Por Academia Marial Em Catequese

Tema do 4º dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida – 2012

Alegria de acolher os necessitados de Deus!  Lc 1,39-45

Tema do 4º dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida – 2012“Maria partiu… apressadamente… a uma cidade da Judeia. Algumas décadas depois dessa viagem de Maria à casa de Isabel, o apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos da comunidade de Corinto, importante cidade da Grécia, lhes testemunhou: “O amor de Cristo nos impele”(2Cor 5,14), isto é, nos pressiona, nos solicita, nos empurra, nos estimula… É sempre assim: quem faz a experiência do amor de Deus, aquele que se sente envolvido por Seu amor, não consegue ficar parado; ao contrário: essa pessoa sente uma necessidade irresistível de possibilitar que outros façam idêntica experiência do amor divino. Foi o que a Mãe de Jesus sentiu: ao tomar conhecimento da mais importante notícia que alguém poderia ouvir – Deus nos ama e, por isso, nos envia seu próprio Filho como Salvador -, ao ouvir isso e, ao mesmo tempo, ao saber que sua parenta Isabel, de idade avançada, ia ter um filho, Maria não pensou no desconforto de uma longa viagem ou no tempo em que ficaria fora de casa, justamente quando precisava se preparar para o nascimento de seu Filho. Maria só pensou em uma coisa: Isabel precisava dela. Afinal, quem poderia lhe prestar ajuda senão ela própria, Maria? Esse pensamento fez com que a Mãe de Jesus tomasse a decisão de partir para ‘uma cidade de Judá”. Segundo os estudiosos, essa cidade devia ser a Ain-Karin de hoje, situada entre as montanhas, não distante de Jerusalém.  Ali ficava a casa de Isabel. Para essa casa era preciso partir apressadamente. Foi uma viagem impulsionada pela caridade.Neste quarto dia da Novena de Nossa Senhora Aparecida – dia que tem como tema: “Maria: alegria de acolher os necessitados de Deus” -, aprendemos várias lições daquela que foi Mãe e Mestra de Jesus, e foi também sua mais fiel discípula. Vou destacar quatro possíveis lições. A primeira delas é esta: diante dos necessitados, é preciso tomar a decisão de ir apressadamente a seu encontro. Afinal, Cristo se identifica com esses irmãos e irmãs. É o amor de Cristo que nos impele, pois, a ir ao encontro do necessitado; é o amor de Cristo que nos ensina que amar é repartir nossos dons. Ao nosso redor, muitos passam fome, não têm casa, saúde ou educação; outros vivem tristes e desanimados por nossa incapacidade de repartir os dons que recebemos. Maria acolheu Jesus e o levou a Isabel. Fazendo isso, ela nos ensina que este belo e majestoso mundo que Deus nos deu, suas riquezas, a terra e o pão, as qualidades com que nos enriqueceu, o que somos e temos, tudo, enfim, não é para desfrutarmos egoisticamente, mas para repartir com os outros. O mundo, na verdade, é uma grande via-sacra. Quantos sofrimentos em cada coração, em cada lar, em cada país! Quantas cruzes não desejadas precisamos abraçar cada dia. Maria nos ensina a buscar a vontade de Deus, a não esperar soluções mágicas, a fazer a nossa parte para que se multipliquem ao nosso redor gestos marcados pela justiça e pela verdade, pela solidariedade e pela paz – gestos de amor.“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.” Quem nos dá o Espírito Santo é Jesus. Ressuscitado, vitorioso, ao voltar para junto de Seu Pai, Jesus recebeu o Espírito Santo e – segundo a belíssima expressão do apóstolo Pedro, em Pentecostes – o derramousobre nós. Voltemos a Isabel: diante da aproximação de Maria, “O Salvador dos homens, encerrado no seio da sua Mãe, efundiu o Espírito Santo” (João Paulo II, 02.10.96).Eis, pois, a segunda lição que a Mãe Aparecida nos dá neste quarto dia de sua novena: quando uma pessoa dá um sim total a Deus, passa a transmitir a outros, com sua simples presença, os frutos do Espírito Santo – ou melhor: permite que o Espírito Santo a use como instrumento para transmitir seus frutos: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio…” (Gl 5,22-23), conforme lemos na carta de Paulo aos Gálatas. Essa lição de Maria faz nascer uma pergunta, que deveria nos inquietar: Para quantas pessoas estamos sendo chamados a levar esses mesmos frutos?…“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” Foi “repleta do Espírito Santo” que Isabel elogiou Maria. A saudação de Isabel é repetida diariamente milhões de vezes, nas mais diversas línguas, em cada Ave, Maria que se eleva aos céus. Temos, pois, o privilégio de bendizer Maria com palavras inspiradas pelo Espírito Santo. Com Isabel começou o que poderíamos chamar de “culto a Nossa Senhora”. Maria é elogiada por sua parenta, mas no centro do elogio está o Criador. Eis uma síntese do culto dirigido a Maria: ao honrá-la, glorificamos aquele que nela fez maravilhas – seu SENHOR, como ela o fez no Magnificat.Aqui está a terceira lição que Maria nos dá nesta noite: Cristo é o único caminho para o Pai. Ele é o modelo supremo, ao qual, como discípulos, devemos conformar nossa própria conduta. Nossa devoção a Maria está, pois, subordinada à devoção para com o divino Salvador. Ao nos voltar para Maria, nos voltamos para aquela em quem o próprio Pai eterno confiou. O Pai confiou a ela Seu único Filho, Seu Filho amado; nós confiamos a Maria nossas necessidades, problemas e pedidos. Este Santuário Nacional é uma prova diária de que Maria está sempre pronta a escutar os irmãos e as irmãs de seu Filho Jesus; ela os escuta com afeto de mãe e intercede por todos os romeiros junto a seu Filho, como fez no casamento de em Caná. São daquela ocasião as duas frases que resumem o jeito de ser e de agir de Maria: “Eles não têm vinho” e “Fazei tudo o que ele vos disser!”.“Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre”. A agitação do pequeno João no ventre de Isabel é o resultado de uma presença: a de Jesus, que Maria já estava esperando. Sempre se viu neste encontro das mães e na reação sentida por Isabel a santificação de João Batista, ou seja, a comunicação, ao precursor, da graça de Cristo. Esse encontro serviu também para destacar a missão de Maria, que é levar Jesus, provocar a ação do Espírito Santo e fazer com que se realize no mundo a vontade de Deus.Eis a quarta lição que Maria nos dá hoje: quando alguém visita um santuário mariano; quando um peregrino vem a Aparecida para encontrar-se com a Mãe de Jesus e, assim, fortalecer sua fé, acaba sendo levado por ela a um encontro ainda mais importante: o encontro com Jesus no sacramento da penitência e da eucaristia. Por sinal, o mais belo livro de Aparecida é escrito pelos romeiros que, aqui, sentem-se em casa – na sua casa! E têm razão, pois a casa de Maria não é só de Jesus: ele mesmo quis que a casa de sua mãe tivesse as dimensões do mundo, para abrigar cada pessoa que ele salvou com o seu sangue.Diante das muitas lições que Maria nos dá, só nos resta voltar nosso coração para ela e lhe pedir:

Mãe de Jesus, minha Mãe, Mãe Aparecida!

À imitação de Isabel, também eu quero proclamar as maravilhas que Deus realizou em tua vida:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”

Deus te salve, serva, Mãe e rainha!

O Pai eterno te elevou acima de todos os homens e mulheres ao te chamar a um particularíssimo serviço: ser Mãe de seu Filho!

Tu és a imagem perfeita da união entre o amor de Deus e o serviço aos irmãos, entre a evangelização e a promoção humana.

És modelo dos discípulos de Cristo.

Acompanha a caminhada de fé de todos os teus filhos e filhas e alcança-nos a graça da salvação eterna.

Amém.

                                                                                    Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

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