Por Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 27 MAR 2019 - 16H39

O Espírito inflama o mundo

pentecoste

O Espírito virá sobre vós

Quando Paulo chegou a Êfeso, perguntou aos 12 homens que o acolhia, se haviam recebido o Espírito Santo. Eles tinham recebido o batismo de João Batista. “Nem sabemos que existe Espírito Santo”, responderam (At 19,2). Não mudou muito a realidade, pois ainda desconhecemos sua ação em nossa vida e sua missão no mundo. Sua missão deve ser valorizada como a missão de Jesus, pois está em continuação tudo que o Filho de Deus fez por nós. Dizemos que Jesus fez tudo, mas é o Espírito que nos coloca na comunhão com Jesus e nos faz conhecer toda a Verdade. O Espírito é desconhecido e pode ser mal interpretado. Ele não é um santo a mais que lembramos em Pentecostes, e muito menos está ao nosso serviço para dar dons e graças especiais. Não é privilégio de ninguém. Foi dado a todos. Ele é um com o Pai e o Filho. Na missão de santificação, isto é, de viver a graça da redenção e comunhão que temos com o Pai, em Cristo, é Ele o autor. A sensação que se tem é que é restrito aos sacramentos, irmandades do Divino e chefe do depósito de dons a serem distribuídos. É certo que é uma tentação reduzi-Lo a tão pouco, pois não nos compromete viver o dinamismo de sua Pessoa que nos é dada por Jesus. O Espírito é dom para o Universo. Não há nada de bom no mundo que não seja gerado pelo Espírito Santo. O progresso do mundo será maior, quanto maior é a abertura ao Espírito.

Recebe o Espírito como Dom

Podemos perguntar qual seria, na prática diária, a vivência com o Espírito Santo. Se para com Jesus temos a preocupação de ser como era, com o Espírito fazemos o mesmo. Ser como Ele é: ser dom. Ele nos ensina todas as coisas (Jo 14,26). O mesmo Espírito que fecundou o seio de Maria e faz do pão e do vinho o Corpo e Sangue de Cristo, formará Cristo em nós para que sejamos um dom para o mundo. Como Cristo se entregou, assim nos entregamos com o dom que somos. Entregar-se, dedicar-se aos outros com totalidade é o único modo de sermos completos e realizarmos nossa missão, por mais humilde que sejamos. É por isso que Paulo insiste que cada um use o próprio dom para o serviço de todos. Onde existe doação, ali está o Espírito de Deus. É por isso que não tem forma humana, nem é possível controlar sua ação. Ninguém é dono do Espírito. A Igreja e as Igrejas deveriam deixar-ser modelar segundo sua ação e não impor-Lhe regras. Esse não é o modo de corresponder ao dinamismo renovador. Somente depois de nos tornarmos dons é que seremos criaturas renovadas para renovar o mundo.

O vento sopra onde quer

Jesus sente essa força incontrolável do Espírito, pois era conduzido por Ele (Mt 4,1). O evangelista Lucas mostra Jesus sempre movido pelo Espírito Santo. Nós também podemos nos mover Nele. Aliás, somos movidos, mas não damos atenção. Aqui é o momento de olharmos a Santa Igreja, as espiritualidades, o apostolado e ver quanto O “engaiolamos”. Certamente que existem critérios que foram dados para discernir, mas de acordo com o mesmo Espírito. Não são nossas regras, nossas mentalidades, nossos usos, costumes e abusos que devem reger sua atividade O Espírito Santo não é um santo a mais, mas a fonte da santidade. Em toda missa recebemos o Corpo de Cristo, mas recebemos também o Espírito Santo. Na epíclese (oração feita na prece eucarística) o sacerdote reza: “E nós vos suplicamos que, pela comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo em um só corpo”. Faz de nós Corpo de Cristo como fez do pão e vinho, Corpo e Sangue do Senhor. É a mesma força transformadora.

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