Por Leonardo C. de Almeida Em Artigos

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015: Jarro e bacia às mãos!

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015:

Jarro e bacia às mãos!

Aproxima-se o tempo quaresmal, no qual se evidencia a cruz de Cristo como sinal de conversão e penitência. Assim, tomamos também as nossas cruzes e nos associamos a Nosso Senhor dos Passos, passando pelo Calvário e chegando, com Ele, à Páscoa da Ressurreição. Mais uma Quaresma, mais uma Campanha da Fraternidade como proposta concreta de conversão pessoal, comunitária e social nesta época propícia à mudança de vida! O tema deste ano: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”; e o lema: “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45).

Em Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que nos resgata de nossas culpas, Deus se faz servidor do seu povo: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos” (Mc 10,45). Nesse sentido, a Igreja de Cristo, a exemplo de seu Mestre, servidor da vida e da esperança, veste o avental do serviço e toma a jarra e a bacia do Lava Pés, redescobrindo sua vocação de servidora e anunciadora do Reino libertador para os pobres, doentes, excluídos e sofredores. A Igreja está inserida na sociedade. Não pode ignorar, então, os desafios lançados pela realidade social, que deve ser transformada pela ação evangelizadora e missionária dos cristãos. Assim já o propunha o Concílio Vaticano II, cujos ecos continuam a ressoar, cada vez mais intensamente, na vida da Igreja, compreendida pelo mesmo Concílio como “Igreja – Reino de Deus, Comunidade dos que creem, novo Povo de Deus”.

 

Os cristãos são o sinal do Evangelho 

A sociedade é formada por companheiros, isto é, pessoas que, unidas por um ou vários ideais ou características, constituem um grupo social. As pessoas têm a capacidade de transformar a sociedade para o bem na medida em que se deixam guiar por valores de justiça, paz e solidariedade. Cabe aos cristãos, que também compõem a sociedade e, portanto, são a presença da Igreja nela, apregoar e viver esses valores, ajudando a recriar a sociedade a partir do serviço aos que sofrem. Os cristãos são o sinal do Evangelho vivo no meio da sociedade, expressão do Cristo servidor que volta seu olhar para os que peregrinam pelas vias dolorosas da doença, da exclusão, da opressão, da economia egoísta que visa apenas o lucro, do desemprego e das condições indignas de trabalho, das drogas, do álcool, da miséria, da injustiça, da violência, da falta de escolas, hospitais e moradia, do desrespeito à criação e de tantos outros males que assolam a sociedade.

Em sua história, a Igreja sempre atuou nas sociedades. Os cristãos não podem se alienar em relação à realidade social em que estão inseridos, repleta de divergências e tomada, cada vez mais, por uma mentalidade egocêntrica, novos recursos tecnológicos, avanços científicos e uma pluralidade cultural e religiosa. Nesse sentido, a Igreja deve ser, por meio das pastorais sociais e das ações individuais de cada cristão, sinal de diálogo; promotora da paz; combatente da violência e da corrupção; defensora dos pobres, dos sofredores e das minorias excluídas; protetora da dignidade humana, dos direitos fundamentais e da natureza; participante da reforma política e dos conselhos e entidades responsáveis por decisões sociais em vista do bem comum. Embora a Igreja não esteja vinculada a um sistema político, por meio de cristãos engajados, deve fazer ecoar sua voz também na sociedade política, em benefício da sempre atual “evangélica opção preferencial pelos pobres”.

A CF realizará a Coleta Nacional da Solidariedade no Domingo de Ramos e da Paixão, este ano a 29 de março. Trata-se essa oferta de um gesto de partilha e fruto concreto de nosso empenho quaresmal de conversão. Assim, a coleta é destinada aos pobres e ao combate à fome por meio de obras sociais da Igreja.cartaz campanha da fraternidade 2015

Volta-se nossa atenção, neste momento, ao Papa Francisco, amigo dos pobres e profeta de um novo tempo de libertação e justiça. É sua foto, realizando o gesto do Lava Pés na Missa da Quinta-feira Santa do ano passado – o qual recorda o mandato do serviço que Jesus faz aos seus discípulos – que ilustra o cartaz da CF-2015. Sempre atento à resposta que a Igreja de Jesus deve dar aos apelos apresentados pela sociedade, diz-nos o Santo Padre: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. Então… Corações solidários, jarro e bacia às mãos e avante!

  

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