Por Geraldo Barboza de Carvalho Em Catequese Atualizada em 02 OUT 2017 - 11H13

Fundamentos bíblico-teológicos da maternidade de Maria

 maternidade

 Introdução

Jesus Cristo é o Redentor (goel) da humanidade. Como Goel, Ele é figura corporativa, que reúne na sua Pessoa os seres humano e toda a criação, de modo que toda ação do Goel atinge os seres que ele representa. A corporeidade de Jesus é representada pelas figuras da videira e dos ramos, do templo e as pedras vivas, da cabeça e dos membros do corpo. A ação redentora do Jesus preexiste à encarnação do Verbo, já que o “Cordeiro está de pé e imolado desde antes da criação do mundo. Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste. Bendi-to seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que abençoou-nos com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo. O Pai nos escolheu Nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito da sua vontade, para louvor e glória da sua graça, com a qual ele nos agraciou no Amado. Ele é a Imagem, o esplendor da glória e a expressão do ser do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura, porque nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as invisíveis e as visíveis. Tudo foi criado por meio dele e sem ele nada foi feito. Tudo foi criado por Ele e para Ele. Nele nos movemos, existimos e somos”. O Filho de Deus, origem e fim de todas as coisas, por amor de nós fez-se carne, fragilidade. Toda a criação está envolta na gratuidade da Sua presença entre nós, em sinal do cuidado do Pai com tudo que criou. O Primogênito é a no-víssima sarça ardente no novo fogo do Amor que incendeia os corações e não se consome nem os consome, a qual torna a terra da danação na terra santa, Morada da SS Trindade entre nós, uma vez por todas. “O Verbo se fez carne e habita conosco”. Encarnando-se em Maria, Unigênito incorporou todos os seres humanos, criados nele e por Ele “à imagem e semelhança de Deus”, e a criação inteira. Maria gestou no seu ventre a figura corporativa de Jesus Cristo, que inclui em si todos os seres criados, desde antes da criação do mundo, ab eterno. Por isso, Ela não é só a Mãe do homem-Deus, mas também de todos que Jesus representa e corporifica. “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim”, diz Jesus aludindo à morte de cruz, ressurreição e ascensão. Ora, a ressurreição da carne em Cristo e com Cristo se deu desde a encarnação do Verbo, que implodiu o pecado do mundo e res-taurou a antiga criação e inaugurou a nova criação, encabeçada pelo Primogênito da nova criação. A morte, a ressurreição, a ascensão de Jesus e Pentecostes ratificam em definitivo a nova criação inaugurada na encarnação. Portanto, o Verbo encarnou-se em Maria junta-mente com todos os que “jaziam nas trevas e na sombra da morte”, pra gerá-los e agraciá-los com “toda espécie de bênçãos espirituais”, cuja maior é filiação divina. Maria é, pois, a Mãe de Jesus, da humanidade, da criação invisível e visível, da Igreja militante, triunfante e padecente, dos anjos e de todo o cosmos (1).

   Pode-se fundamentar bíblica e teologicamente a maternidade de Maria? Não há dúvida que Maria é a Mãe de Jesus. Há registros abundantes de Gênesis a Apocalipse. “Porei hostilidade entre ti a mulher, entra a tua descendência e a descendência dela. Eis que uma virgerm conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, Deus-Conosco. Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho ao mundo, nascido de mulher, pra nos remir da maldição da Lei. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, porque ele libertará seu po-vo dos seus pecados. Quando completaram-se os dias para o parto, ela deu à luz o seu filho primogênito. Ao entrar na casa, os magos viram o menino com Maria, sua mãe. Disse o anjo a José: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Ao vê-lo, sua mãe lhe disse: Meu filho, porque agiste assim conosco? Houve um casamento em Caná da Ga-liléia e a mãe de Jesus estava lá. Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria: Foi alguém avisar Jesus: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te. Dis-se-lhes Ele: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a Palavra de Deus e praticam-na. Do meio da multidão uma mulher bradou: Feliz o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram. Ele respondeu: antes, bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam. Perto da cruz de Jesus estava sua mãe e a irmã de sua mãe. No Cenáculo de Jerusalém, estavam todos unânimes, perseverantes na oração com algumas mulheres, entre elas Maria, a mãe de Jesus”. Sem dúvida, Maria é a mãe de Jesus, embora tenha sido gerado sem relação sexual com José – “Maria disse ao Anjo: Como vai ser isso se não co-nheço homem algum (como marido)” –, mas pela fecundante de Deus Mãe e o poder gera-dor do Pai – “O Espírito Santo (Deus Mãe) virá sobre ti e o poder do Altíssimo (o Pai) te cobrirá com a sua sombra”–, Maria gestou Jesus por nove meses como qualquer mulher, O pariu por vias naturais (Ela é Dei Genitrix, Deípara, Mãe de Deus encarnado, Theotokos), dispensou todos os cuidados que uma mãe tem com seu recém-nascido (2).

   Mas faz sentido afirmar que Maria é também a mãe dos seres humanos, se nenhum de nós foi gerado no seu ventre nem parido por ela? De que tipo de maternidade se trata? Na teologia da Igreja Católica e ortodoxa, é consuetudinário que Maria é nossa Mãe porque Jesus no-la deu na pessoa do discípulo amado, nos estertores da cruz. “Jesus, vendo sua mãe, e perto dela, o discípulo que amava, disse a sua mãe: Mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E a partir daquela hora o discípulo tomou-a em sua casa”. Ora, a entrega da mãe de Jesus a João evangelista não parece ser razão suficiente para que ela seja a mãe da humanidade. O discípulo amado é um homem comum, membro do Corpo de Cristo como todo ser humano. Mas ele não é figura corporativa. Parece, pois, forçado que João evagelista represente a filiação universal da humanidade em relação a Maria. Porque, Jesus é a única figura corporativa, o único Goel que reúne misticamente na sua Pessoa a humanidade inteira na desgraça do pecado e na graça da salvação, extensivas à criação inteira: “Até quando se lamentará a terra e ficará seca a erva do campo? Por causa da maldade de seus habitantes perecem animais, pássaros e peixes. A criação inteira sofre as dores do parto até o presente, na esperança de também ser libertada da escravidão do corrupção, para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus. O Filho de Deus manifestou-se para tirar os pecados e nele não há pecado. Deus enviou seu Filho em carne semelhante à carne do pecado e em vista do pecado, condenou o pecado na carne. Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez maldição, pecado por nossa causa, pra que, por ele, nos tornemos justiça de Deus. Javé fez cair sobre ele nossas iniqüidades. Eram nossas en-fermidades, nossas dores que ele levava sobre si (bode expiatório, Cordeiro de Deus). Na verdade, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgresores fez intercessão. Por suas feridas fomos curados”.

{Leia o texto na íntegra, clicando aqui}

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