Por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* Em Artigos

NOSSA SENHORA APARECIDA

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O dia 12 de outubro vem lembrar a todos os brasileiros que a devoção à Senhora Aparecida está impregnada da certeza da proteção da Mãe de Cristo para minimizar as dores físicas e psíquicas. Os anais, realmente, registram fatos dignos de nota e os romeiros que aos milhares se dirigem à Basílica Nacional nunca se decepcionam.

Desde 1717, quando a pequena imagem de terra cota, medindo trinta e sete centímetros, foi encontrada nas águas do Rio Paraíba, no porto de Itaguassú, no Estado de São Paulo, Maria tem mostrado ser, também aí, Saúde dos Enfermos. Honrada no privilégio de sua Imaculada Conceição, objeto primeiro do culto à Padroeira do Brasil, ela retribui atendendo as preces de seus milhares de devotos. Os papas reconheceram esta inefável presença da celeste Patrona. Pio X, em 1904, através de seu representante, coroou pontificialmente a milagrosa imagem. Este sucessor de Pedro em 1908 elevou o Santuário de Aparecida à categoria de Basílica Menor.

Bento XV, ao ensejo do bicentenário do encontro da efígie, concedeu para aquele período Indulgência Plenária, em forma de Jubileu. Esta se estendeu depois a todos os peregrinos que demandam Aparecida e são mais de cinco milhões no decorrer do ano. Pio XI pelo Motu proprio de 16 de julho de 1930 houve por bem atender ao desejo do povo brasileiro e proclamou a beatíssima Virgem Maria, sob o título de Aparecida, principal padroeira de todo o Brasil junto de Deus. Pio XII por ato da Sagrada Congregação dos Ritos, a 21 de agosto de 1951, concedeu a faculdade de se dar à bênção aos fiéis com a imagem de Nossa Senhora Aparecida sob especial forma litúrgica, oficialmente aprovada. São João XXIII designou a 15 de agosto de 1958 o Cardeal D. Carmelo de Vasconcelos Motta, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, como administrador Apostólico do Arcebispado de Aparecida, com plenos poderes de bispo residencial. Paulo VI, a 5 de março de 1967, agraciou com o raríssimo sacramental da Rosa de Ouro o Santuário da Padroeira do Brasil. São João Paulo II na sua visita pastoral à Terra de Santa Cruz esteve a 4 de setembro de 1980 na Basílica Nacional, consagrando pessoalmente o majestoso templo. Bento XVI deu início à Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho que ocorreu de 13 a 31 de maio de 2007, no Santuário da Padroeira do Brasil. O atual Papa Francisco, então Arcebispo de Buenos Aires, participou ativamente desta Conferência. Tendo vindo ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2013 foi a Aparecida celebrar uma concorridíssima Missa. Todas estas homenagens dos Soberanos Pontífices a corroborar a crença dos brasileiros à sua gloriosa Patrona.

Maria, a Mãe de Jesus, tem sua história maravilhosa contada por São Lucas, São Mateus fala de suas prerrogativas, São Marcos ressalta sua solicitude maternal e sua fidelidade à palavra de Deus, São João exalta sua poderosa intercessão. No Apocalipse ela aparece como a mulher coroada de doze estrelas, tendo a lua a seus pés. O texto de São Paulo na Carta aos Gálatas proclama a grandeza de sua maternidade divina: “Todavia, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido também debaixo da autoridade da Lei, para resgatar os que estavam subjugados pela Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4,4). Esta grandeza de ser a genitora do Messias prometido é dogma desde o Concílio de Éfeso em 431. Sua Virgindade perpétua é verdade de fé como decretou o 3º Concílio de Latrão no ano de 1179. Pio IX em 1847 proclamou o dogma da Imaculada Conceição e Pio XII o de sua Assunção aos céus de corpo e alma em 1950. Todas estas verdades reveladas sempre foram objetos da crença dos cristãos desde o início do cristianismo.

Neste dia consagrado a Nossa Senhora Aparecida é de suma valia recordar tudo isto firmando nossa devoção à Virgem Santa. Entretanto, ela está também a lembrar a todos que será de bom alvitre continuar os estudos sobre o referido Documento exarado em Aparecida pela Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. Trata-se de um dos mais preciosos textos redigidos nos últimos tempos, devido à profundidade teológica do mesmo, aliada a uma diretriz pastoral iluminada e iluminadora.

Nesta festividade de hoje estaremos também, através de preces ardentes, atraindo novas bênçãos da Padroeira para nossa pátria e cada um de nós!

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

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