Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H25

A transfiguração de Jesus promete ser a nossa!

Transfiguração

 Mt 17,1-9 | DomingoTransfiguração do Senhor                                       

 O domingo é a nossa pausa restauradora na caminhada rumo ao céu. A mesa do Senhor nos refaz na Eucaristia, onde encontramos os irmãos e irmãs da comunidade cristã peregrina e muitas vezes afligida por provações e expectativas sombrias. Aí sentimos que não somos solitários, largados no vai e vem de um mundo sem coração. Sentimos que temos amigos e amigas com os quais é possível construir o projeto de uma nova ordem social. Com eles vamos enfrentar os desafios e buscar saídas. Por exemplo, enfrentar a crise da corrupção política e ética das nossas instituições públicas: Legislativo, Executivo e Judiciário. Nelas a corrupção expõe, entre outras, a ferida aberta do desemprego. Na mesa de Jesus partilhamos projetos comuns, à luz da glória de Deus revelada em seu “Filho amado” e restauramos as esperanças! Assim, o continuado esforço interior de conversão vai transfigurando nosso viver à luz e ao amor da graça do Senhor.

A mesa eucarística nos coloca neste domingo na montanha com Jesus que revela a três discípulos o seu futuro glorioso. Fala de sua transfiguração. Uma página do Evangelho que retrata a fé pós- pascal das primeiras comunidades cristãs. A salvação por Cristo se resume em dois aspectos: humilhação e glorificação. Morte e ressurreição. O mistério de Jesus, a sua glória, só pode ser alcançado por quem não tem medo de se comprometer com ele até a morte. Leia: Mateus, 17, 1-9.

O conceito de transfiguração não é popular. No Brasil cristão o povo fala: festa ou dia do Bom Jesus. Uma invocação largamente difundida em igrejas, santuários e festas religiosas tradicionais. O Evangelho nos diz que Jesus levou consigo três discípulos até o alto de uma montanha. Há aí uma referência ao episódio bíblico do Sinai, quando Moisés o líder do povo libertado da escravidão, recebeu de Deus os dez Mandamentos da Antiga Aliança. Ao descer do alto do Sinai o rosto de Moisés resplandecia, pois ele falara com Deus. (Êxodo, 34,29). Mateus escreve no relato da transfiguração: “o rosto de Jesus brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. E Moisés e Elias apareceram para conversar com ele” (vv.-2 a 3). Isto é, na nova aliança Jesus substituiu as duas grandes lideranças espirituais do povo bíblico: o maior legislador e o maior profeta. Ele é o primogênito de um novo povo libertado e vitorioso sobre todos os males e pecados e constituído por seus discípulos.

Esta catequese denominada “teofania” antecipa a vitória final de Jesus. A sua vinda gloriosa. Mostra como deve ser nosso seguimento a Ele no caminho da fé. Como encarar a relação entre sofrimento, dificuldades e a vivência religiosa. Muitas vezes o ‘ser cristão’ é penoso para nós. É difícil aceitar acontecimentos e situações que pedem renúncias e sacrifícios. Como o foi para os apóstolos, não raro torna-se quase incompreensível seguir Jesus, ser cristão para valer em meio a um mundo dominado por prazeres, ambições de poder e injustiças clamorosas principalmente em relação aos mais pobres. Nessas ocasiões é preciso “subir à montanha” com o Cristo. Ou seja, ele nos chama a confiar e a esperar a sua vitória. Na sua vida, sofrimento e morte foram caminhos de ressurreição. Logo, esse é o caminho dos seus seguidores em todos os tempos. É preciso então, “transfigurar-se”, ou crer na vitória da fé! Viver a expectativa da ressurreição!

Quaresma - Shutterstock

Entrar na “nuvem”, símbolo da presença confortadora de Deus.

A primeira lição sugerida é: se quiser seguir Jesus sinta-se vocacionado a elevar sempre mais alto o nível da convivência humana! Não se acomode nas coisas: o ter, o gozar, o ser importante. Viva o esforço constante para transfigurar mais e mais o sentido da convivência com os outros na paz, no respeito à vida e à natureza criada. Sempre norteados pela justiça na partilha dos bens e dos serviços da cidadania. O papel da prática religiosa para os cristãos é fazer que todos os projetos humanos sejam transfigurados, sejam banhados com a luz divina e todos possamos sentir a alegria do discípulo Pedro no alto da montanha: “Senhor, é bom estarmos aqui”!

Outra catequese sugerida na reflexão é: aprender a ver nos sofrimentos um anúncio de ressurreição! Somos fracos? Sim. Há muitas dores e males no mundo atual? Sim. Mas sabemos que Jesus não foi vencido. Se perseverarmos no seu caminho, isto é, seus mandamentos, sua Igreja, sua lei moral, seu projeto de vida, também nós experimentaremos a vitória e a glória dele. Logo, não temer a luta, o sofrimento e até a perseguição. Sentir-se um escolhido (como os três discípulos) para estar com Ele no alto da montanha. Esta é a nossa vocação no mundo. E praticar a religião fielmente é o meio para vivê-la. Subir a montanha é esforçar-se para ser bom. É comprometer-se na fé com a comunidade dos irmãos e demais discípulos. É não ser cristão só para si e suas aspirações pessoais. Enfim, é o que o papa Francisco gosta de repetir: “é ser igreja em saída para as ruas”.

Que principalmente neste ano mariano jubilar dos 300 anos do achado da imagem da Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, nossa irmã Santa Maria nos abençoe e fortaleça com seu amor maternal nossos passos vacilantes no esforço contínuo de transformar-nos permanecendo fiéis à escuta do seu Jesus, o “Filho amado do Pai”!

 

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