Por Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 27 MAR 2019 - 16H43

Renovar pela fé

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Sementes que não morrem

A capacidade de vida que encontramos na natureza é uma iluminação para vermos a força que as sementes da fé possuem. A fé é um dom e não se mede pelas categorias humanas. Por isso não sabemos de todas as potencialidades, uma vez que está ligada a Deus que a concede. Ela está ligada também à condição humana, pois foi dada a pessoas humanas e frágeis. Muitas vezes dizemos que a fé morreu nos países do primeiro mundo. No fundo queremos dizer que fé só existe para os pobres. Não compete a nós dar regras a Deus. O documento do Papa Francisco sobre a Evangelização que estamos comentando, chamado Evangelho da Alegria, reflete sobre as raízes cristãs dos povos ocidentais. O modo de ser Igreja já perdeu o vigor em muitos lugares, mas a evangelização deixou raízes que produzem frutos. Uns exemplos: a preocupação dos países com os direitos das pessoas, da natureza, a luta para que haja paz, as grandes convenções como ONU, União Europeia, as diplomacias que procuram estabelecer comunhão com os outros países, a preocupação com a formação e a dignidade da pessoa, a luta contra tudo que possa prejudicar o ser humano. Tudo isso são coisas da política, mas a raiz está onde? Na fé cristã que educou esses povos. Mesmo sendo contra toda a religião, estão agindo a partir da fé. O Papa afirma que esse substrato é uma realidade viva. “Há uma reserva moral que guarda valores de autêntico humanismo cristão” (EG 68). É a ação livre do Espírito Santo. Na cultura popular encontramos tantos valores da solidariedade. É campo para evangelização (69).

Tradições ricas

Há regiões onde o Evangelho é desconhecido. São culturas antigas com grandes riquezas que são misteriosas sementes do Verbo de Deus, colocadas ali pelo Espírito Santo. Há muito a ser acolhido. Há também elementos a serem purificados. Estes são aqueles que possuem tradições distorcidas que desviam o ser humano de sua integridade, como por exemplo, a condição inferior da mulher ou abuso de autoridade espiritual valendo-se de superstições para dominação. O Papa se volta para as regiões de tradição cristã: “No caso das culturas populares de povos católicos, podemos reconhecer algumas fragilidades que precisam ainda ser curadas pelo Evangelho: o machismo, o alcoolismo, a violência doméstica, uma escassa participação na Eucaristia, as crenças fatalistas ou supersticiosas que levam a recorrer a bruxarias e parecidos etc … O melhor meio de ver-se livre de tais fragilidades é precisamente a piedade popular”. Ela é o Evangelho traduzido.

Devoção sem caridade

A evangelização da piedade popular se preocupará com a purificação do egoísmo e do fanatismo de grupos. O egoísmo leva a viver a piedade buscando só os próprios interesses. Coloca Deus, a Virgem e os santos a seu serviço. O fanatismo estrutura-se em grupos que se apoiam em certas revelações privadas, devoções ou movimentos mais voltados para o sentimental. Deixam de lado a promoção social e a formação dos fiéis. Não se preocupam com o fundamental da vida cristã que é a caridade. Sobre essa é que seremos julgados. Pior situação é a posição daqueles que abandonam totalmente a religião ou buscam conforto em técnicas espirituais. A evangelização deverá se preocupar em dar a cada pessoa o sentido da vida, a partir de Cristo Salvador de todos. A Igreja não deverá impor uma cultura, mas propor o Evangelho da pessoa de Jesus. Imposição de cultura não evangeliza e destrói os elementos sadios da cultura e devoção.

 

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