Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H33

Por seu Caminho e por sua Verdade Jesus nos guia à Vida do Pai

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Homilia 5º Domingo da Páscoa -  João 14, 1-12

Cada encontro eucarístico propicia nova alegria entre nós que partilhamos o júbilo pascal em busca de uma sociedade melhor, mais justa, humanizada e pacífica. Nem poderia ser outro o desejo, o empenho de quem vive esse momento histórico da história da Igreja aberta ao mundo, dele inseparável, mas distinta. Distinta porque sempre fiel ao seu Bom Pastor que é para ela seu Caminho, sua Verdade e sua Vida. Mais do que um texto histórico, um código religioso e moral, o Evangelho é uma “cartilha da vida” em todos os tempos e culturas. Além do sentido imediato das palavras e além das circunstâncias históricas retratadas, existe algo que é imponderável no Evangelho. Que não se pode medir e avaliar com critérios meramente humanos ou culturais. No evangelho, além da letra há o Espírito. Há o sopro divino. Há o mistério da Palavra viva sempre atual.

E em cada domingo nós nos reunimos junto à mesa do Senhor Jesus: mesa primeiro da Palavra para ser em seguida a mesa da vida, mesa do pão do céu. No calendário da Igreja o tempo pascal é tempo favorável à união forte na fé e à acolhida amorosa da Palavra libertadora. Ela é o caminho, ela é a verdade, ela é a vida de todos os homens. Este anúncio está no texto do evangelho lido na liturgia da Palavra no 5º domingo da Páscoa deste ano. É um texto catequético dos primeiros tempos, resumido em 3 verbos: ver, conhecer e acreditar em Jesus. Isto significa: as verdades do Evangelho não são dados culturais ou sociológicos que podemos constatar com os sentidos, conhecer com o intelecto, submeter e interpretar só com a sabedoria humana. São dados da fé ou de uma ciência sobrenatural. São verdades reveladas encarnando-se no contexto temporal em que vivemos.

 

Conhecer Jesus é ter consciência do projeto de vida dele sendo realizado por sua comunidade, a Igreja. Presentes com ela no mundo convivemos com os acontecimentos e problemas humanos. Tendo Jesus como o caminho, a verdade, a vida!

Assim é o modo de ser cristão (ã)! Conhecer Jesus é ter consciência do projeto de vida dele sendo realizado por sua comunidade, a Igreja. Presentes com ela no mundo convivemos com os acontecimentos e problemas humanos. Tendo Jesus como o caminho, a verdade, a vida! Além da certeza a fé nos consola, ensina Jesus: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (14,1). Crer em Jesus já é ver e conhecer o próprio Deus. Ele nos garante: "ninguém pode chegar ao Pai senão por Ele”. (Jo 14,6). É oportuno ler o texto todo que desenvolve a catequese joanina. Ler João 14, 1-12.           

Os estudiosos interpretam que num primeiro momento a passagem retrata alguma experiência de medo, insegurança e desânimo vivida pelos apóstolos ainda antes da morte de Jesus na cruz. Tiveram medo do futuro sem o Mestre junto deles. Jesus os consolou com uma certeza: em todos os acontecimentos futuros, seus seguidores receberiam dele força e coragem.

E quando houvesse a separação ela seria breve, pois, o Mestre iria à frente preparar no céu, na casa de Deus, um lugar de felicidade para cada um de seus fiéis seguidores. Num segundo momento o texto de João retrata a experiência das comunidades cristãs dirigidas pelo próprio evangelista. Portanto bem depois da morte e ressurreição de Cristo.

O poder do mal, a força do pecado será sempre grande no mundo e constituirá sim uma provação para os discípulos de Cristo. A comunidade cristã precisa prevenir-se contra esse tipo de tentação: afligir-se e se desencorajar quando submetida à maldade dos homens e da sociedade. A tentação do medo e do recuo na prática do bem acomodando-se às opiniões e aos “modismos” do momento. De outro lado, a própria existência trágica do sofrimento e da dor humana poderá despertar dúvidas no pobre coração humano. Sempre haverá alguém dizendo: “Por que Deus deixou isso acontecer comigo?” Nós mesmos – individualmente – nos sentimos angustiados ne tristes nas ocasiões de doenças, sofrimentos, problemas e etc. São aqueles dias, aquelas horas em que Jesus parece estar “separado” de nós. Ausente. É, porém, o momento de nos perguntarmos: não fomos nós que dele nos separamos? Não será a nossa fé que decaiu? Talvez já não vamos tanto à Igreja! Talvez já não damos espaço à ouvir a Palavra! Quem sabe até nem rezamos como antes! Aí se coloca o apelo do evangelho onde Jesus nos convida: “Creiam em mim: eu sou o caminho; eu sou a verdade; eu sou a vida! Ninguém chega ao Pai, ninguém encontra a alegria de Deus, senão por mim” (vv.6-7).

Em si mesma a fé cristã é confortadora. É consoladora. É garantia de paz e consolo nas aflições da vida. Jesus não prometeu a ninguém que iria eliminar o sofrimento; libertar da dor e proteger das angústias como resultado do “ter fé nele” aqui na terra. Fé é muito mais que “ritos religiosos”: cerimônias, comportamentos morais e prática de piedades. Como se tudo isso fosse uma “moeda de troca” com Deus. Fé em Jesus Cristo é a mediação de Jesus para levar o homem até o coração de Deus. Ele é o nosso mediador junto do Pai que nos ama como filhos mesmo quando sofremos.

 Na Igreja que é herdeira dos apóstolos Maria consta como a mulher exemplar da fé. A primeira discípula, ícone dessa Igreja. Ela foi conforto e consolo dos primeiros cristãos com sua presença materna e fiel. Nela se podia ver realizada a palavra do Filho: “Quem acredita em mim fará as obras que eu faço!” Enquanto confiarmos na presença viva e misteriosa de Jesus entre nós faremos também as “obras deles”. Então convivamos com os outros da mesma maneira que ele conviveu: com justiça e sem ambições; com fraternidade e respeito; perdoando e amando, apesar das ofensas. A prática de Jesus é que deve determinar todas as relações dentro da comunidade!    

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