Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 13H06

Alegrar-se no Senhor, como Maria!

advento

Homilia para 3º Domingo Advento - ANO C

 Lc. 3,10-18

                           Alegrar-se no Senhor, como Maria!  

 A vida humana é chamada a ser alegre em si mesma, porque ela vem de Deus. No 3º domingo do Advento a liturgia nos faz um apelo explícito à alegria, na perspectiva do Natal antecipada espiritual e psicologicamente. Qual é a alegria que esperamos viver? O Natal de Jesus Cristo nos oferece a certeza da presença de Deus no coração do homem e na sua convivência com os outros. Logo, não falamos de uma alegria produzida de fora, por coisas de consumo, culturais ou de costumes. O acontecimento natalino é divino! Não é social. No mistério de Jesus, Deus revelou seu amor infinito: Ele quer nos salvar, recuperando seu projeto criador contra nossa rebeldia. Quando entendemos isso entramos na alegria natalina e tentamos partilhar o amor divino na paz, na justiça, na acolhida e justa distribuição dos bens da vida com todos. Não haverá motivo algum para excluir pessoas.

Sendo a essência do Evangelho (a Boa notícia!) a alegria só virá por seus caminhos. Se não os procurarmos na fé, na oração, na prática da caridade fraterna não celebraremos de fato o júbilo do Natal. Não nos basta pensar em Jesus com certo romantismo, mas sem nos unir de modo íntimo e consciente com ele! Seria triste nosso natal! O Advento nos convida para entrar na sua mística de conversão assumindo a expectativa com vigilância. Entendida à luz do Evangelho esta mística corresponde àquela indagação natural do homem: o que devo fazer para viver bem, ter a alegria da vida? Como devo programar meu viver? Indagações naturais e necessárias! Somente os irresponsáveis e desatinados ou as pessoas fúteis, frívolas e levianas, não se interrogam sobre o sentido da própria vida. Elas esperam tudo: festas, comida e bebida, diversão e prazeres de consumo conforme a posição social. Descarta-se a preocupação com o “porquê”, com o saber viver, encaminhar projetos, intenções, desejos e realizações em vista da alegria verdadeira. Muitas pessoas exibem alegria e felicidade, e talvez no íntimo escondam suas tristezas e decepções disfarçando-as no barulho, nos excessos, no exibicionismo das vaidades.

Antes da vinda de Jesus, havia muitas expectativas vãs a respeito do Messias. Mas faltava a mística da espera vigilante, a atitude comprometida para recebê-lo. Aí surgiu João Batista, o profeta mensageiro, alertando o povo como procurar a verdadeira alegria da salvação. Leia: Lc.3,10-18.

 O trecho supõe a grande expectativa popular na espera do Messias. Por um lado isto levantava o ânimo do povo sofrido. Por outro, os grupos políticos aguardavam um Messias conforme seus interesses. Vem João, o Batista, descrito por Lucas como porta voz da vinda iminente. Seus apelos proféticos soavam vigorosos conclamando a conversão pessoal junto com a superação da sociedade injusta. Era preciso não só esperar, mas programar a acolhida ao Messias. João conseguia sensibilizar o povo que acorria em massa perguntando: “O que devemos fazer?” (v.10). A todos o profeta do deserto recomendava: praticar a caridade e viver a justiça, partilhando roupa e comida com quem não as tinha. Isso era o mínimo a fazer.

Incomodados, os judeus a serviço do fisco romano na cobrança dos impostos, eram aconselhados a não praticar a extorsão nem a corrupção política. Cumprir a profissão com ética e respeito, bastando arrecadar o que era devido. Vinham os soldados a serviço do rei Herodes. Pesavam-lhes na consciência as injustiças e violências impunes à sombra da lei do mais forte. A eles o profeta recomendava não usar o poder em proveito próprio, mas com honestidade e mansidão. Enfim programar a vinda do Messias exigia recebê-lo com o coração, esquecendo os interesses. Converter-se, abandonando caminhos errados e injustos com o próximo.

Impressionadas com o discurso de João Batista, muitas pessoas começaram a pensar: não seria ele o Messias? O profeta assumiu seu papel de mensageiro. “Meu batismo é só um sinal de penitência. Aquele que vem e pode mais do que eu, vai dar o verdadeiro batismo: no Espírito Santo e no fogo”. Isto era um aviso: o Messias viria trazendo o juízo divino, do qual ninguém poderia escapar ou se esconder. O convite a uma conversão radical programando a vida para receber o Messias no coração, implica colocar o homem sob o juízo de Deus. Quem o receber ficará separado de quem não o receber. Assim como o agricultor separa o trigo da palha: guardando o trigo, queimando a palha.

 

Alegra-te, ó Maria!

A Virgem de Nazaré vivia a alegria da graça de Deus em grau tão sublime que provocou a admiração do anjo: Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo! É-nos inimaginável a alegria de Nossa Senhora gestando em seu seio virginal o embrião do Verbo de Deus. Inimagináveis para nós os seus pensamentos, emoções e afetos. Bem como, o clima de expectativa e vigilância em que foram vividos. Foi o primeiro Advento da história! Que ela nos ajude a esperar Jesus que já veio e vem continuamente até o último juízo! Com certeza teremos a resposta para nossa vida: o que devo fazer?

 

         

 

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