Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H39

Dia internacional da mulher

rosa

Foto: Thiago Leon
Foto: Thiago Leon
Nossa Senhora Aparecida

Na data de 08 de março se comemora o Dia internacional da mulher. A minha reflexão inspira-se na Bíblia. Movidos por nosso amor a causa de Jesus Cristo, pensamos a vida, a história, os desafios sociais. Guiados pelo Evangelho vamos ao encontro dos anseios humanos sem fugir da luta por um mundo melhor. 

Qual foi a origem do Dia internacional da mulher? Aconteceu nos Estados Unidos na cidade de Nova York uma greve das operárias das indústrias têxteis, no dia 8 de março de 1857. Elas reagiram às péssimas condições de trabalho. Exigiram a igualdade salarial e a redução da jornada de trabalho. De 14 horas diárias reduzir para 10. Imagine você como era um dia de trabalho da mulher. Hoje a lei trabalhista estabelece 8hs diárias. Mas há países em que já é menos. O que aconteceu com aquela greve em Nova York? Reprimiram-se violentamente as manifestações das operárias nas fábricas. E 129 delas morreram queimadas no seu ambiente de trabalho. Fato chocante que incomodou a consciência dos povos. Passados muitos anos, em 1975, a ONU institucionalizou o dia 8 de março como o Dia internacional da mulher. 

 Olhemos agora o Gênesis, primeiro livro da Bíblia Sagrada. Ali a mulher é obra divina. É parceira querida por Deus na transmissão da vida sem distinção de igualdade com o homem. Os dois criados à sua imagem e semelhança. Apesar da cultura patriarcal em que foi escrita, esta igualdade fundamental homem-mulher, está declarada no Gênesis, logo no início do 1º capítulo, como vontade do poder criador divino. Seria uma interpretação equivocada imaginar a partir do capítulo 2º qualquer dependência ou submissão da mulher ao homem só porque ali está narrado que ela foi feita da costela de Adão. A narrativa tem um alto simbolismo. O sono profundo no qual Deus pôs Adão significa a ação misteriosa do Senhor na criação da mulher. Ao dar-se conta de quem ele era, “o homem descobriu a mulher como um outro “eu”, como seu próprio rosto. Deus os criou um para o outro numa comunhão de pessoas, iguais enquanto pessoas e complementares enquanto masculino e feminino” (Bíblia de Aparecida). Homem e mulher são iguais: na dignidade da criação e na nobreza do amor. De modo que poderíamos fazer uma leitura feminista do livro sagrado: Deus é “ele” e é “ela”. É pai e é mãe! Sua natureza infinita está de alguma forma assemelhada dentro da natureza humana dos dois sexos. Ou seja, o feminismo é também um dos eixos de leitura da Bíblia. Assim sendo, ao lado do marido, a mulher cria e educa os filhos para Deus e não só para o mundo dos homens.O certo é que a figura da mulher, na sua dignidade, na sua função, no seu feminismo, está presente na Bíblia, do começo ao fim. Do livro do Gênesis ao do Apocalipse. E quem melhor a representa é Maria, a mãe do Messias. Falou-se do Messias? Está suposta a sua mãe, a mulher por excelência. A nova Eva que no Gênesis substitui a primeira exatamente quando esta fracassa. Assim os judeus – cristãos reinterpretaram o livro do Gênesis, na história da culpa original. Aí Deus amaldiçoa a serpente que é o símbolo do tentador, com estas palavras: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a descendência dela: esta te ferirá a cabeça e     tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15) Nós vemos aqui uma referência ao mistério da nossa salvação em Jesus Cristo, descendência da nova mulher. A mesma que São João vê aos pés da cruz no momento supremo da vida de Jesus. Agonizante ele olha ali sua mãe e o discípulo amado e faz o seu testamento oral: entrega a mãe -a quem chama de mulher- ao discípulo, e este à mãe. Em Lucas, Maria é a mulher-profética da história. Ela associa a vinda do Salvador a uma nova ordem social, onde a força de Deus desce do trono os poderosos (Lc 1,52s). 

Jesus viveu sujeito a todas as amarras de uma cultura muito machista. Mas o grupo de discípulos dele começou a se diferenciar dessa cultura machista. Tinha diversas mulheres que são citadas nos Evangelhos. São muitos os episódios digamos assim “feministas” nos quais Jesus foi protagonista nos Evangelhos. Citando alguns: o encontro com a samaritana que foi buscar água no poço de Jacó; o caso da mulher adúltera que ia ser apedrejada; a condenação ao divórcio permitido então só para os homens. Às vezes ouvimos feministas não cristãs criticando passagens bíblicas onde é clara a cultura machista. São críticas no mínimo muito ingênuas. Não é possível transpor para um passado, o quadro social do presente. Pois bem. Uma conhecida e afamada historiadora do feminismo um livro em 2007 na França. Ela acusa o movimento de negligenciar o papel da maternidade. Ignorar a maternidade é errar o caminho, pois a mais profunda, gratificante e mais feminista experiência da mulher é dar à luz, diz a historiadora. Ser mãe é a auto-realização da mulher e tem uma função social que não pode ser ignorada sem prejudicar o próprio exercício da maternidade. A historiadora afirma: fazer do aborto o símbolo da libertação feminina, é enganar a mulher. Não a liberta do sofrimento físico e moral. Sem dúvida, a mulher de hoje ainda tem muito que lutar e se mobilizar para garantir seus direitos nessa nossa sociedade que também é machista. Apesar de todo o progresso técnico e todas as conquistas sociais. E se forem cristãs tem o direito de questionar a própria Igreja em muitos aspectos. Por outro lado a Igreja tem procurado ajudar a mulher pobre, operária, indígena, negra, doméstica etc. Como imaginar o mistério da Igreja em sua presença no mundo sem valorizar cada vez mais a mulher? Parabéns a elas por esta data, mas muito mais pelo que representam na sua participação na cultura da vida.

 Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR                         

Diretor da Academia Marial (2010-2015)

 

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