Por Pe. Mauro Negro, OSJ Em Artigos

Ave Maria! Por ti, o Senhor está conosco!

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A Anunciação é a entrada definitiva de Deus na nossa História.
Maria é a “porta” desta entrada.

 

 

O dia 25 de março acontece nove meses antes do Natal. Isto não é um “acaso litúrgico”, mas é proposital. É o início do Mistério da Encarnação. É a Solenidade da Anunciação, muito importante para o Cristianismo. Ela define toda a nossa Fé. Sem a Encarnação não existiria a Redenção e a Salvação. Estas palavras, Encarnação, Redenção e Salvação, precisam ser compreendidas para fazerem o efeito que desejam. Falemos da “Encarnação”.
Tem a ver com “carne”, isto é, “matéria”, matéria viva, “tecido vivo”. Às vezes algumas pessoas, de boa vontade e devotas, criam ou seguem uma religião muito desligada da realidade. Dizemos até “desencarnada”. Ora, no Cristianismo a realidade é muito importante, pois a Encarnação é a entrada de Deus na nossa realidade, na nossa matéria, nossa “carne”, literalmente. Nosso Deus não é de ideias, de sentimentos e de fantasias. Não é um Deus também ligado apenas a um outro mundo, ao céu. Pelo contrário! Deus se faz um Ser Humano Verdadeiro: Jesus Cristo. E isto acontece pela permissão de uma Mulher, Maria, apoiada por seu Esposo, José.
Na Revelação bíblica vemos Deus se interessando pelo seu povo. No Êxodo 3,7 lemos a palavra de Deus que se comunica a Moisés, preparando a libertação do Povo: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores; pois eu conheço as suas angústias.” Em outros textos do Antigo Testamento encontramos afirmações de que Deus se compromete com seu Povo, embora nem sempre este Povo esteja disposto a aceitar seu Deus.
O compromisso de Deus com seu Povo se estendeu ao longo do tempo e vai se tornando cada vez mais intenso. Nos Profetas, em Isaías, encontra-se a imagem do Servo do Senhor. Ele se compromete totalmente com o Povo de Deus, mas também se torna um marco intenso para os outros povos, que ele chama de “nações”: …assim agora nações numerosas ficarão estupefatas a seu respeito, reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido (Isaías 52,15).
Os hebreus esperavam intensamente esta figura decisiva e a chamavam de Messias. A anunciação a Maria, em Lucas 1,26–36, e a José, Mateus 1,18–25, marca a entrada deste Messias na história. Ele não é apenas um homem: é Deus que se faz homem. Mas verdadeiro Ser Humano.
A entrada de Jesus no mundo começa acontecer na Anunciação. O dia 25 de março é a co-memoração do Evento chamado Encarnação. Jesus é o Messias, o Salvador. Um Deus tão comprometido assim com o ser humano surpreende e encanta.
A Anunciação de Jesus a Maria, esposa do Justo José, marca o amor intenso de Deus. Nós podemos, com admiração e gratidão à Mulher que permitiu tudo isso, repetir com o Anjo: “Ave Maria, cheia de Graça!…”

Pe. Mauro Negro, OSJ
Biblista PUC São Paulo
mauronegro@uol.com.br

Associado da Academia Marial

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