Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H35

Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

       cruz_eucaristia

                      Fazer opção consciente, livre e fiel a Jesus.

 

Um dia Jesus ameaçou dispensar a companhia dos apóstolos por ele escolhidos. Disse a eles que podiam ir embora, caso não aceitassem que Ele era em si mesmo portador e alimento da vida de Deus. Comparou-se ao maná. Ele era o “pão vivo descido do céu para nutrir a vida sobrenatural em nós”. Muitos criticaram, acharam isso uma pretensão absurda e foram embora. Os ouvintes queriam que Jesus pensasse como eles a respeito do Messias, o salvador prometido ao povo. Queriam que Jesus resolvesse os problemas materiais: a fome, a doença, a libertação do País do jugo romano. Nada mais! Frustrados, eles abandonaram Jesus e os apóstolos se viram constrangidos pela interpelação direta do Mestre: “Vocês também querem ir embora?” Afinal, sensíveis à opinião popular, tinham suas pretensões humanas, seus pequenos interesses de poder e prestígio aos olhos do povo. Suas pretensões de grandeza e sonhos de poder receberam uma “ducha fria”. Foram desafiados a crer ou não. Tinham que renunciar às suas antigas ideias religiosas e civis, à suas expectativas pessoais e políticas quanto à vinda do Messias prometido. O momento era decisivo: seguir Jesus sem buscar a fama popular. “A quem iremos Senhor? (falou Pedro em nome de todos), tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo. 6, 68-69). É o que nos ensina o capítulo 6º do Evangelho de João. O seu final é o texto do 21º domingo comum do ano B. Leia: João, 6, 60-69.

Todo o Evangelho de São João vê Jesus como: o “logos”, isto é, a PALAVRA do Pai revelada a nós. Então, a reação dos discípulos considerando “duro demais o seu modo de falar, murmurando contra ele”, é mais uma recusa em aceitar, do que uma desculpa em não entender. Eles não aceitaram a origem divina de Jesus. Não se importaram nem em saber o que ele, de fato, pretendia dizer ao afirmar: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, vive em mim e eu vivo nele”. (Jo. 6,56). Consideraram um escândalo, uma verdadeira blasfêmia religiosa tais palavras e resistiram a crer nele. Entenderam muito bem que não se tratava de comer carne e beber sangue ao vivo. A Palavra de Jesus exigia adesão de fé. Como acreditar? Não podiam aceitar como um homem mortal possa ter em si a vida mesma de Deus, viver dele e transmitir aos outros a vida divina! Um mortal divinizado: isso era um absurdo, verdadeira blasfêmia! Não quiseram estar mais com Jesus, ouvir a sua pregação e foram-se embora mesmo os que tinham sido beneficiados com a multiplicação dos pães, e dos peixes.

 Jesus respondeu às críticas fazendo uma velada referência à sua morte na cruz: ela os escandalizaria muito mais! “Imaginem então se vocês virem (um dia) o Filho do homem (o Messias) subir para o lugar onde estava antes” (Jo. 6,62). Subir ao céu é voltar para Deus, mas isso supõe primeiro morrer. O modo violento da morte do Messias estava previsto pelos Profetas bíblicos. Aceitar a Palavra e crer nela tinha implicação político-social. O Messias não seria alguém com poder e glória terrenos, mas com o poder de Deus. Seria o salvador do povo de Deus não pela fraqueza da morte, mas pelo Espírito de Deus agindo na sua carne e valorizando a sua entrega aos outros por amor. É o Espírito de Deus que leva alguém a doar-se aos outros por um amor extremo, a cruz! Logo, a carne de Jesus e o seu sangue vivificados pelo Espírito de Deus dariam a vida divina a nós.

Hoje nós agradecemos o exemplo de fidelidade dado pelos apóstolos. Quem sabe, porém, é a nossa vez de sermos postos à prova. É a nossa vez de proclamar que jamais abandonaremos Jesus e sua Igreja! Jamais deixaremos de nos aproximar da mesa onde ele se faz comida sobrenatural. Cremos na comunhão. Ela reforça e revigora nossa adesão contínua ao Mestre e Senhor. Na sua mesa está a fonte de nossa fraternidade, o impulso inesgotável na multiplicação e partilha do pão da justiça social, do amor e respeito à dignidade de todos. Tanto como mistério de presença sacramental eucarística, como exigência da justiça social que deve mobilizar a comunidade cristã. Impossível celebrar validamente a Eucaristia sem essa preocupação!

 

  Aplicação mariana                      

Maria é o ícone da Igreja formada pelo Messias, seu Filho. Antes dos apóstolos e mais do que todos ela foi posta à prova. O amor fiel exigido pela fé atingiu sua maior profundidade na figura de Maria, em sua união com o projeto messiânico. Desde que ela o aceitou teve que repetir a opção por Ele também quando os ouvintes, o povo e as autoridades o rejeitavam. Ela nos ensina e previne: professar a fé em Jesus, aceitar o Evangelho, pode significar contrariar a sociedade. Passar vergonha diante dos sábios da terra! Criar indisposição! Mas, são momentos decisivos da fé! Com o auxílio da mãe bendita jamais abandonaremos seu Filho.

 

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