Por Pe. Jonas Eduardo G. C. Silva Em Artigos Atualizada em 26 MAR 2019 - 11H29

Nossa Senhora Medianeira

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“És o Depósito da água viva, donde decorrem, para todo o mundo, os canais da divina fonte… Mergulha-me, eu te rogo, nessas águas vitais…”

(Santo Padre José de Anchieta, Poema De Beata Virgine Matre Dei Maria, vv. 391-5)

Em muitos lugares do mundo, celebra-se no sábado antes do 2º Domingo de novembro a Festa de Nossa Senhora Medianeira de todas as graças¹. Ela é a Padroeira do Rio Grande do Sul (desde 1942), assim como de nossa Paróquia! Meditemos brevemente sobre este mistério.

Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5), ou seja, é o caminho pelo qual temos acesso à comunhão plena e eterna de amor com o Pai (Jo 14,6; Hb 10,20). Contudo, na história da salvação Deus sempre associou à Si homens e mulheres, tornando-os seus instrumentos em favor de muitos. Através de patriarcas, profetas, apóstolos, Deus comunicava ao povo, de modo peculiar, contínuo e generoso, a sua mensagem, o seu favor e a sua bênção.

Maria é invocada como Medianeira (Mediátrix) porque Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua imensa misericórdia, deseja que a sua Mãe (e Discípula) participe, de um modo extraordinário, na sua missão de ser um canal da graça divina sobre a humanidade inteira – tanto na aquisição quanto na impetração e distribuição de todas as graças, explica o ilustre mariólogo Salvatore Meo². Afinal de contas, ninguém como Maria está mais profundamente unida ao mistério divino (em si mesmo) e ao mistério da redenção (em particular) em virtude de sua Maternidade Divina e Espiritual e sua Assunção Gloriosa. Se nós, que somos pecadores, podemos nos tornar instrumentos da benevolência divina para os outros, o que dirá a “Mulher vestida de sol” (Ap 12)?!

Desde o século III d.C. os cristãos recorrem a Maria através da oração mariana (tropário) À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Nada de absurdo; afinal de contas, nos evangelhos, a sua presença de fé, esperança e amor na casa de Isabel e no Cenáculo, em Caná e aos pés da Cruz, é fonte de bênçãos divinas para tantos e tantas. No Concílio de Éfeso (431) os cristãos reconheceram que, através de Maria, inúmeras graças nos chegam (cf. S. Cirilo de Alexandria, Hom. in Deiparam). Desde o século VI d.C. o título de “mediadora” é aplicado a Maria com frequência pelos Santos Padres (S. André de Creta, S. Germano etc.). O grande S. João Damasceno afirmará explicitamente que Maria desempenha o “ofício de Medianeira” (Hom. I in Dorm.). Será utilizado ainda com mais força a partir dos séculos XII e XVII d.C. Santo Afonso Ligório, insigne Doutor da Igreja, apoiando-se no testemunho de muitos cristãos, afirma que acertadamente Maria é chamada como tesoureira e dispensadora das divinas mercês³.

Na Encíclica Octobri mense, o Papa Leão XIII (1891) reafirmou a fé da Igreja: “unicamente através de Maria se nos reparte daquele imenso tesouro que trouxe o Senhor…”. Várias vezes é chamada pelo Papa de “ministra” (administra – cf. Adiutricem populi). Em seguida, o Papa S. Pio X, na Encíclica Ad diem illum (1904) a designa como “dispensadora de todas as graças” (universórum múnerum dispensátrix). Assim se entende porque, em 1921/22, o Papa Bento XV concedeu a todas as dioceses da Bélgica, e outras que solicitassem, que se honrasse Maria na liturgia oficial como “Medianeira”. Em 1935 o Papa Pio XI usou o título de Maria “Corredentora” na oração de encerramento do ano da Redenção (cf. Leão XIII, Supremi apostolatus officio, 1883). Em 1965, o Concílio Vaticano II reconhece que Maria, “com sua multíplice intercessão, continua a granjear-nos os dons da salvação”, e por isso “é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira” (LG 62; cf. Catecismo, 969). Na Coletânea de Missas de Nossa Senhora (1986), livro litúrgico aprovado pelo Papa S. João Paulo II, se encontra um formulário específico em honra de Maria sob o título de Medianeira, em que é chamada de “companheira [do Autor da graça] no mistério da redenção humana” (Coleta) 4.

Maria, Medianeira das graças divinas, intercedei por nós e por nossas famílias!

 

 

 

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