Por Maria, rosto fiel da Igreja, rogai por nós! Em Artigos Atualizada em 26 ABR 2018 - 10H16

Maria: Rosto fiel e orante da Igreja

+ Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
9º dia da novena – 11/10/13


nonena2013_1Queridos irmãos e irmãs, chegamos ao último dia da novena. Acompanhamos a novena aqui no santuário, pela TV e Rádio nas nossas casas, no nosso lugar de trabalho, no hospital; encontramos tantos meios de participar dessa verdadeira peregrinação. Peregrinamos com Nossa Senhora, meditando nesses nove dias os mistérios luminosos do terço. Junto com Nossa Senhora, deixamo-nos tomar pela Luz que é Jesus nos seus gestos e palavras. É uma bela peregrinação! Amanhã celebraremos a Mãe de Jesus e Senhora nossa; ela a Padroeira do Brasil.

Nesse último dia da novena, meditamos Nossa Senhora: rosto fiel e orante da Igreja. Maria: rosto fiel da igreja.

Rosto da Igreja! Vemos alguém e procuramos o rosto. Olhamos para uma criança e contemplamos seu rosto, no rosto do idoso, vemos as marcas do tempo e da experiência. Vemos o rosto do jovem e somos tocados pelo futuro. Vemos o rosto da pessoa de rua e vemos o tormento do abandono, da marginalização. O rosto! O rosto diz da pessoa, revela a pessoa. O nosso rosto diz quem somos: as lágrimas que escorrem pelo rosto revelam a nossa tristeza; o sorriso aberto manifesta nossa alegria; os olhos recolhidos expressam a nossa prece e recolhimento; da nossa alegria, da nossa fé. O nosso rosto expressa a nossa alma, nossa interioridade, o nosso coração. O rosto nos identifica, diz quem somos.

Na leitura que acabamos de ouvir, irmãs e irmãos, conseguimos identificar, visibilizar a primeira comunidade cristã: como vivia, como se relacionava, como rezava, como repartia, como celebrava. Vimos surgir diante de nós a estima, a simplicidade, a alegria, a perseverança, a caridade.

Devagar a leitura foi-nos mostrando o rosto da Igreja. A igreja tem um rosto! Maria: rosto fiel da Igreja.

O rosto fiel da Igreja. Fiel! Somo fiéis! Somos fiéis a quê? Ou fiéis a quem? Somos fiéis à nossa família, à minha esposa, ao meu esposo, aos nossos pais. Somos fiéis a Deus, somos fiéis a Jesus. Permanecemos junto de Jesus em todos os momentos: na vida e na morte. Somos fiéis, porque temos fé n’Ele que não nos abandona, nos segura pela mão, ilumina pelo Espírito no caminho da dor, do sofrimento. Fiéis porque discípulos, discípulas de Jesus. Porque seguidores de Jesus nos tornamos fiéis. E, por isso, permanecemos fiéis a Jesus. Maria: rosto fiel da Igreja.

Os que são fiéis a Jesus, são os fiéis. O padre saúda as pessoas na igreja dizendo, queridos fiéis. Aqueles e aquelas que ali estão em oração, cantando, são aqueles que são a Igreja. Eles são os fiéis na Igreja. Formam a Igreja, porque tocados por Jesus Cristo vivem fielmente a vida, as palavras, a morte e a ressurreição de Jesus. Somos fiéis porque pessoas creem! Recebemos a graça da fé. Nos tornamos fiéis pela fé. É pela fé que somos sempre mais conduzidos na fidelidade. A força que nos faz ser fiéis nos vem da fé em Jesus.

Maria, rosto fiel da Igreja. E porque dizemos que Nossa Senhora é o rosto fiel da Igreja? Primeiro porque ela é a mulher da fé. Ela crê, vive de sua fé. Como uma jovem poderia dizer “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), se não fosse uma mulher de fé? Quando somos tomados, tocados, iluminados pela fé, surge em nós uma confiança sem limites. A fé desperta em nós gratidão, generosidade, partilha, gratuidade. A fé vai transformando a nossa pessoa e vai dando um rosto novo. Não foi o que ouvimos na leitura dos Atos dos Apóstolos? Eles eram perseverantes na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações; realizavam-se prodígios e sinais, viviam unidos e possuíam tudo em comum, vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam, e eram unidos, partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração, louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.

 

Maria, rosto fiel da Igreja, rogai por nós!

Olhando para Nossa Senhora, vemos esse rosto extraordinário da Igreja. Por isso, podemos proclamar: Maria: rosto fiel da Igreja! Então proclamemos: Maria da gratidão, rosto fiel da igreja! Maria da generosidade, rosto fiel da Igreja! Maria da partilha, rosto fiel da Igreja! Maria da gratuidade, rosto fiel da Igreja! Eles eram perseverantes na comunhão fraterna, rosto fiel da Igreja! Na fração do pão e nas orações, rosto fiel da Igreja! Realizavam-se prodígios e sinais, rosto fiel da Igreja! Viviam unidos e possuíam tudo em comum, rosto fiel da Igreja! Vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam, rosto fiel da Igreja! eram unidos, rosto fiel da Igreja! partiam o pão pelas casas, rosto fiel da Igreja! tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração, rosto fiel da Igreja! Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo, rosto fiel da Igreja! Maria, rosto fiel da Igreja, rogai por nós! Maria, rosto fiel da Igreja, rogai por nós!

A leitura que ouvimos nos lembrava que a igreja primeira era fiel na fração do pão e nas orações (cf. Lc 2,42). Os Atos nos lembram já no primeiro capítulo que “todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas , Maria, a mãe de Jesus” (Lc 1,14). Eles rezavam em comum, rezavam juntos. Eram orantes! Entre os que oravam, rezavam estava Maria, a mãe de Jesus.

Vemos assim, com mais nitidez o rosto da Igreja, mas também de Nossa Senhora. A igreja era visível pela e na oração. Entre os mil traços do rosto da Igreja havia a marca da oração. A oração e a partilha davam o rosto da Igreja, e tornavam visível, palpável.

Sempre que rezamos em comum, em família, nos grupos de família, nas novenas, em Comunidade celebramos a eucaristia, a Igreja é visível, a Igreja tem um rosto!

Quem nos acompanha pela televisão, pelo rádio, percebe que estamos em oração, que também nós somos perseverantes nas orações, louvamos a Deus e partilhamos. Assim, os que participam conosco na distância geográfica veem o rosto da Igreja. Mas nós que aqui estamos não nos vemos rosto da Igreja em prece, em oração? Uma Igreja orante! É interessante, irmãos e irmãs o sentido da palavra orante. Ela expressa o ar que passa pela garganta e sai pela boca. O coração que se faz audível! (Vem de or, oris). Orante é a mulher, o homem que faz ouvir sua prece. Daí o sentido da palavra oração: o que sai pela boca. Não é a oração o gemido do nosso coração assaltado pela angústia, pela aflição? Mas também de nossa alegria, esperança. Conforto e consolo? “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador…” (Lc 1,47).

Aqui estamos em oração; somos orantes. Somos orantes, estamos em oração, pois aprendemos de Nossa Senhora, aquela que manifesta o rosto orante da Igreja. Com ela aprendemos a perseverar na oração, sermos uma comunidade que reza, pessoas que rezam; como a primeira comunidade.

Orantes somos na fração do pão, na Eucaristia. No Pão partido, na Palavra recebida. Somos orantes com Maria que deu à luz o Filho de Deus. Trouxe à luz a Luz, que ilumina toda pessoa que vem a este mundo (cf. Jo 1, 1-14). Ela cuida, vela, gera, dá vida, dá a própria vida. Ela reparte a sua vida!

A oração conduz à partilha. Nossa Senhora nos ensina como mulher orante que podemos trazer à luz da dignidade a tantos irmãos e irmãs. Que podemos acolher como se acolhe a Jesus, a tantas irmãs e tantos irmãos que vivem marginalizados. Que podemos repartir o pão com os mais necessitados, com os famintos e também com os famintos de justiça. Maria: rosto orante da Igreja ensina a partilha. Maria: rosto orante de Deus ensina a partilha.

O nosso querido Papa Francisco recordou o rosto de Nossa Senhora fiel e orante no cuidado dos pescadores da Aparecida e no cuidado de Deus. “Os pescadores agasalham: revestem o mistério da Virgem pescada, como se ela tivesse frio e precisasse ser aquecida. Deus pede para ficar abrigado na parte mais quente de nós mesmos: o coração. Depois é Deus que irradia o calor de que precisamos, mas primeiro entra com o subterfúgio de quem mendiga. Os pescadores cobrem o mistério da Virgem com o manto pobre da sua fé. Chamam os vizinhos para verem a beleza encontrada; eles se reúnem à volta dela; contam as sua penas em sua presença e lhe confiam as suas causas. Permitem assim que possam implementar-se as intenções de Deus: uma graça, depois a outra; uma graça que abre para outra; uma graça que prepara outra. Gradualmente Deus vai desdobrando a humildade misteriosa de sua força. (…) Ele desperta no homem o desejo de guardá-lo em sua própria vida, na própria casa, em seu coração. Ele desperta em nós o desejo de chamar os vizinhos, para dar-lhes a conhecer a sua beleza. A missão nasce precisamente dessa fascinação divina, dessa maravilha do encontro. Falamos de missão, de Igreja missionária. Penso nos pescadores que chamam seus vizinhos para verem o mistério da Virgem. Sem a simplicidade do seu comportamento, a missão está fadada ao fracasso” (Papa Francisco, aos bispos do Brasil, JMJ Rio 2013).

Maria: rosto fiel e orante da Igreja! No rosto de Nossa Senhora vemos o nosso rosto como Igreja que ora e partilha a boa notícia da presença de Deus. No seguimento fiel a Jesus, sendo discípulos e discípulas, missionários e missionárias de Jesus. O rosto de Nossa Senhora mostra uma Igreja com os rosto fiel de discípula e missionária. O rosto de Nossa Senhora mostra uma Igreja em oração; uma Igreja eucarística que parte o Pão com os famintos e anuncia a presença despojada de Deus.

O rosto fiel e orante da Igreja, que nossa Senhora nos indica, nos convida a uma vida de partilha, de doação, de cuidado. Chamemos os vizinhos, para dar-lhes a conhecer a beleza que é Cristo. Assim, certamente levaremos como missionários e missionárias também nós a Luz que ilumina a vida de todas as pessoas.

Roguemos irmãs e irmãos:

Maria do bom conselho, rogai por nós.

Maria da acolhida, rogai por nós.

Maria da partilha, rogai por nós.

Maria do cuidado com os pequenos, rogai por nós.

Maria, mãe dos pobres, rogai por nós.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós.

Sigamos com a Mãe Aparecida a Jesus, nossa Luz, nossa eucaristia, na fidelidade e na oração e partilha! Amém.

 

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