Por Walter Gabriel de Paula Castro Em Artigos

MEDITAÇÃO DO TERÇO SEGUNDO OS MISTÉRIOS MARIANOS (Segunda Parte)

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TERCEIRO MISTÉRIO – VIRGINDADE PERPÉTUA

Desde os primeiros séculos a Igreja professa a sua fé na virgindade de Maria, antes, durante e depois do parto.

Paulo VI considera essa fórmula como pertencente “aos fundamentos da fé”.
É doutrina tão constante que os reformadores protestantes não a colocaram em dúvida. Lutero professou-a por toda sua vida, dizendo: “Maria permaneceu virgem antes da concepção e do parto, no parto e depois do parto” (2.2.l546).
No ano 451, no Concílio Ecumênico de Calcedônia, foi lida e aclamada a carta do papa S. Leão Magno a Flaviano, que dizia “Cristo foi concebido do Espírito Santo no ventre da Virgem Mãe, a qual deu à luz sem perda da virgindade, como sem perda da virgindade o concebeu”.

Consideremos que Maria não deveria estar sujeita às penas impostas à mulher por causa do primeiro pecado: “Quando chegar a tua hora, darás à luz com dores”.(Gen.3.16).
Isaías , o mesmo profeta que profetizou “uma virgem dará à luz”(Is.7,14), profetizou “antes da hora ela deu à luz, antes de sentir as dores deu à luz um filho… quem jamais viu coisa semelhante?”(Is.66,7-8}.

Maria, Imaculada, preservada do pecado original, não estava sujeita ao castigo pelo pecado.

Cristo, na cruz, entrega sua mãe aos cuidados de um discípulo, e não a um irmão seu. Se tivesse irmãos não teria por que entregá-la a um não parente. Isto repugna à índole do povo judeu.

A própria Ssma. Virgem nos indica que pretendia permanecer virgem.
Ela sabia como eram gerados os filhos. Era prometida em casamento a S. José, e ainda assim perguntou ao anjo: “Como se dará isso, pois eu não conheço homem?”. Se ela não tivesse um voto de permanecer virgem, a pergunta seria tola, pois a resposta seria óbvia. Portanto ela tinha intenção de permanecer virgem consagrada a Deus.
Quanto a ser milagroso o fato, isso é simples para Deus, basta ele conhecer Maria como virgem antes, durante e depois do parto. O fato de Deus conhecer as coisas tais quais são é que as faz serem tais. Se ele a conhece sempre como virgem, ela é sempre virgem!

Se a providência amorosa de Deus fez com que ela não deixasse de ser virgem ao conceber, não seria pelo parto que perderia a virgindade. Antes, por ser todo poderoso e por amá-la acima de todas as criaturas, quis honrá-la (honrar pai e mãe) com o brilho máximo das virtudes e de todas as condições para ser a mais bela “tota pulchra es Maria”.
Se Deus lhe deu a graça de ser virgem ao conceber seu filho, como não confirmaria este dom?

De que valeria a primeira dádiva?

QUARTO MISTÉRIO – ASSUNÇÃO CORPÓREA

 Em 1950 Pio XII proclamou o dogma da Assunção:
“Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a IMACULADA MÃE DE DEUS SEMPRE VIRGEM MARIA terminado o decurso da vida terrestre, foi ASSUNTA DE CORPO E ALMA à GLORIA CELESTIAL”.

Desde o século V existiu uma festa litúrgica da Dormição ou Assunção.
Santo Epifânio, bispo de Salamina, em Chipre, no século IV afirmava “na Escritura não acharás a morte de Maria, nem se foi morta ou não, se foi sepultada ou não… nem digo que tenha permanecido imortal nem posso afirmar que tenha morrido. A Escritura deixa a coisa na incerteza, em atenção ao Vaso insigne e excelente, para que ninguém lhe atribua alguma sordidez própria da carne”.

Enriquecendo esse ponto de vista ouçamos S. Paulo (1 Tes 4,16-17): “Quando for dado o sinal, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens ao encontro do Senhor nos ares”.

Assim:

Pio XII diz: “terminado o decurso da vida terrestre”. Não fala em morte.

A festa e a igreja antiga falam da “dormição”. Não da morte.

S. Epifânio diz que se a Escritura não fala em morte, nem ele pode afirmar que tenha morrido.

S. Paulo diz que nem todos os homens morrerão, mas alguns serão assumidos com os que ressuscitarem (tb 1 Cor 15,51).

Maria preservada do pecado original não estava sujeita às suas penas (dar à luz com dor, de morrer e voltar ao pó…)

Assim, terminado o decurso de sua vida terrestre ouviu do Senhor o que está escrito no Cântico dos Cânticos (4,7).

“Tota pulchra es et macula non est in te. Veni de Libano, veni, coronaberis”.(Toda formosa és, ó amada minha, e não há defeito algum em ti.Vem comigo,do Líbano, minha esposa).

O Senhor a chama, “veni”. Pode a natureza resistir à ordem do Criador? Podia Maria resistir? Ela que era toda voltada para fazer a vontade do Senhor; Era amada por Deus acima de todas as criaturas e amava a Deus como nenhuma outra criatura!
Nossa Senhora foi assumida (assumpta in coelum) em corpo e alma, já está no céu como os santos estarão quando ressuscitarem e os que forem ASSSUMIDOS sem morrer.
Grande maravilha é que, estando no céu, ela pode ouvir e atender a milhares de filhos ao mesmo tempo.

É que no céu, teremos um novo modo de ser (glorificado); ainda que sendo corpo e alma, matéria e espírito, a nova situação transcenderá tempo e espaço, como acontecia com Cristo ressuscitado e como a realidade da Eucaristia transcende as categorias de tempo, espaço e modo de ser. (Continua…)

Walter Gabriel de Paula Castro

Associado da Academia Marial de Aparecida

 

 

 

 

 

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