Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo

O Grão de Trigo – Homilia 01

trigo

Uma característica cultural deste nosso mundo chamado de pós-moderno é a busca ávida do sucesso. A ideia dominante que se passa para as novas gerações é a de ser um ganhador. É preciso vencer, superar o medo, dar a volta por cima.

 Ou como ainda se diz: “arrebentar a boca do balão”! Quem assiste a programas de auditório na TV aprende pouca coisa, mas sai da frente do vídeo com uma ilusão na cabeça. “Tem que ser um vencedor”.

 E vencer é sentir o gozo do sucesso; é ser reconhecido, ser aplaudido, invejado! Estamos na cultura do “primeiro lugar”, a ser buscado com a preocupação ansiosa e individualista de se realizar por si mesmo. Os outros não interessam. Em tudo, em qualquer coisa é preciso ser o primeiro e a qualquer preço!

 É a supremacia do egoísmo mesmo se em prejuízo da harmonia com os outros. É o desprezo da solidariedade. Pois é assim que muitos adolescentes e jovens são influenciados pelas “imagens” de supostos vencedores. Os ídolos da TV, em novelas, conjuntos musicais, esportes etc. Imagens, fantasias, ilusões! Todos passam falsas imagens da realidade.

 Ora, cabe a nós cristãos fiéis a Jesus Cristo, nos precavermos da ingenuidade e das ilusões. O Evangelho nos compromete com outra cultura: a do Reino de Deus e seus valores. A acolhida em vez da competição desenfreada. Procurar servir, ser útil, ser solidário e não a ambição egoísta do 1° lugar.

 O discípulo missionário de Jesus tem como tarefa na convivência com os outros construir uma sociedade justa onde cada pessoa sinta-se acolhida e amada independentemente do dinheiro e da posição social. Principalmente os mais humildes. Veja os detalhes em Lucas.

 Jesus foi convidado para um banquete. Convite honroso na época. Mas não se curvou às futilidades da competição social. À badalação de quem seria o mais importante, com maior prestígio aos olhos do dono da casa e dos presentes. No clima de avidez social os convidados nem se envergonhavam da deseducação já que se apressavam a ocupar os cobiçados primeiros lugares da mesa. Sem pudor!

O momento era mesmo de vaidade, de aparecer, de ser visto com inveja, reforçando o prestígio político e a notoriedade social. Como convidado de honra, Jesus estava ali não por acaso. E não por acaso os fariseus observavam o que ele iria dizer ou fazer.

Como se comportaria. Os fariseus eram a seita mais religiosa e rigorosa entre as lideranças judaicas. Já tinha entrado em conflito com Jesus por causa da Lei e da observância do sábado e das tradições antigas. Lucas faz da cena uma catequese, uma página de vida ou uma lição de valores cristãos.

Percebamos bem o cenário da narrativa: mesmo convidado Jesus era visto ali no banquete como alguém incômodo e fora do contexto. Nem a comida parecia ser o cardápio principal. Era a disputa de prestigio, de poder e influência no jogo político do momento. Igualzinho ao que acontece hoje em ambientes específicos políticos ou de altas rodas.

Aproveitando aquela reunião de banquete social Jesus mostrou que não era inteligente e nem uma boa educação desejar e procurar a todo o custo aparecer, estar em evidência ou no topo das atenções, enfim a badalação do primeiro lugar. Esta é uma atitude anti-solidária.

De fato. Jesus tinha outra prática social e seu discurso contrariava os interesses das elites. Em lugar da vanglória ele falava de humildade e de simplicidade de coração, no trato com as pessoas. E por qual razão? Por etiqueta social, costumes, leis, tradições?

Não. Para imitar o jeito de Deus ser e agir conosco. Deus se humilhou fazendo-se próximo anos em Jesus! As honrarias terrenas não nos valorizam perante Deus. Alimentar um alto conceito de nós mesmos e querer de qualquer jeito passá-lo aos outros, é destruir os bons relacionamentos.

Lucas narra a parábola para a comunidade cristã viver. Ele realça em qual ambiente e contexto Jesus estaria conosco, seus discípulos. O Mestre se sentirá bem conosco lá onde nossas relações com os outros reproduzirmos seus critérios e valores. Lá onde formos humildes, modestos e servidores. Não ter intenções e objetivos de pessoas astuciosas. Essas no fim de tudo só querem enganar os outros.

Fica bem claro na Parábola: a comunidade cristã, nós cristãos não podemos adotar posturas ambiciosas. Não podemos nos relacionar em nossas comunidades com intuito de dominação ou de prestígio. Nem competindo por cargos, benemerências e sucesso pessoal. De nada vale procurar o primeiro lugar na comunidade de Jesus. Se em seu amor Deus nos acolhe de graça e não por interesse, assim devemos ser uns com os outros.

Portanto, na festa da vida, a lei maior e decisiva nunca será a da troca: eu te dou para que me dês; eu te ajudo para que me ajudes. Se assim fosse, a vida seria apenas uma mercadoria de troca.


O grão de trigo -1 – Lucas, 14,1. 7-14

 

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