Por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Em Artigos

Liberdade e bom senso

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O lamentável episódio ocorrido em Paris com a morte de doze pessoas tem gerado uma série de contradições. Com efeito, se de um lado existe a luta pela liberdade de expressão, não se pode, porém, deixar de apelar para bom senso. O equilíbrio entre estas duas realidades básicas do humanismo se faz mais do que nunca necessário. Prantear a morte dos jornalistas franceses é um aspecto, aprovar o desrespeito à religião, seja de qual for, não é louvável.

No que tange à Igreja Católica muitas charges são blasfemas, irreverentes, sacrílegas. Até a Virgem Maria, o Papa e as coisas sagradas em geral motivo de chacota e isto causa justa indignação e até mesmo horror para quem tem fé. Consequência do reto uso da liberdade é a responsabilidade. Essa é sinal característico da dignidade da pessoa humana.

Cada um se situa no mundo moral, se coloca perante sua consciência por ser responsável pelas suas ações que podem ser luminosas ou trevosas, benéficas à sociedade ou sumamente danosas, construtivas ou agressivas à ordem pública. A Didaqué resumiu este posicionamento do homem numa frase sugestiva: “Há dois caminhos: um da vida e outro da morte. A diferença entre ambos é grande”. Ser responsável é assumir a preferência por uma destas trilhas, opção, porém que deve ser conscientemente feita pelas trilhas do Bem. Platão ensinou com justeza: “cada qual é a causa de sua própria escolha, ela não pode ser imputada à divindade”.

Os limites da liberdade de comunicação param diante do direito natural que todos os homens e mulheres têm de não serem enredados para o mal. Aditem-se as arbitrariedades, as insinuações, as meias verdades, as mentiras por omissão, os enganos, a manipulação obscena da informação para fins suspeitos.

A onda de violência que percorre o mundo tem muito a ver com o requinte perverso de uma comunicação delituosa.  A liberdade de informar é uma das maiores conquistas da humanidade e é uma proteção decisiva contra a ditadura dos poderosos e contra as injunções políticas ou econômicas. Esta liberdade, porém, não pode se prostituir no exercício incontrolado e impune de sua missão de serviço do ultraje às religiões e da difusão da imoralidade.

Há, pois,  necessidade da educação para a liberdade. Pedro Dalle Nogare expressou-se com felicidade ao dizer que “a liberdade é uma planta de nosso jardim interior muito tênue e delicada, que para desenvolver-se normalmente até a sua plena maturidade, precisa de muitos cuidados e estes cuidados podem e devem ser oferecidos pela educação familiar e oficial”. Educar significa nutrir em vista a uma maturidade completa.

O julgamento moral deve presidir o modo como se forma a mentalidade dos leitores.  Cumpre todo cuidado com a tirania da comunicação. É preciso um senso crítico bem apurado para não se deixar contaminar pelos disparates.

 

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