Por Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 22 JAN 2019 - 09H47

Nossa Senhora, mãe e modelo


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Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, faz parte da tradição da Igreja. Desde o Concílio de Éfeso, realizado em 431, até o Concílio Vaticano II, o magistério eclesiástico produziu diversos documentos que apresentam reflexões e orientações sobre o culto mariano.

A Igreja é a comunidade dos cristãos, que se unem e reúnem em Cristo Jesus, o Salvador, pela , pelos sacramentos, pela oração, pelo cumprimento dos mandamentos e pela prática da caridade, da justiça, da verdade, da paz e da esperança. No seio do povo de Deus, os discípulos de Jesus têm a Virgem Santíssima como Mãe e modelo.

No mistério de Cristo e da Igreja, Maria ocupa um lugar eminente. O próprio Concílio Vaticano II afirma que ela “ocupa na Igreja o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (L. G., no. 54).

MÃE DE DEUS 

Mãe de DeusNa história da salvação, Maria é a Mãe de Deus por ter concebido, gerado e dado à luz Jesus Cristo, o Filho de Deus. Na cena da anunciação, tão belamente descrita por São Lucas, o arcanjo Gabriel deixa clara a vocação maternal de Nossa Senhora: “Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Santíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim” (Lc 1,28-33).

Cheia do Espírito Santo, Santa Isabel, mãe de João Batista, o precursor do Salvador, reconhece a dignidade maternal de sua parenta: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre!" Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu (Lc 1,42-45).

Em Judá, região da Palestina, na cidade de Belém, Nossa Senhora, esposa de São José, deu à luz o seu filho. Ela o enfaixou, e o colocou na manjedoura (Lc 2,1-7). Os pastores e os magos do Oriente vieram visitá-lo e o adoraram (Lc 2,8-20;Mt 2,1-12). Assim, o testemunho bíblico atesta que ela é Mãe de Deus porque é a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se encarnou e assumiu a natureza humana em seu seio puríssimo.

Para que pudesse desempenhar dignamente sua vocação, Deus, em seu projeto de amor, concedeu a Nossa Senhora graças especiais. Ela foi concebida no útero de sua mãe, Santana, e nasceu sem a mancha do pecado original (Imaculada Conceição). Foi cheia de graça, sempre unida ao Criador. Foi sempre virgem: antes, durante e depois do parto (Virgindade Perpétua). Foi levada por Deus ao céu em corpo e alma (Assunção Gloriosa).

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:: Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus – 1º de janeiro

MÃE DOS CRISTÃOS

Mãe de Deus, Nossa Senhora é considerada como mãe dos cristãos. A Igreja é o corpo místico de Cristo. Se ela é a Mãe da cabeça, que é Jesus, então é, por conseqüência, a mãe de todo o corpo, que é a Igreja. É a mãe de todos os membros do corpo que são os cristãos. É a mãe da Igreja.

A Mãe do Senhor é uma só, mas é chamada por vários nomes.

No sacramento do batismo, o cristão recebe a vida de Deus, a graça santificante, que o faz filho de Deus e irmão de Jesus. Se ele é irmão de Jesus pela graça divina, então é filho de Nossa Senhora. Por isso, pode chamá-la realmente como sua mãe.

Maria é mãe dos cristãos porque Jesus lhes deu por mãe no alto da cruz, no Gólgota, na sexta-feira santa, antes de morrer. Olhando para sua mãe e, ao lado dela ,o discípulo que ele amava, disse a Maria: “Mulher, eis aí o seu filho”. Depois disse ao discípulo, que representava todos os seus seguidores: “Eis aí sua mãe”. E dessa hora em diante, o discípulo a acolheu em sua casa. A maternidade de Maria é estendida a toda a comunidade cristã, que nasce e se sustenta com o projeto salvador do Filho de Deus.

CARINHO ESPECIAL DA IGREJA

Ao longo dos séculos, a comunidade cristã sempre teve e tem um carinho especial pela Mãe de Jesus. De acordo com os vários lugares, épocas, culturas e concepções religiosas, o povo cristão conferiu-lhe muitos títulos e expressões características. A Ladainha Lauretana é um exemplo orante dessa diversidade de nomes, constituindo-se numa lista de títulos belíssimos que a Igreja foi aplicando a Nossa Senhora.

A Mãe do Senhor é uma só, mas é chamada por vários nomes. Ela é uma pessoa tão especial e excelente que os cristãos precisaram empregar vários títulos para exprimir a riqueza de sua personalidade e a profundidade de se mistério.

À medida que o culto mariano foi se propagando pelos diversos povos, a Virgem Santíssima foi recebendo nomes de lugares, de fatos históricos, de culturas e raças diferentes. É denominada por Nossa Senhora de Lourdes por conta de sua aparição em Lourdes, na França. É chamada de Nossa Senhora de Fátima porque apareceu em Fátima, Portugal.

 

No Brasil a Mãe de Jesus é conhecida por Nossa Senhora da Conceição Aparecida porque foi pescada nas águas do Rio Paraíba do Sul, Aparecida, São Paulo.

No Brasil a Mãe de Jesus é conhecida por Nossa Senhora da Conceição Aparecida porque foi pescada nas águas do Rio Paraíba do Sul, Aparecida, São Paulo. Mundialmente, é invocada como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pois está sempre pronta a socorrer, em quaisquer aflições, tempo e lugar.

Os cristãos lhe conferem o nome de “Nossa Senhora”, porque a tratam como mãe do Senhor e mãe de todos os seres humanos. É invocada por muitos outros nomes, que os especialistas calculam em 1025 títulos diferentes. Com tantas denominações, os cristãos não conseguem ainda dizer tudo o que Ele é e representa, pois sua identidade e seu papel na história da salvação são muito profundos e ricos de sentido e de significados.

IMAGENS MARIANAS

A Virgem Maria é venerada pelo povo através de inúmeras estátuas e imagens que a representam. Cada escultura retrata um aspecto visível da beleza de sua figura.

Cada quadro pinta uma face esplêndida daquela que os textos neotestamentários descrevem. Desde a sua pintura tosca na parede da catacumba de Priscila, em Roma, até os radiantes afrescos das igrejas antigas e novas, os artistas, inspirados por sua devoção e piedade, representam a mesma pessoa de Maria que viveu na Palestina e tornou-se a Mãe do Salvador. Pela via do belo, os cristãos a veneram com amor.

MODELO CRISTÃO

Por ser Mãe de Deus e mãe da Igreja, os cristãos contemplam e imitam sua vida virtuosa. Ela é o modelo cristão que inspira a vivência daqueles que são membros da Igreja de Jesus.

Maria é exemplo de virtudes para os cristãos. Eles “elevam seus olhos a Maria que refulge para toda a comunidade cristã dos eleitos como exemplo de virtudes” (Concílio Vaticano II. L. G., no. 65).

Na Igreja os cristãos são interpelados a imitar as virtudes de Nossa Senhora, que tão bem transpareceram em sua vida: sua fé e dócil aceitação do projeto de Deus; sua obediência generosa; sua humildade autêntica; sua caridade solícita; sua piedade viva pra com Deus; seu alegre cumprimento dos deveres religiosos; seu espírito de oração e contemplação; sua fortaleza nos sofrimentos e desafios da história; sua delicadeza para com os outros; sua pureza sem mancha; seu casto amor conjugal; e sua esperança resistente. Afinal, ela merece toda a honra daqueles que a cultuam como Mãe e modelo na vida de Igreja.

 

MÃE DE DEUS 
Escrito por
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. (Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.)
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, formado em filosofia e teologia. Atuou como formador, trabalhou no Santuário Nacional, onde foi diretor da Academia Marial.

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