Por José Aparecido Cauneto Em Artigos

Espiritualidade Mariana no Documento de Aparecida – Parte V

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Ao demonstrarmos, na quarta parte deste estudo, que a espiritualidade mariana tem como fundamento o amor trinitário, buscamos evidenciar que o caminho trilhado por Maria se revela como o itinerário mais seguro para o encontro com seu filho Jesus. Isso porque não é possível seguir os passos de Maria sem a presença de Jesus, pois um só é o caminho. Seguramente onde caminha Maria são visíveis as pegadas de Jesus.

É na caminhada que Maria ajuda a construir a espiritualidade que dará sustentação à comunidade apostólica que se forma a partir dos inúmeros encontros das pessoas com Jesus. Nada mais certo e profundo são as palavras do evangelista: «Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração» (Mt 2,19).

Eis aí, Maria peregrina praticando, vivendo e ensinando a espiritualidade!

O discernimento de Maria, a partir de suas meditações, lhe credencia ao papel que mais tarde o próprio Jesus lhe confiaria, ao pé da cruz. De forma que, ao aceitar o convite de Deus-Pai para ser a mãe do Deus-Filho, predestinou-se pela ação do Deus-Amor a ser a mãe de todos os filhos de Deus.

A missão confiada a Maria revela, pois, a essência cristológica da Igreja, que também é Mãe. E Maria cumpriu com fidelidade seu papel, assegurando e assistindo o nascimento da Igreja: «Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus» (At 1,14). É a partir desse momento que Pedro, iluminado pela ação do Espírito Santo, põe-se a falar ao grupo ali reunido, anunciando (testemunhando) o Evangelho que Jesus transmitiu e, zeloso, buscando recompor a comunidade para resguardar a base eclesial (cf. At 1,15-22; 2,14-36).

Anunciar o Evangelho do Reino da Vida é, sem dúvida, o mais forte dos elementos da cristologia assumida pelo Documento de Aparecida, fazendo inserir na Igreja o propósito de Jesus em fazer que todos sejam seus discípulos. A simbologia presente no segundo capítulo de Atos (At 2, 1-13) mostra bem como esse propósito foi assimilado pelas primeiras comunidades. Lucas, quando escreve, tem consciência do que está na base de toda e qualquer comunidade cristã: o testemunho de Jesus, que o Espírito Santo suscita para que seja sempre lembrado, compreendido e vivenciado. E o Documento de Aparecida quer resgatar essa mesma espiritualidade que nos faz seguidores do Messias.

E a presença materna de Maria é a inspiração para que as comunidades «de todas as nações do mundo» (At 2,5), a exemplo daquelas comunidades que formavam a Igreja primitiva (At 2, 9-10), sejam testemunhas do Reino da Vida e falem uma só língua, a língua do amor, da nova Aliança, do Evangelho. Como Mãe da Igreja, Maria torna-se paradigma da humanidade e modelo de toda a espiritualidade cristã, «é ela quem brilha diante de nossos olhos como imagem acabada e fidelíssima do seguimento de Cristo» (DA 270).

É chegada a hora de Maria!

Ad Jesum per Mariam!

 

José Aparecido Cauneto

Membro fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí

e Membro da Academia Marial de Aparecida

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