificação e salvação.
  2. Argumento da Sagrada Tradição cristã => A tradição (em grego parádosis) vai paulatinamente tomando consciência de que Maria não morreu. Santo Epifânio, Bispo de Constância (atual Chipre), afirmou lá pelo ano 377 d.C. sobre a morte de Maria: “A Escritura conservou um absoluto silêncio pela grandeza do prodígio” (Panarion, Haer. 78, nn. 10s.23)[xvi]. Os cristãos vão afirmar progressivamente que ela foi “elevada aos céus” em corpo e alma, graça em sintonia com a sua íntima união ao mistério pascal. Como Mãe do Rei (Lc 1,32s), ocupa uma posição especial no céu, sendo por isso chamada de “rainha” (Lutero, no seu comentário ao Magnificat, também chama Maria deste modo!). S. Efrém, o Sírio (séc. IV), diz num dos seus hinos: “O céu não foi tua mãe, e fizeste dele o teu trono. Ora, quanto mais se deve honrar e venerar a Mãe do Rei, do que o seu trono!” (Hymni de B. Maria). Já antes do Concílio de Éfeso (431) a Igreja afirmava a assunção de Maria: “A Virgem é imortal até agora, pois Aquele que habitou nela a levou às regiões da assunção” (Timóteo de Jerusalém, In Prophetam Simeonem, séc. V). Também S. Gregório de Tours (+593 d.C.) afirma explicitamente a Assunção, escrevendo que o Senhor ordenou que o corpo de Maria fosse “levado sobre uma nuvem ao paraíso” (De gloria beatorum martyrum, 4)[xvii]. Por sua vez, o grande S. Agostinho declara: “Era justo ficar isenta de corrupção aquela que fora inundada com tantas graças” (Tractatus De Assumpt. B. M. Virginis, 5.7.8). A partir do século VII, na igreja greco-bizantina, inúmeros serão os testemunhos da assunção de Maria (s. Modesto de Jerusalém, s. Germano de Constantinopla, s. André de Creta, s. João Damasceno, s. Cosme Melódio, s. Teodoro Studita etc.)[xviii].

 

Observação importante => De um lado, a Bíblia nos ensina que não devemos deturpar a Palavra divina com tradições humanas (cf. Mt 15,2-6; Mc 7,3-13), que, por vezes, nos podem cegar (cf. Gl 1,14). Contudo, ao mesmo tempo, as Escrituras – que dependem elas mesmas de diversas tradições orais[xix]– nos ensinam: 1Cor 11,2: “Eu vos louvo por vos recordardes de mim em todas as ocasiões e por conservardes as tradições tais como vo-las transmiti” (ver também: 2Ts 2,15; 2Ts 3,6). E também s. Paulo exorta: 1Tm 6,20s: “Timóteo, guarda o depósito” (ver também: 2Tm 1,12.14; 2Tm 2,2). Não somente o texto sagrado escrito é alimento para a nossa fé, mas também aquilo que nos é transmitido oralmente (cf. 1Ts 4,1-2; 2Ts 2,5; 1Cor 15,1-8; Hb 2,3;) pela comunidade crente desde os primórdios do cristianismo (cf. CONGAR, Yves, La tradizione e le tradizioni, Roma: Paoline, 1960).

 

  1. Argumento litúrgico => A Igreja celebra este mistério desde tempos antigos. A liturgia oficial de uma igreja é um testemunho vivo e solene de sua fé, como reza antigo adágio: lex orándi, lex credéndi (a norma da oração é a norma da fé). No centro está o mistério de Cristo, que ilumina todo o cosmos e história. Segundo se tem notícia, a partir do século VI d.C. (cf. Vida de s. Teodósio, ano 529 d.C.) se difunde no Oriente cristão a celebração litúrgica da Dormítio ou Koimesis de Maria, apoiada pelo imperador Maurício (lá pelo ano 600 d.C.), que reconheceu o dia 15 de agosto como sua festa (data que também a igreja armênia reconhece). Mas estudiosos indicam que pode refletir uma tradição mais antiga, talvez do IV século[xx].Na igreja cristã copta, celebrava-se a data da morte de Maria e logo em seguida a sua ressurreição nos dias 6 de janeiro e 9 de agosto. Também a igreja cristã da Abissínia conservou estas datas. Em Roma, já no século VII, sob o Papa Sérgio I, celebrava-se a Festa da Dormição de Maria. No século seguinte a festa passou para a França, Inglaterra etc., tomando o título de Assumptio S. Mariae[xxi].
  2. Argumento eclesiológico => Ao longo dos séculos, o povo de Deus, que cultiva a sua fé de um modo autêntico, é guiado pelo Espírito de Deus, que é o Espírito da Verdade. Neste sentido, pode-se afirmar que Deus fala através do povo fiel. É o que se costuma chamar “senso da fé” ou “dos fiéis” – isto é, uma sensibilidade sobrenatural para as coisas de Deus. O povo cristão, em sua maioria, sempre acreditou que a Santíssima Mãe de Jesus, Filho de Deus, não poderia ter o seu corpo corrompido pela terra, assim como o seu Filho[xxii]. Em seu estudo sobre o tema (jun/2014), a Comissão Teológica Internacional nos apresentou o fundamento disto: “Em seu discurso de despedida, no contexto da Última Ceia, Jesus prometeu aos seus discípulos o “Advogado”, o Espírito da verdade (Jo 14,16.26; 15,26; 16,7-14). O Espírito recordará as palavras de Jesus (Jo 14,26), e os tornará capazes de dar testemunho da Palavra de Deus (Jo 15,26-27), “ele estabelecerá a culpabilidade do mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento” (Jo 16,8), e “introduzirá” os discípulos na “verdade plena” (Jo16,13). Tudo isso acontece graças ao dom do Espírito Santo através do mistério pascal (...)” (O Sensus fidei na vida da Igreja, n. 14).
  3. Argumento teológico => “Entre os escritores sagrados que (...) com vários textos, comparações e analogias tiradas das divinas Letras, ilustraram e confirmaram a doutrina da assunção em que piamente acreditavam, ocupa lugar primordial o doutor evangélico s. Antônio de Pádua. Na festa da assunção, ao comentar aquelas palavras de Isaías: "glorificarei o lugar dos meus pés" (Is 60,13), afirmou com segurança que o divino Redentor glorificou de modo mais perfeito a sua Mãe amantíssima, da qual tomara carne humana. "Daqui, vê-se claramente", diz, "que o corpo da santíssima Virgem foi assunto ao céu, pois era o lugar dos pés do Senhor". Pelo que, escreve o Salmista: "Erguei-vos, Senhor, para o vosso repouso, vós e a Arca da vossa santificação". E assim como, acrescenta ainda, Jesus Cristo ressuscitou triunfante da morte e subiu para a direita do Pai, assim também "ressuscitou a Arca da sua santificação, quando neste dia a virgem Mãe foi assunta ao tálamo celestial"[xxiii].
  4. Argumento magisterial => O Sucessor do Apóstolo Pedro (Bispo de Roma, Papa), a quem Jesus confiou a missão de apascentar a sua Igreja e confirmá-la na fé (cf. Mt 16,16-18; Lc 22,31ss; Jo 21,1ss), confirmou oficialmente esta verdade, guiado pelo Espírito => foi o Papa Pio XII, com a Constituição apostólica Deus munificentíssimo, emanada no dia 1º/11/1950. Não foi um ato arbitrário, mas ancorado no testemunho de diversas fontes, após um longo tempo de discernimento espiritual. – O Concílio Vaticano II, na Constituição Luz dos Povos (21/11/1964), ratificada pelo Papa Paulo VI, confirmou esta doutrina de fé: “Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Apc. 19,16) e vencedor do pecado e da morte” (n. 59). É o Espírito de Deus nos falando pelos lábios dos sucessores de Pedro Apóstolo!
  5. Argumento dos convertidos => Ex-protestantes que ingressaram na Igreja Católica (a única Igreja que nos anos 2027-2030 d.C. poderá dizer que completa 2 mil anos de história) defendem a assunção de Maria. Por exemplo, o renomado ex-pastor e professor protestante Scott Hahn, no seu livro Salve, Santa Rainha: A Mãe de Deus na Palavra de Deus, afirma claramente que “Cristo trouxe a arca da nova Aliança para habitar no Santo dos Santos, no templo da Jerusalém celeste. Essa verdade é a que professamos como a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria (...)” (Lorena: Cléofas, 2015, p. 85).

Observação: Já em 1539 o reformador protestante Heinrich Bullinger defendeu que o “sacrossanto corpo” de Maria foi “levado ao céu pelos anjos”[xxiv]. O diálogo ecumênico entre as igrejas cristãs tem avançado. Em 1983 o Congresso de Malta (católicos, ortodoxos, luteranos, reformados, anglicanos) reconheceu, à luz de Ap 12, que no Céu se dá a “oração de Maria por nós”, no mistério da “Comunhão dos santos”. Em 1999 o Grupo de Dombes publicou o estudo conjunto intitulado “Maria nos desígnios de Deus e na comunhão do santos” em que se destaca o papel de Maria no Céu, sempre unida ao seu Filho e aos seus discípulos. Na tradição da Igreja ortodoxa Maria morreu e, como seu filho, ressuscitou ao terceiro dia. Em geral, na igreja anglicana e episcopal se conserva também a memória da assunção de Maria.

  1. Argumento místico-mariofânico => A Mãe de Jesus, já glorificada em corpo e alma no Céu, veio nos visitar espiritualmente várias vezes[xxv]=>Um outro sinal forte da importância de Maria para a vida do cristão é o fato de ela – com a permissão divina – nos ter visitado em vários momentos para nos recordar o ensinamento do seu Filho: as chamadas “aparições” ou “mariofanias” (em particular, pela sua repercussão mundial, Lourdes, 1858, com 65 casos de cura confirmados, e Fátima, 1917 – neste último houve o extraordinário sinal no sol). Os indícios da veracidade destes acontecimentos são: a doutrina conforme a Escritura, as profecias cumpridas, as inúmeras conversões, o reavivamento da fé e os milagres extraordinários (acompanhados da aprovação oficial da Igreja). Em outros casos trata-se de alguma graça extraordinária obtida pelo seu patrocínio; parece que a primeira delas se deu no ano 352, em Roma (pelo que recebeu o título carinhoso – como sempre ocorre – de “Nossa Senhora das Neves”). O Papa João Paulo II atribuía à milagrosa intervenção de Maria o fato de haver sobrevivido ao atentado de 13/5/1981.
  2. Argumento histórico-antropológico => Nenhuma igreja, seja do Oriente ou do Ocidente, jamais se vangloriou de possuir o corpo de Maria ou parte do mesmo. Mostra-se o seu sepulcro em Jerusalém, outros pretendem que seja em Éfeso[xxvi]; como quer que seja, trata-se sempre de um sepulcro vazio. O senso cristão sempre fui cuidadoso com as relíquias dos santos; no caso dos despojos de Maria, nada se guarda[xxvii]. – Ao mesmo tempo, foi somente com o passar dos séculos que a Igreja cristã foi afirmando com clareza, firmeza e constância que Maria foi assunta ao Céu. Isto respeita uma lei bíblica: o povo de Deus sempre foi lento para tomar consciência dos mistérios divinos, sobrenaturais. Não é verdade, por exemplo, que somente após 2 mil anos (de Abraão, ano 1900 a.C., a Jesus, ano 30 d.C.), vão descobrir que o único Deus é Pai-Filho-Espírito, que devemos amar os inimigos, que não é lícito apedrejar mulheres adúlteras, que o matrimônio confirmado por Deus é indissolúvel e assim por diante? De fato, ontem e hoje, somos “lentos de coração” (Lc 24,25).

Conclusão: Os argumentos a favor da graça da Assunção em corpo e alma concedida a Maria pelo Senhor Todo-Podoroso são mais consistentes do que contra. Por isso, repito as palavras do ilustre s. Afonso de Ligório, em seu célebre livro Glórias de Maria (mais de 800 edições): “Alegremo-nos, pois, com Maria, pelo excelso trono em que Deus a sublimou no céu” (3ª ed., Aparecida: Santuário, 2014, p. 351).

 

Oração

Maria, Mulher vestida de Sol, tu estás junto ao Trono do Teu Filho, o Cordeiro Vitorioso,

Gloriosamente ressuscitada, em corpo e alma, pois, como ensina a Escritura, para Deus, nada é impossível.

Estás coroada de 12 estrelas, pois sois herdeira do Antigo Testamento (12 tribos) e associada ao novo povo de Deus (12 apóstolos).

Apocalipse 5,8 e 8,3 nos ensina que nossas orações são apresentadas a Deus pelos habitantes do Cèu.

Por isso, Maria Assunta ao Céu, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

 

Em homenagem a Maria Mãe de Deus e nossa – P. Jonas Eduardo G. C. Silva – Joinville, 27.2 e 4.3.2016.

 

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